A cobertura vacinal contra o sarampo nas cidades do ABC que divulgaram os índices está, em média, em 74%, percentual 21 pontos abaixo dos 95% recomendados pelo Ministério da Saúde para garantir a proteção coletiva. Embora a região não tenha registrado casos confirmados da doença neste ano, as prefeituras reforçaram as estratégias de vacinação e ampliaram a vigilância epidemiológica após o Estado de São Paulo confirmar sete casos de sarampo em 2026.
Entre os municípios, Diadema apresenta o melhor índice, com 92,67% de cobertura, mais próximo da meta nacional. Já Rio Grande da Serra alcançou 84,39% na primeira dose e 62,44% na segunda, enquanto Ribeirão Pires registrou 81,14% e 63,03%, respectivamente. Santo André informou cobertura parcial de 37,61% entre crianças de um ano, público utilizado pelo Ministério da Saúde para o cálculo do indicador. São Bernardo não divulgou o percentual de cobertura.

As administrações municipais apontam que o principal desafio é ampliar a adesão ao esquema vacinal completo, especialmente entre quem ainda não recebeu a segunda dose da tríplice viral. Todas as cidades consultadas informaram que possuem estoque suficiente do imunizante nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs).
A Secretaria de Estado da Saúde reforça que a vacinação continua sendo a principal forma de prevenção contra o sarampo. Diante da confirmação dos sete casos neste ano, a pasta orienta crianças, adolescentes e adultos com esquema vacinal incompleto a procurarem uma unidade de saúde para atualizar a carteira de vacinação.
Vigilância mantém monitoramento
Mesmo sem casos confirmados na região, a vigilância epidemiológica permanece em alerta. Santo André informou um caso suspeito em investigação, enquanto São Bernardo acompanha quatro notificações suspeitas, duas delas com possibilidade de infecção adquirida fora do município.
Diadema, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra não registram casos suspeitos neste momento. Ribeirão Pires informou ainda que investigou duas notificações de doenças exantemáticas em 2026 – uma de um morador da cidade e outra de um residente de Mauá -, ambas descartadas para sarampo.
Municípios intensificam vacinação
As cidades também ampliaram as estratégias para elevar a cobertura vacinal.
Em São Bernardo, equipes da Vigilância Epidemiológica e da Atenção Básica realizaram bloqueio vacinal no entorno das residências dos casos suspeitos. A força-tarefa percorreu mais de 520 imóveis, entrevistou mais de 800 moradores e aplicou 89 doses da vacina. Segundo o município, a maior parte da população visitada já apresentava a situação vacinal regular.
Santo André mantém busca ativa de pessoas com esquema vacinal incompleto, conferência das cadernetas nas escolas por meio do Programa Saúde na Escola, monitoramento permanente dos indicadores e oferta da vacina nas 34 unidades de saúde. O município também programou ações do Saúde em Movimento entre 21 e 31 de julho e realizará a campanha de atualização da caderneta de vacinação para menores de 15 anos entre 3 de agosto e 1º de setembro.
Ribeirão Pires aposta na busca ativa nas unidades de saúde, investigação laboratorial e visitas às comunidades com apoio dos agentes comunitários. Em Rio Grande da Serra, a Prefeitura promove campanhas de multivacinação, vacinação nas escolas, ações educativas, ampliação do acesso às salas de vacina e acompanhamento contínuo das coberturas vacinais.
Já Diadema mantém campanhas de conscientização, realiza Dias D de vacinação — o mais recente ocorreu em fevereiro — e disponibiliza o imunizante nas 20 UBSs do município.
Aplicação de doses
Os números de doses aplicadas também variam entre os municípios. São Bernardo informou a aplicação de 9.723 doses de vacinas com componente contra o sarampo desde o início do ano. Ribeirão Pires contabilizou 1.194 doses da tríplice viral entre janeiro e julho, Diadema aplicou 1.640 doses e Santo André registrou 1.137 aplicações até 15 de julho.
As prefeituras de São Caetano e Mauá não responderam aos questionamentos da reportagem até o fechamento desta edição.
Doença é altamente contagiosa
O Ministério da Saúde reforça que o sarampo é uma doença altamente contagiosa, transmitida pelo ar ao tossir, espirrar, falar ou respirar. Segundo a pasta, uma pessoa infectada pode transmitir o vírus para até 90% das pessoas próximas que não estejam imunizadas.
Por isso, a orientação é que crianças, adolescentes e adultos verifiquem a caderneta de vacinação e completem o esquema vacinal caso haja doses em atraso.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
