
Quem assiste à Copa pela televisão pode acreditar que há Mbappé e outros 21 clones do atacante sobre o gramado. Ele é caçado pelas câmeras dentro de campo. Um passe, uma reação, um gol, um drible, seja dele ou de outro jogador… Tudo é motivo para focalizá-lo. Quem acompanha do Estádio Lincoln Financial Field, na Filadélfia, enfrenta tempestade e mais de duas horas de interrupção para não perder um movimento do craque. O Iraque é coadjuvante de um espetáculo e vítima de um goleador nato, que construiu, com dois tentos, a vitória da França por 3 a 0 e garantiu a classificação rumo à segunda fase da Copa do Mundo 2026.
A Copa do Mundo transforma Mbappé. O craque do Real Madrid ganha ferocidade com a camisa da seleção francesa. Uma legião de craques o segue em campo. Como se se tratasse de um líder messiânico. Mesmo com a qualidade de Olise, Dembélé e outras estrelas, Kylian brilha mais.
Mbappé se mostra insaciável com a Trionda sob seu domínio. A França, a seus pés, é ditada por seu ritmo. Seja quem for o adversário. Seu futuro em Copas demonstra ser ainda mais vitorioso e capaz de estraçalhar com quaisquer recordes. Além do título, ele briga, palmo a palmo – mesmo que não se encontrem em campo -, com Lionel Messi pelo posto de maior artilheiro da história das Copas. Por enquanto, o argentino leva a melhor: 18 a 16. Por enquanto.
O Iraque ficou encurralado, destinado a ser um obstáculo – ou um trampolim – para Mbappé alcançar Lionel Messi. O francês é destro, mas mostrou não ter perna ruim para levar a alegria aos torcedores da bicampeã mundial. Em um chute de canhota, de fora da área, abriu o placar aos 14 minutos.
Do meio para o final do primeiro tempo, surgiu uma concorrente para Mbappé. Os olhares passaram a se voltar para o céu. Horas antes de o jogo começar, circulavam informações sobre a tendência de paralisação do duelo por causa da incidência de raios na região da maior cidade da Pensilvânia. Um protocolo que envolve os três países-sede da Copa estabelece que, se houver descargas elétricas nas proximidades do estádio, o jogo deve ser interrompido.
Raios e trovões tardaram, mas a chuva não. Um temporal se armou. Os torcedores sacaram suas capas para se protegerem da água e continuarem admirando o camisa 10 da França.
Ao soar o apito de encerramento da etapa inicial, às 17h48 (do horário local), os telões do estádio mostraram pedidos para que os presentes no estádio se abrigassem durante o intervalo. Mais tarde, a retomada da partida foi oficialmente postergada.
A cada minuto, a chuva foi piorando. Um véu cobria as arquibancadas tamanha era a tempestade. Quando o aguaceiro foi embora, os torcedores retomaram seus postos nas arquibancadas. Os jogadores demoraram mais.
A longa paralisação fez com que a Fifa evitasse uma nova interrupção para a reidratação dos jogadores. Tais pausas são controversas e despertam críticas e elogios dos envolvidos com a Copa.
Coube aos operadores de som do estádios entreter o público. Livin’ on a Prayer, de Bon Jovi, tem embalado o ânimo dos fãs, que soltam suas vozes e contaram até com o coro do técnico Graham Arnold, do Iraque.
O jogo só recomeçou às 20h01 (locais). A longa pausa não inverteu papeis no duelo e mostrou um repertório solidário pouco visto no hall de talentos de Mbappé. O francês ajudou na defesa, tentou servir companheiros, mas acabou sendo servido novamente. E com uma bela ajuda dos iraquianos.
O zagueiro Tahseen cobrou o tiro de meta tocando a bola em direção ao goleiro Basil. O passe foi muito forte e escapou, sobrando para Dembélé, que tocou para Mbappé, com gol vazio, marcar o segundo, aos 9.
A fortuna francesa em contar com uma legião de talentos se explica pela capacidade de articulação entre meio-campo e ataque de modo a armar jogadas imparáveis. Foi assim com Olise, que encontrou Dembélé na profundidade e fez o melhor jogador do mundo também balançar a rede, aos 21.
Não satisfeito com os dois gols, Mbappé queria mais jogo. Reclamou de um possível pênalti, descalibrou o pé em duas finalizações, parou no goleiro em outra. Provou que é humano antes de deixar o campo ovacionado.
O triunfo deixa a seleção francesa com seis pontos, sem poder ser alcançada por Senegal ou Iraque, fato que carimba o passaporte rumo à próxima fase. Resta saber se na primeira ou segunda posição do Grupo I.
Mesmo já classificados, os franceses têm pela frente o duelo mais aguardado da chave diante da Noruega na próxima sexta-feira, às 18h (de Brasília), em Foxborough. O Iraque no mesmo dia e horário contra Senegal, em Toronto, em busca da classificação.
FICHA TÉCNICA
FRANÇA 3 X 0 IRAQUE
FRANÇA – Maignan; Koundé (Gusto), Upamecano, Saliba e Digne; Koné e Rabiot; Olise (Cherki), Dembélé (Doué) e Barcola (Akliouche); Mbappé (Thuram). Técnico: Didier Deschamps.
IRAQUE – Basil; Hussein Ali, Tahseen (Sulaka), Hashem e Doski; Ismail (Amyn), Al-Ammari (Sher), Bayesh (Farji) e Iqbal; Aymen Hussein (Al-Hamadi) e Qasem. Técnico: Graham Arnold.
GOLS – Mbappé, aos 14 minutos do 1º tempo e aos 9 minutos do 2º tempo; Dembélé, aos 21 minutos do 2º tempo.
CARTÕES AMARELOS – Al-Ammari.
ÁRBITRO – Drew Fischer (Canadá).
PÚBLICO – 68.324 torcedores.
LOCAL – Lincoln Financial Field, na Filadélfia (EUA).
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
