
O ator neozelandês Sam Neill, conhecido mundialmente por interpretar o paleontólogo Alan Grant na franquia Jurassic Park, morreu nesta segunda-feira (13/07), aos 78 anos. Em comunicado, a família informou que a morte foi “repentina e inesperada”.
“Sam estava cercado pela família e morreu com a dignidade que caracterizou toda a sua vida”, afirmou a nota. Em abril, o ator anunciou que seu câncer estava em remissão após se submeter a uma terapia genética.
Neill revelou em sua autobiografia, lançada em 2023, que enfrentava um linfoma não Hodgkin em estágio 3 e que acreditava estar “possivelmente morrendo”. Neste ano, porém, afirmou que estava livre da doença graças a um tratamento que modificou seu sistema imunológico.
Segundo a família, o ator permaneceu sem câncer até sua morte.
“A perda foi repentina e inesperada, mas somos gratos por Sam ter continuado livre do câncer”, diz o comunicado.
De ‘Terror a Bordo’ a ‘Jurassic Park’ e ‘O Piano’
Neill foi um dos muitos atores e diretores que alcançaram fama internacional após a expansão do cinema australiano no fim dos anos 1970, ao lado de nomes como Paul Hogan, Mel Gibson, Geoffrey Rush, Russell Crowe, Jane Campion, Peter Weir e Gillian Armstrong. Sua versatilidade era notável: atuou ao lado de Helena Bonham Carter na comédia Doce Vingança (1998), de Alan Ayckbourn, decepou cenograficamente o dedo de Holly Hunter no drama O Piano (1993) e arrancou os próprios olhos em Enigma do Horizonte (1997). Em A Profecia III – O Conflito Final, interpretou Damien, o Anticristo, e também viveu o cardeal Thomas Wolsey em The Tudors.
O ator chamou a atenção do público internacional pela primeira vez em Minha Carreira Brilhante (1979), que também lançou Judy Davis. Mais tarde, apareceu em Terror a Bordo, de Phillip Noyce, um suspense ambientado no mar e estrelado por Nicole Kidman.
Neill contracenou duas vezes com Meryl Streep: em Plenty – Uma História de Mulher, dirigido por Fred Schepisi, e em Um Grito no Escuro, também sob direção de Schepisi. Recebeu uma indicação ao Emmy por sua atuação na minissérie Merlin (1998) e outra como narrador de Wild New Zealand (2017).
O maior sucesso da carreira veio com Jurassic Park, ao interpretar o paleontólogo Alan Grant. O personagem retornou em Jurassic Park III (2001) e em Jurassic World: Domínio (2022). Em entrevista ao Daily News de Nova York, em 2001, Neill comentou: “Provavelmente é um pouco tarde para aprender essas coisas, mas finalmente sinto que descobri como ser um herói de ação.”
Nascido em 1947, na Irlanda do Norte, Neill mudou-se para a Nova Zelândia aos 7 anos. Batizado Nigel Neill, passou a usar o nome Sam porque havia muitos colegas chamados Nigel em sua escola. Depois da faculdade, protagonizou Sleeping Dogs (1977), primeiro longa-metragem rodado na Nova Zelândia em mais de uma década.
Entre outros trabalhos no cinema, participou de A Caçada ao Outubro Vermelho e À Beira da Loucura, de John Carpenter. Na televisão, interpretou Chester Campbell em Peaky Blinders, Thomas Jefferson na minissérie Sally Hemings: An American Tragedy e o xerife John Bell Tyson na série Invasão, da Apple TV. Em 2024, estrelou a série Apples Never Fall, ao lado de Annette Bening.
Ator era querido na Nova Zelândia
Neill era conhecido na Nova Zelândia pela postura discreta e pelo apego à vida no campo. Nas redes sociais, costumava publicar fotos dos animais de sua fazenda, muitos deles batizados com nomes de celebridades e amigos, como a galinha Laura Dern, o pato Kylie Minogue e a vaca Helena Bonham Carter.
O primeiro-ministro da Nova Zelândia, Christopher Luxon, lamentou a morte do ator e o classificou como “um dos grandes”. “Por mais de cinquenta anos, ele levou as histórias da Nova Zelândia para o mundo e seus talentos ajudaram a transformar nossa indústria cinematográfica no que ela é hoje”, escreveu.
Além da atuação, Neill era produtor de vinhos. Em sua vinícola Two Paddocks, produzia pinot noir e riesling na região de Central Otago. Sua autobiografia, Did I Ever Tell You This?, foi lançada em março de 2023. Ele também recebeu o título de cavaleiro por sua contribuição ao cinema, honraria aprovada pela rainha Elizabeth II.
“Não posso fingir que o último ano não teve seus momentos sombrios. Mas esses momentos realçam a luz e me deixaram grato por cada dia e por todos os meus amigos”, disse ao The Guardian em 2023, ao comentar o tratamento contra o câncer.
Sam Neill deixa quatro filhos e oito netos.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
