
O serviço de coleta de óleo de cozinha usado em São Bernardo será ampliado para toda a rede municipal de Educação. Isso porque dezenas de unidades irão se juntar às escolas já integradas à lista de pontos de coleta espalhados pela cidade.
A expansão foi definida nesta quarta-feira (17/06), na EMEB Cora Coralina, no parque Selecta, durante ação com a presença do prefeito Marcelo Lima para formalizar novo acordo de cooperação com o Instituto Viva Terra, responsável pela coleta, acondicionamento, transporte e destinação do óleo coletado no município.
A medida terá nova formatação a partir do que foi acertado entre o Executivo e o representante do instituto, Eduardo Maki, o que resultará na atualização do contrato de parceria que remonta a 2012 e é renovado a cada dois anos. Conforme o que foi acordado, a Prefeitura se compromete a aumentar o volume coletado de óleo de cozinha usado e o instituto passa a fornecer produtos de limpeza produzidos a partir do óleo recolhido à administração municipal, refletindo em economia para os cofres públicos.
À frente do projeto estão as secretarias de Meio Ambiente, Sustentabilidade e Proteção Animal e a de Educação, que, em breve, reunirá gestores das unidades da rede municipal para tratar sobre o programa, que passará a ter ponto de coleta em todas as escolas da rede e também é usado como ferramenta para educação ambiental. Para que o programa ganhe ainda mais escala, o prefeito Marcelo Lima adiantou que todas as secretarias deverão ser engajadas no processo, assim como pediu a participação dos profissionais da educação e de pais de alunos na divulgação do programa.
Material revertido
“Precisamos da ajuda de vocês e dos moradores de São Bernardo para ampliar a coleta de óleo de cozinha usado. Nós vamos ter pontos de coleta em todas as escolas municipais, e o óleo recolhido vai se tornar detergente, sabão em pedra e também lava roupas e lava piso. E todo esse óleo que vamos entregar ao instituto será revertido em material de limpeza, que eles fabricam com esse óleo, para a administração. Então, o valor que a Prefeitura gasta na compra desse material vai ser revertido para a Educação. Resumindo: o óleo será reciclado, vai virar mais recurso para a educação e ajudar a cuidar do meio ambiente, da sustentabilidade da nossa cidade”, frisou o prefeito Marcelo Lima.
O secretário municipal de Meio Ambiente, Ronaldo Perrucci, reforça que estava nos planos da parceria ampliar o alcance da coleta. “Hoje surgiu a ideia de que parte do óleo que a gente arrecadar daqui para frente vai retornar em material de limpeza para a Prefeitura. Ganha o meio ambiente, a cidade, a Educação e a economia circular. Uma ideia que faz uma cidade cada vez melhor”, pontuou.
Poluente
Vale destacar que o descarte incorreto de óleo de cozinha é altamente poluente e apenas um litro pode, por exemplo, contaminar até 25 mil litros de água, já que suas substâncias não se dissolvem na água. Assim, quando chega a rios e córregos causa descontrole do oxigênio e, consequentemente, a morte de peixes e de outras espécies. Além disso, impermeabiliza e degrada o solo, bloqueia as tubulações de esgoto (quando jogado na pia da cozinha) e ameaça a fauna e a flora devido à sua toxicidade e capacidade de impedir a oxigenação do meio ambiente.
O encontro reuniu também a secretária adjunta de Educação, Vanderleia Barbosa dos Santos, servidores da pasta e de Meio Ambiente, pais, alunos e profissionais da escola. Representante do Instituto Viva Terra, Eduardo Maki salientou que o novo modelo é “desafiador e ousado”, na medida em que deve envolver secretarias municipais, entidades da sociedade civil e empresas.
“Acredito que a gente vai ter primeiro um ganho ambiental muito grande, pois cada litro de óleo pode contaminar até 25 mil litros de água, e também um ganho importante no enfrentamento às mudanças climáticas. Afinal, cada litro de óleo que vai para o ralo gera até três quilos de CO₂ (apontado como principal responsável pelo aquecimento da Terra), vamos também reciclar plástico, porque o óleo vem em embalagem plástica. E a gente quer focar muito na educação ambiental, falando sobre a importância da reciclagem para a sustentabilidade, da economia circular para as crianças, assim como capacitar professores para tratar desses temas”, afirmou Maki.
A parceria conta com pontos de coleta espalhados pelo município, em escolas, restaurantes, lanchonetes, bares e unidades de saúde, entre outros espaços. Nestes locais, a população entrega o óleo armazenado em garrafas PET e recebe, em troca, sabão produzido a partir do próprio óleo reciclado, um modelo de economia circular aplicado à rotina cotidiana. Apenas nos últimos 12 meses, os moradores destinaram 51 mil litros de óleo para reaproveitamento.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
