
Com a aproximação do inverno e a queda das temperaturas, unidades de saúde de todo o país já registram aumento nos casos de doenças respiratórias, especialmente de Influenza. O cenário preocupa especialistas diante da baixa adesão à vacinação contra a gripe, cuja cobertura ainda está distante da meta de 90% estabelecida pelo Ministério da Saúde para os grupos prioritários. Até o momento, pouco mais de 30 milhões de doses foram aplicadas em todo o Brasil.
Segundo especialistas da Rede Mater Dei de Saúde, o aumento da circulação do vírus está mais relacionado às mudanças de comportamento típicas do período frio do que às baixas temperaturas em si. Durante o outono e o inverno, as pessoas tendem a permanecer por mais tempo em ambientes fechados, com pouca ventilação e maior concentração de pessoas, o que favorece a transmissão de vírus respiratórios.
“O hábito de permanecer mais tempo em locais fechados, somado ao ressecamento natural das vias aéreas durante o outono e o inverno, cria condições ideais para a circulação de vírus respiratórios”, explica o infectologista Vitor Castro Lima.
O especialista alerta que a falsa percepção de que a gripe provoca apenas sintomas leves acaba afastando parte da população dos postos de vacinação. Atualmente, a campanha de imunização do SUS está aberta para todas as pessoas com mais de seis meses de idade.
“A vacina é a ferramenta mais eficaz que temos para evitar casos, complicações graves, hospitalizações e mortes provocadas pela gripe. Quando os índices vacinais ficam baixos, toda a sociedade perde a barreira de proteção coletiva, abrindo caminho para que o vírus circule com mais força e gere sobrecarga nos sistemas de saúde”, afirma.
A preocupação é ainda maior entre idosos, crianças, gestantes, pessoas com doenças crônicas e pacientes imunossuprimidos, que apresentam maior risco de desenvolver complicações graves. Nesses grupos, a gripe pode evoluir para quadros de pneumonia, insuficiência respiratória e outras condições que exigem internação hospitalar.
“O paciente imunossuprimido não tem as defesas adequadas para combater o vírus com rapidez. Por isso, a rede de apoio familiar e as pessoas que convivem com esses indivíduos também precisam estar devidamente vacinadas. Proteger quem está ao redor é uma forma indireta de blindar o paciente mais vulnerável”, orienta o médico.
Além da vacinação, especialistas recomendam medidas preventivas que ajudam a reduzir a transmissão de doenças respiratórias, como higienizar as mãos com frequência, cobrir nariz e boca ao tossir ou espirrar e manter os ambientes bem ventilados. Em caso de sintomas como febre alta, dores no corpo, tosse seca e cansaço intenso, a orientação é procurar atendimento médico e evitar a automedicação.
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