
O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, participou nesta sexta-feira (17/4) do evento “Setor Produtivo, Institutos Federais e o futuro da qualificação profissional no ABC”. A atividade ocorreu no Consórcio ABC e na Agência de Desenvolvimento ABC, com representantes do setor produtivo, instituições de ensino e poder público para discutir os desafios e caminhos da formação profissional na região.
Durante o evento, Luiz Marinho destacou a importância da integração entre governos, empresas e instituições de ensino com o objetivo de preparar trabalhadores para as novas demandas do mercado. “Esse debate de qualificação profissional tem a ver com uma série de desafios que a economia brasileira enfrenta. Estamos trabalhando bastante para proteger a nossa economia, nossa indústria e nossas riquezas naturais, além de nossos trabalhadores e trabalhadoras”, afirmou o ministro.
Estiveram presentes o presidente do Consórcio ABC, Guto Volpi (PL); o presidente da Agência de Desenvolvimento Econômico Grande ABC, Aroaldo Silva; o prefeito de Mauá, Marcelo Oliveira (PT); a vice-prefeita de Santo André, Silvana Medeiros (Avante); além de empresários, representantes sindicais, gestores públicos e dirigentes educacionais.
Fim da jornada 6×1
Luiz Marinho também foi questionado a respeito da principal pauta do governo Lula (PT) no momento: o fim da escala 6×1. O governo federal encaminhou ao Congresso Nacional um projeto de lei que propõe o fim da tradicional jornada de trabalho nesse modelo, em que o trabalhador atua por seis dias consecutivos e descansa apenas um. A proposta surge em meio a um debate crescente sobre saúde mental, qualidade de vida e produtividade no ambiente profissional.
“O debate sobre o fim do modelo 6×1 não tem nada a ver com debate eleitoral. Ele nasce da necessidade do Brasil, da classe trabalhadora e das empresas. Cada vez mais vemos empresas que adotaram o modelo 5×2 e tiveram resultados imediatos, como a queda nas faltas ao trabalho e o aumento da produtividade, entre outros fatores”, defendeu Marinho.
Especialistas apontam que o modelo atual, ainda muito presente em setores como comércio e serviços, pode gerar desgaste físico e emocional ao longo do tempo. Com a mudança, o objetivo é alinhar o Brasil a práticas adotadas em outros países que buscam maior equilíbrio entre vida pessoal e trabalho. A iniciativa também responde a pressões de movimentos sociais e sindicatos. O texto agora aguarda análise dos parlamentares.
De acordo com o projeto, a ideia central é incentivar jornadas mais equilibradas, como o modelo 5×2, no qual o trabalhador tem dois dias consecutivos de descanso semanal. A proposta não impede acordos coletivos específicos, mas estabelece diretrizes para reduzir a carga contínua de trabalho. O governo argumenta que a medida pode aumentar a produtividade, já que trabalhadores mais descansados tendem a desempenhar melhor suas funções.
“Se você tem um ambiente de trabalho em que o trabalhador ou a trabalhadora se sinta melhor, eles vão trabalhar mais felizes, produzir com melhor qualidade e com mais produtividade. Portanto, se diminuem as faltas, melhora a qualidade e aumenta a produtividade, o projeto de lei compensa, de longe, os impactos de custos que a medida traz”, explicou o ministro.
Além disso, há a expectativa de redução de afastamentos por problemas de saúde relacionados ao excesso de trabalho. O texto também prevê um período de adaptação para as empresas, considerado essencial para ajustes operacionais.
Representantes do setor empresarial demonstraram preocupação com possíveis impactos econômicos da mudança. Para muitos empregadores, especialmente pequenos e médios empresários, a alteração pode significar aumento de custos operacionais, já que será necessário reorganizar escalas, contratar mais funcionários ou pagar horas extras.
Ainda assim, há empresários que veem a proposta como uma oportunidade de modernização das relações de trabalho. Eles destacam que modelos mais flexíveis podem contribuir para a retenção de talentos. O debate, portanto, evidencia divergências importantes entre diferentes setores, e a negociação será um ponto-chave no andamento do projeto.
Por outro lado, centrais sindicais e especialistas em direito do trabalho têm defendido a proposta como um avanço social significativo. Para esses grupos, a jornada 6×1 é considerada ultrapassada e prejudicial à qualidade de vida dos trabalhadores. Eles argumentam que a mudança pode promover mais tempo para convivência familiar, lazer e cuidados com a saúde.
“Agora, a responsabilidade é do Congresso. O governo já fez a sua parte. Já apresentou para a sociedade a leitura que se tem do momento. As PECs preveem uma jornada de 36 horas semanais, o que, na visão do governo, seria uma irresponsabilidade implementar imediatamente. A economia, na nossa análise, suporta tranquilamente a redução para 40 horas semanais, sem redução salarial. Portanto, será mais natural trabalhar a aprovação por meio de projeto de lei do que via PEC (Proposta de Emenda à Constituição)”, ponderou Marinho.
O ministro destacou que não há problema na tramitação das PECs. “Nada contra as PECs continuarem tramitando. Agora, atropelar o rito da Proposta de Emenda à Constituição pelo capricho de ser uma PEC e não um projeto de lei não me parece plausível ou recomendado”, afirmou.
A tramitação do projeto ainda está em fase inicial, mas já desperta grande atenção pública. Caso seja aprovado, o fim da jornada 6×1 representará uma mudança significativa na legislação trabalhista brasileira, podendo redefinir a forma como o trabalho é organizado em diversos setores da economia e abrir espaço para novas discussões sobre a redução da jornada semanal.
“O encaminhamento do projeto de lei pelo governo pode ser votado de maneira mais rápida do que a PEC. Isso vai depender dos parlamentares e do tempo de tramitação no Congresso. Há um chamado da sociedade para que essa votação ocorra ainda no primeiro semestre, mas isso não depende do governo”, finalizou.
Eleições 2026
Sobre as eleições presidenciais de 2026, nas quais o presidente Lula (PT) deve disputar a reeleição, Luiz Marinho afirmou não ter dúvidas quanto ao resultado.
“Não costumo comentar pesquisas eleitorais. Não que eu duvide delas, mas se trata de uma fotografia do momento. Em 2008, se eu fosse me basear nas pesquisas, não teria sido candidato. Meu adversário tinha 38%, depois 23%, e eu apenas 3% das intenções de voto — e venci. Portanto, não tenho dúvida de que o presidente Lula será reeleito. O que me importa é a fotografia do dia da eleição, quando as urnas forem abertas”, declarou.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
