O aumento do número de fumantes no Brasil reacende os debates sobre o tabagismo, ainda mais com o narguile e os cigarros eletrônicos, como vape e pod. Para ajudar as pessoas que pretendem parar de fumar, a FMABC (Faculdade de Medicina do ABC) mantém há 11 anos um grupo multidisciplinar de acompanhamento com especialistas, que auxiliam os fumantes a deixarem o vício.

A psicóloga do Ambulatório de Reabilitação Pulmonar da FMABC, Cecília Melo Rosa Tavares Calil, afirma que fatores como a pandemia da covid-19 e os cigarros eletrônicos aumentaram o índice de fumantes.
“A pandemia gerou um aumento do vício em cigarro, bebidas e drogas ilícitas, eu percebo esse aumento muito ligado também à difusão dos cigarros eletrônicos, o vape e o pod, e também o aumento da prática do narguile, principalmente entre os jovens”, relata.
Uma pesquisa feita pelo Lenad (Levantamento Nacional de Álcool e Drogas) confirma o ponto de vista da psicóloga e revela que atualmente 15,5% da população brasileira usa nicotina, desses, 9,9% fumam cigarro tradicional, 3,7% usam dispositivos eletrônicos, e 1,9% fazem uso de ambos.
O cigarro eletrônico é vendido de maneira mais atrativa para o público, com diferentes sabores e essências, mas isso é uma estratégia das empresas para vender o produto. “Muitas vezes o jovem começa esse uso através do cigarro eletrônico ou do narguilé que tem o gosto disfarçado por conta da essências, mas que acaba viciando esse jovem”, comenta a psicóloga.
Além disso, o cigarro eletrônico possui uma quantidade de nicotina maior, o que dificulta quando a pessoa tenta parar de usar, e, pode causar doenças pulmonares, câncer e problemas cardiovasculares. “Ele causa repercussões na questão pulmonar, muito mais cedo do que um cigarro tradicional, então uma pessoa que faz o uso de cigarro tradicional com seus 14 ou 15 anos, vai começar a ter repercussões na meia idade ou até na terceira idade. Um jovem que começa a fazer o uso do cigarro eletrônico, tem questões pulmonares antes dos 30 anos”, afirma Cecília Melo.
Outro meio conhecido é o cigarro de tabaco, que também traz malefícios à saúde e equivalem a, mais ou menos, 10 cigarros normais. “O que acontece é que ele tem menos produtos adicionais… o tabaco puro, ele não tem tantas substâncias como o tradicional, mas ele causa um grau de dependência bem importante”, relata a psicóloga.
“Muitas vezes o jovem começa esse uso através do cigarro eletrônico ou do narguilé que tem o gosto disfarçado por conta da essências, mas que acaba viciando esse jovem”, comenta a psicóloga.
Diversas faixas etárias
O Ambulatório de Reabilitação Pulmonar da FMABC oferece um tratamento em grupo para ajudar as pessoas a parar de fumar. A maioria dos pacientes tem mais de 50 anos, apesar disso, o grupo possui integrantes de diversas faixa etárias. O trabalho dura seis meses e conta com duas fisioterapeutas, uma farmacologista e uma psicóloga.
O projeto também utiliza ferramentas como um antidepressivo, adesivo e a goma de nicotina. “A gente fala que ela é complementar ao tratamento, a gente sabe que é uma parte importante também porque tratando de uma dependência química a gente tem que olhar dessa forma, a parte medicamentosa é feita através de um antidepressivo e o uso de adesivos de reposição de nicotina e a gente também tem a goma”, relata.
O tratamento serve para todos, não sendo necessário ser um paciente da faculdade. Vale ressaltar que a participação é gratuita e que os medicamentos vêm do Ministério da Saúde. Para participar, o interessado deve entrar em contato através do Instagram do projeto.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
