ABC - quinta-feira , 25 de junho de 2026

Chefe da AIEA diz que inspeções em instalações nucleares do Irã ocorrerão; Teerã contesta

O chefe da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi, afirmou nesta quarta-feira (24/06), que inspeções em instalações de enriquecimento nuclear do Irã devem ocorrer como parte de um entendimento em negociação entre Estados Unidos e Teerã.

A declaração foi contestada por um diplomata iraniano, que disse que qualquer acesso aos locais só poderá ocorrer após um acordo final, o que evidencia divergências nas tratativas.

Grossi afirmou que as inspeções são um elemento central do entendimento em discussão e que a AIEA terá acesso às instalações nucleares iranianas, ainda que sem prazo definido. Segundo ele, um memorando assinado entre as partes prevê que atividades nucleares relacionadas a material nuclear sejam supervisionadas pela agência.

“Isso vai acontecer”, afirmou o diretor da AIEA, e disse que o cronograma — “em dois dias, uma semana ou dez dias” — não altera o compromisso de inspeção.

O Irã, porém, rejeitou a afirmação. O vice-ministro das Relações Exteriores, Kazem Gharibabadi, disse que o país não discutiu o tema com Grossi em encontros recentes e afirmou que o acesso aos locais dependerá de um acordo final e da suspensão de sanções.

“Essas questões serão analisadas e decididas somente no âmbito de um acordo final”, escreveu em publicação na rede X.

As declarações expõem a falta de consenso sobre o acesso da AIEA a instalações onde o Irã enriquece urânio. Após a guerra de 12 dias em 2025 com Israel, Teerã restringiu o acesso da agência a esses locais, limitando inspeções a outras unidades nucleares.

Sem acesso às instalações de enriquecimento, a AIEA afirma não conseguir verificar plenamente o estoque de urânio iraniano nem o funcionamento de centrífugas usadas no processo.

O impasse ocorre em meio a negociações entre Estados Unidos e Irã mediadas por países terceiros, que incluem a possibilidade de redução do estoque de urânio enriquecido iraniano em troca de alívio de sanções.

As conversas seguem paralelamente a tensões regionais no Oriente Médio, com novos episódios de violência envolvendo Israel, Hezbollah e interesses iranianos no Líbano, além de esforços diplomáticos conduzidos por Washington e mediadores internacionais para manter o diálogo em andamento.

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