
O Memorial do Renascimento, uma praça no Centro de Ribeirão Pires construída em 2022 para homenagear os mortos pela covid-19 e os profissionais de saúde, já não existe mais. Nos últimos dias, as estruturas que restavam da praça, que custou R$ 290 mil aos cofres públicos, foram removidos. A Prefeitura vai passar uma via pelo local, dentro do projeto de reformas que realiza na região Central. Além do custo do memorial que se perde com o seu fim, moradores criticam as mudanças. Mas outros também questionam a necessidade da homenagem em local público.
Vagner Cipriano de Alencar diz que falta planejamento e por isso avalia que o dinheiro público é mal gasto. “Tudo que é feito nessa cidade não tem consulta de opinião da população. Foram gastos R$ 300 mil no memorial que se resumiu a uma praça com alguns bancos, luminárias e, na época da entrega, até umas esculturas em formato de borboletas. Não demorou um ano. Já estava sem as borboletas, as lâmpadas apagadas e o memorial se resumiu a banco de praça. Agora a prefeitura de Ribeirão Pires está gastando R$ 2 milhões para fazer umas intervenções no Centro, que para mim não fazem sentido algum”, critica.
Segundo Alencar, o verdadeiro memorial da covid-19 está nos itinerários do transporte público que tiveram redução de coletivos na época mais dura da pandemia, com restrições de circulação, e, segundo ele, não voltaram mais ao normal. “Acabar com o calçadão da Rua do Comércio e fazer a rua Euclides da Cunha ser de duplo sentido, é só mais um exemplo de projeto banal. Mesmo que nesse caso tenha vindo através de verba parlamentar, poderia muito bem estar indo para bairros periféricos ou investindo no transporte público que é mal avaliado e, esse sim, ainda com horários da covid-19. Acabaram com o memorial da covid-19, mas a memória segue viva toda vez que alguém precisa usar o transporte público”, aponta.
Dayana de Souza Lelis Matos, outra moradora, também não concorda com desfazer o que foi construído com dinheiro público. “Infelizmente é normal ver esse tipo de atitude dos governantes quando se trata de obras de gestores diferentes. Agora em que o próprio governo destrói chega até ser cômico, desrespeito à memória das pessoas e dos familiares que viram aquela obra como um apoio à dor em um momento tão cruel. Sou contra a essas obras a toque de caixa. Entendo que é algo que o Ministério Público deveria intervir imediatamente”, sugere.
Samantha Lira também criticou a destruição da praça, prometida para ser um local de contemplação e para celebrar a memória dos que faleceram pelo novo coronavírus. “Se o memorial foi uma homenagem para aqueles que perderam a vida pela covid, foi sim, mas poderiam ter investido mais, na saúde, por exemplo. Mas fazem memorial, gastam R$ 290 mil para fazer e agora quebram tudo, gastam mais dinheiro para fazer outra coisa. Então acho que a prefeitura gasta muito dinheiro à toa. Poderia ter investido em outras áreas, principalmente no atendimento às crianças atípicas, que em Ribeirão Pires não tem terapias”, diz a moradora que é mãe atípica.

Cíntia Luciene não concorda com o gasto do passado no memorial. “A memória dos entes tem que estar com a família, tem que arrumar sim a nossa cidade eu também tenho entes queridos que faleceram de covid, mas não acho que tem que ter um lugar público para lembrar dos mortos”, diz.
Lourdes Carlos Siqueira também achava desnecessário o memorial, mas critica a sua destruição para fazer outra obra. “Também acho que as memórias dos falecidos devem ficar com familiares e amigos ,o problema é que o prefeito Clóvis Volpi, para aparecer e fazer campanha para o filho, gastou quase R$ 300 mil fazendo espaço, mexeu com o emocional das pessoas dizendo que era a homenagem em memória aos mortos pela covid, mas não dá para desrespeitar os munícipes desse jeito, nosso dinheiro não é capim”, opina.
Procurada para comentar sobre o projeto para o local onde havia o memorial, a Prefeitura de Ribeirão Pires não respondeu até o fechamento desta reportagem.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
