
Os parques estaduais urbanos administrados pela Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil) passarão a integrar o Programa Muralha Paulista, com reforço das ações de segurança por meio da integração de sistemas de monitoramento, compartilhamento de informações e uso de tecnologias inteligentes.
O Parque Bruno Covas será a primeira unidade contemplada. Nesta quarta-feira (10/06), o governo do Estado de São Paulo e a Empresa Metropolitana de Águas e Energia (Emae) assinaram um convênio para reforçar a segurança e recuperar as margens do Rio Pinheiros nos próximos meses.
Com investimento de R$ 24 milhões, compartilhado entre os setores público e privado, o projeto prevê a instalação de 22 câmeras inteligentes distribuídas em 19 pontos do Parque Bruno Covas, além de cabines de monitoramento, postes, sinalização, gradis, pavimentação e plantio de árvores.
A primeira fase será implementada em até 150 dias, com conclusão prevista para o início de novembro. O trecho abrange cerca de 12 quilômetros, principalmente na margem esquerda, onde está localizado o parque. O convênio prevê a continuidade das ações em uma segunda fase, com conclusão até março de 2027.
“O foco é aumentar a segurança daquela área, no sentido amplo: ter iluminação para permitir que as pessoas possam correr, andar de bicicleta à noite, sistema de câmeras inteligente, mas também divisórias entre a ciclovia e a Marginal, a ciclovia e o próprio rio”, disse o diretor-presidente da Emae, Rafael Strauch, a reportagem.
Ciclistas e frequentadores do Parque Linear Bruno Covas, na zona sul da capital paulista, convivem com insegurança e casos de roubo. As reivindicações por mais estrutura, guaritas e câmeras existem desde a abertura do parque, em 2021.
Segundo Strauch, a ideia é ampliar futuramente o convênio para os 24 quilômetros de extensão das margens do rio, que atualmente possuem trechos concedidos a diferentes empresas. Essa etapa, porém, deverá ser construída posteriormente.
Gerida pela Sabesp, a Emae venceu em maio a disputa pela permissão de uso de parte do Parque Linear Bruno Covas. A companhia, que assume oficialmente a operação da área no fim de junho, passa a ser responsável por tarefas ligadas à manutenção, zeladoria e segurança do local, além da possibilidade de exploração comercial por quatro anos.
O que compete ao governo estadual?
No convênio, a administração estadual ficará responsável principalmente pela implantação de guarda-corpo entre a ciclovia e a pista e pela operação do sistema de câmeras inteligentes integradas ao Programa Muralha Paulista.
A implantação das câmeras tem conclusão prevista para 60 dias após a assinatura do contrato.
Com tecnologia de monitoramento móvel e recursos avançados de análise de imagens, os equipamentos permitirão o compartilhamento de imagens, alertas e informações de interesse da segurança pública, além do acompanhamento dos fluxos de circulação e do monitoramento dinâmico de áreas consideradas mais sensíveis.
Além do Parque Linear Bruno Covas, os demais parques estaduais urbanos passarão a integrar o programa, segundo a Semil.
As melhorias nas margens do Pinheiros fazem parte do programa IntegraTietê, iniciativa de revitalização de rios do Estado iniciada em 2023 pela gestão de Tarcísio de Freitas (Republicanos).
A administração estadual tem a despoluição dos rios, problema crônico que se arrasta há décadas na Região Metropolitana de São Paulo, como uma de suas principais bandeiras ambientais. Além da privatização da Sabesp e do plano para levar saneamento a áreas rurais e de ocupação, o governo investe na retirada de resíduos e no desassoreamento dos leitos d’água.
“A gente consegue ver uma evolução positiva em relação à carga orgânica total (COT), muito ligada ao esgoto. A gente vê que os investimentos já fazem a diferença”, afirma a secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, Natália Resende. Segundo ela, a melhoria deve se acentuar com a aproximação da meta de universalização do saneamento no Estado pela Sabesp, prevista para 2029.
Dos quatro pontos de monitoramento do Rio Pinheiros pela Cetesb, ela aponta redução da COT em três: Barragem Pedreira, Ponte do Socorro e Usina São Paulo.
A maior preocupação está na região do Retiro, onde um problema nas bombas da Estação Elevatória de Pinheiros, gerida pela Sabesp, provocou no ano passado o despejo no rio do esgoto de 3,8 milhões de moradores da região, transportado pela estrutura até a Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) de Barueri.
Ainda assim, segundo levantamento divulgado pela ONG SOS Mata Atlântica em março, o Rio Pinheiros concentrou os pontos com pior qualidade da água no Estado, classificados como péssimos. Gustavo Veronesi, coordenador da causa Água Limpa na Fundação, vê estagnação nos índices de qualidade do rio, mas avalia como positivo o investimento na melhoria das margens.
“Quanto mais pessoas estiverem na beira do rio, sentindo o rio sujo, mais elas vão lutar pela despoluição”, disse.
Cronograma do projeto
1ª fase (até 1º de novembro)
Margem leste (entre o rio e os trilhos da CPTM)
-Trecho da Ponte Estaiada ao Monotrilho: instalação de 120 postes;
-Trecho do Monotrilho à saída Miguel Yunes: 10,3 km de sinalização horizontal (pintura) e uma cabine de policiamento e monitoramento;
-Trecho da Ponte Cidade Universitária à Ciclopassarela Friedrich Bayer: plantio de 2.000 mudas de espécies nativas em até 60 dias, com cinco manutenções bimestrais.
Margem oeste (onde está situado o Parque Bruno Covas)
Trecho da Ponte Cidade Jardim à Sede do Pomar: instalação de 8,2 km de gradil e uma cabine de policiamento e monitoramento;
-Trecho da Sede do Pomar à Ciclopassarela Friedrich Bayer: 1,6 km de pavimentação, sinalização horizontal (pintura) e gradil; instalação de 80 placas de sinalização vertical, 80 postes, 797 unidades de guarda-corpo e uma cabine de monitoramento e policiamento.
A segunda fase, com início previsto para novembro, concentrará as ações no trecho da margem oeste entre a Ciclopassarela Friedrich Bayer e a saída do Largo do Socorro, mais ao sul.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
