As antigas seringas de vidro, medições esporádicas da glicemia e aplicações dolorosas de insulina estão, aos poucos, dando lugar a canetas aplicadoras, sensores que monitoram a glicose 24 horas por dia e medicamentos cada vez mais eficazes no controle do diabetes. Os avanços têm transformado a rotina de quem convive com a doença, mas especialistas alertam que o número de casos continua crescendo, impulsionado principalmente pelo envelhecimento da população e pelo aumento da obesidade.
Em alusão ao Dia Nacional do Diabetes, celebrado em 26 de junho, o endocrinologista e professor do Centro Universitário FMABC, Fernando Valente, explica ao RDtv que, embora o tratamento tenha evoluído significativamente, a prevenção e o diagnóstico precoce continuam sendo fundamentais.

“O diabetes tem avançado cada vez mais porque estamos vendo um crescimento da obesidade e um envelhecimento da população”, afirma. Ainda de acordo com o especialista, cerca de 10% da população convive com diabetes. A doença é dividida em diferentes tipos, sendo o tipo 2 o mais frequente, seguido pelo tipo 1.
O diabetes tipo 1 é uma doença autoimune, na qual o próprio sistema imunológico destrói as células do pâncreas responsáveis pela produção de insulina, hormônio que permite a entrada da glicose nas células. Já o tipo 2, responsável pela maior parte dos casos, está diretamente relacionado à resistência à insulina, condição frequentemente associada ao excesso de gordura abdominal, sedentarismo e obesidade.
Embora o tipo 2 seja mais frequente em adultos, Fernando Valente alerta que a doença tem aparecido cada vez mais cedo. “O tipo 2 dava mais em adultos, mas agora também está em crianças e adolescentes porque elas estão desenvolvendo obesidade. Já o tipo 1 costuma surgir na infância e adolescência, mas pode aparecer em qualquer fase da vida”, explica.
O endocrinologista esclarece que ambos os tipos possuem influência genética, porém o diabetes tipo 2 está fortemente relacionado ao estilo de vida. Ainda assim, os idosos seguem sendo a faixa etária com maior incidência da doença.
Avanços no tratamento
Se antes o controle do diabetes era mais limitado, hoje os pacientes contam com tecnologias que facilitam o acompanhamento diário da glicemia e tornam o tratamento mais preciso.
Entre os principais avanços estão as insulinas de ação prolongada e rápida, as canetas aplicadoras, que oferecem mais praticidade e precisão na administração do medicamento, além dos sensores contínuos de glicose. “A pessoa baixa um aplicativo no celular e o sensor mede a glicose continuamente, enviando as informações em tempo real. Assim, ela consegue saber durante todo o dia se a glicemia está alta ou baixa”, explica.
Apesar da tecnologia, o médico reforça que nenhum dispositivo substitui o acompanhamento especializado. “O uso correto dessas ferramentas depende de orientação médica para que o tratamento seja realmente eficaz”, afirma.
Não existe cura
Fernando Valente ressalta que o diabetes pode entrar em remissão, especialmente no tipo 2, quando há perda de peso, alimentação equilibrada, prática de atividade física e tratamento adequado. No entanto, ele faz um alerta sobre falsas promessas divulgadas na internet.
“Muitas notícias falsas prometem a cura do diabetes, seja do tipo 1 ou do tipo 2. Isso não existe. As pesquisas evoluem todos os anos, mas ainda não há cura”, diz. Segundo ele, quando a doença está controlada, o paciente pode viver normalmente, sem desenvolver complicações crônicas ou redução da expectativa de vida.
Quem deve fazer exames?
O especialista recomenda que pessoas com fatores de risco procurem avaliação médica regularmente. “A principal recomendação é realizar exames de sangue e investigar a doença antes do aparecimento das complicações”.
O profissional destaca, ainda, que apenas a idade já merece atenção. “Todo mundo com 35 anos ou mais deve fazer pelo menos uma avaliação de glicemia em jejum e hemoglobina glicada, mesmo que tenha uma alimentação saudável, pratique exercícios e mantenha o peso adequado”, comenta.
Para o endocrinologista, a combinação entre hábitos saudáveis, acompanhamento médico e os avanços tecnológicos representa o melhor caminho para controlar uma doença que cresce a cada ano, mas que hoje pode ser tratada com muito mais qualidade de vida do que no passado.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
