
A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), que reduziu a taxa básica de juros (Selic) de 15% para 14,75% na reunião mais recente, reacendeu dúvidas entre investidores. Ainda vale a pena investir no Tesouro Direto em um cenário de juros mais baixos?
Para o professor Luiz Antônio de Oliveira Dantas, coordenador do Núcleo de Apoio Fiscal (NAF) dos cursos de Administração e Contabilidade do Centro Universitário Fundação Santo André, a resposta é sim e, em determinados contextos, ainda mais estratégica.
“Mesmo com a redução da Selic, o Tesouro Direto é um dos investimentos mais seguros do Brasil. Além disso, oferece previsibilidade, proteção contra a inflação e opções adequadas para diferentes perfis de investidor”, explica o professor.
A taxa Selic é o principal instrumento de política monetária no Brasil e exerce influência direta sobre o custo do crédito, o nível de consumo e as decisões de investimento na economia.
Segundo Dantas, com a redução da taxa, novas aplicações atreladas à Selic tendem a apresentar menor rentabilidade, em função do novo patamar de juros da economia. O custo do crédito diminui e estimula o consumo e investimento. “Também ocorre uma reprecificação dos ativos financeiros, o que leva à busca por alternativas com melhor relação risco-retorno”, diz.
Segundo o especialista, esse movimento está inserido em um ciclo econômico mais amplo. “A redução da Selic sinaliza um momento de flexibilização monetária, geralmente associado à convergência inflacionária e à necessidade de estímulo ao crescimento econômico. Por isso, o investidor deve analisar o contexto macroeconômico e não apenas a taxa isoladamente”, ressalta.
Vantagens
Mesmo em um cenário de juros menores, o Tesouro Direto mantém vantagens relevantes, diz o professor, que lista quais:
– Segurança elevada, por ser garantido pelo Tesouro Nacional (risco soberano);
– Acessibilidade, com aplicações a partir de valores baixos;
– Diversificação, com títulos pós-fixados, prefixados e indexados à inflação;
– Proteção do poder de compra, especialmente nos títulos atrelados ao IPCA.
Além disso, o professor destaca a importância de analisar a taxa real de juros, o rendimento acima da inflação. “Mais do que a taxa nominal, o investidor precisa observar o ganho real. Em muitos casos, mesmo com a queda da Selic, ainda é possível preservar e até ampliar o poder de compra ao longo do tempo”, afirma.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
