O Núcleo Especializado em Aprendizagem do Centro Universitário Faculdade de Medicina do ABC (NEA-FMABC) estabeleceu uma parceria com o Centro de Especialização em Fonoaudiologia Clínica de São Paulo (CEFAC-SP) para estabelecer um trabalho de acompanhamento e ajuda a crianças com diagnóstico de dislexia. 20 pessoas são acompanhadas em Santo André e São Paulo, e recebem o tratamento adequado para superar as dificuldades estabelecidas pelo transtorno.
O projeto começou em 2019, na Capital. 10 crianças começaram a receber a chamada intervenção. O fonoaudiólogo e coordenador do projeto Intervenção-Dislexia, Jaime Zorzi, foi procurado por uma pessoa que tinha dois filhos diagnosticados com o transtorno e que queria financiar alguma ação para ajudar um grupo de crianças em situação de vulnerabilidade.
“Foi um programa que durou dois anos, e os resultados foram realmente bastante significativos, a maior parte teve, alguns até nos surpreenderam, e nos surpreendem até hoje, nos escrevem contando que estão bem, que estão, enfim, aí se colocando profissionalmente, enfim, boas notícias nos trazem. E a grande dificuldade nossa, sabe que foi formar a turma? E agora, passou-se um tempo, nós demos alta para a criançada, eu comecei a procurar novas fontes de encaminhamento, e tive muita dificuldade, mas muita dificuldade mesmo de receber as crianças.”, diz Zorzi ao RDtv.
Em 2025 foi estabelecida a parceria que ampliou o número de atendidos. Em Santo André, uma sala do Campus da FMABC é usada uma vez por semana para a intervenção que dura 120 minutos. Os atendidos recebem ajuda de custo para a alimentação.

“Essa criançada, eles conseguem começar a conseguir perguntar, eles conseguem ter coragem de tirar dúvidas, que eles relatam ter muita dificuldade de fazer isso em sala de aula, pelo coletivo e pela vergonha. Então, o primeiro tabu que vai ocorrendo é que a gente vai empoderando essa criançada a poder errar e poder construir em cima do erro, e poder perguntar quantas vezes forem necessárias.”, inicia Alessandra Caturani, coordenadora do NEA-FMABC e do Movimento Dislexia TDAH GABCD-SP, também ao RDtv.
“Então, a gente percebeu que eles foram se soltando na comunicação, houve um engajamento de ajuda também entre eles, um passa a ajudar o outro, e nós temos talentos ali dentro, nós temos talentos em exatas, nós temos talentos em artes, nós temos talentos em narrativas de ideias, nós temos crianças ali preciosas, que tem a dificuldade, que a dislexia traz, mas que a hora que a gente potencializa, os outros talentos começam a emergir.”, segue a especialista.
Além da ajuda, o projeto visa também estabelecer estudos que possam apontar mecanismos que possam ajudar outras crianças que contam com o mesmo tipo de transtorno. Um dos pontos de preocupação é a falta de planejamento e preparo na Educação para conseguir entender as suspeitas sobre a dislexia. As dificuldades do aprendizado na fase de alfabetização podem ser explicadas a partir de questões ligadas a saúde da criança. Tanto Alessandra quanto Jaime apontam a necessidade de investimentos que possam auxiliar nessa fase e reduzir o diagnóstico tardio.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
