
A origem da pizza remonta à Itália, com forte associação à cultura napolitana. Em 2017, a arte do ‘pizzaiuolo napolitano’ foi reconhecida pela Unesco como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade. No Brasil, o prato chegou com os imigrantes italianos e ganhou espaço especialmente em São Paulo, onde se popularizou a partir do século XX e passou a incorporar ingredientes, hábitos e sabores locais, com o dia 10 de julho inteiramente dedicado a ela.
Mas, em meio à popularidade, fica a dúvida: pizza pode ser saudável?
Segundo o Prof. Dr. Durval Ribas Filho, médico nutrólogo e presidente da ABRAN (Associação Brasileira de Nutrologia), a resposta depende menos do nome do prato e mais da composição da refeição. “A pizza não precisa ser tratada como vilã. Uma massa bem preparada, com molho de tomate, proteína de qualidade e vegetais, pode fazer parte de uma alimentação equilibrada. O problema aparece quando há excesso de queijo, embutidos, borda recheada, refrigerantes e álcool – como acompanhamentos – e o consumo muito frequente”, afirma.
“Para quem tem hipertensão, diabetes, colesterol elevado ou está em processo de perda de peso, o ponto central é a estratégia. Comer pizza eventualmente é diferente de transformar a refeição em um padrão semanal. A escolha dos ingredientes e o tamanho da porção também fazem muita diferença”, explica.
O especialista lista os principais cuidados na hora dessa escolha:
– Massas de fermentação natural ou de preparo artesanal tendem a ser melhor toleradas por algumas pessoas, especialmente quando comparadas a versões ultraprocessadas.
– Coberturas com vegetais, como rúcula, tomate, abobrinha, berinjela, cogumelos, brócolis e cebola, ajudam a aumentar fibras e micronutrientes.
– As proteínas como frango, atum e ovos podem tornar a refeição mais interessante do ponto de vista nutricional.
– Atenção aos recheios mais gordurosos e ricos em sódio. Calabresa, bacon, pepperoni, presunto, salame, queijos em excesso e bordas recheadas aumentam a densidade calórica da refeição.
– Quando a ingesta da pizza se soma ao refrigerante, bebida alcoólica e à sobremesa, o consumo total de calorias pode passar rapidamente do planejado.
– Pular refeições ao longo do dia para “compensar” a pizza à noite costuma gerar o efeito contrário: a pessoa come mais rápido, escolhe sabores mais calóricos e perde a percepção de saciedade.
Para muitos brasileiros, pizza é tradição e memória afetiva. O desafio não é tirar esse alimento da mesa, mas entender como ele entra na rotina.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
