ABC - sábado , 11 de julho de 2026

Tesouro Direto mantém atratividade como investimento mesmo com queda da Selic

Taxa Selic é o principal instrumento de política monetária no Brasil (Foto: Banco de Imagens)

A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), que reduziu a taxa básica de juros (Selic) de 15% para 14,75% na reunião mais recente, reacendeu dúvidas entre investidores. Ainda vale a pena investir no Tesouro Direto em um cenário de juros mais baixos?

Para o professor Luiz Antônio de Oliveira Dantas, coordenador do Núcleo de Apoio Fiscal (NAF) dos cursos de Administração e Contabilidade do Centro Universitário Fundação Santo André, a resposta é sim e, em determinados contextos, ainda mais estratégica.

“Mesmo com a redução da Selic, o Tesouro Direto é um dos investimentos mais seguros do Brasil. Além disso, oferece previsibilidade, proteção contra a inflação e opções adequadas para diferentes perfis de investidor”, explica o professor.

A taxa Selic é o principal instrumento de política monetária no Brasil e exerce influência direta sobre o custo do crédito, o nível de consumo e as decisões de investimento na economia.

Segundo Dantas, com a redução da taxa, novas aplicações atreladas à Selic tendem a apresentar menor rentabilidade, em função do novo patamar de juros da economia. O custo do crédito diminui e estimula o consumo e investimento. “Também ocorre uma reprecificação dos ativos financeiros, o que leva à busca por alternativas com melhor relação risco-retorno”, diz.

Segundo o especialista, esse movimento está inserido em um ciclo econômico mais amplo. “A redução da Selic sinaliza um momento de flexibilização monetária, geralmente associado à convergência inflacionária e à necessidade de estímulo ao crescimento econômico. Por isso, o investidor deve analisar o contexto macroeconômico e não apenas a taxa isoladamente”, ressalta.

Vantagens

Mesmo em um cenário de juros menores, o Tesouro Direto mantém vantagens relevantes, diz o professor, que lista quais:

– Segurança elevada, por ser garantido pelo Tesouro Nacional (risco soberano);

– Acessibilidade, com aplicações a partir de valores baixos;

– Diversificação, com títulos pós-fixados, prefixados e indexados à inflação;

– Proteção do poder de compra, especialmente nos títulos atrelados ao IPCA.

Além disso, o professor destaca a importância de analisar a taxa real de juros, o rendimento acima da inflação. “Mais do que a taxa nominal, o investidor precisa observar o ganho real. Em muitos casos, mesmo com a queda da Selic, ainda é possível preservar e até ampliar o poder de compra ao longo do tempo”, afirma.

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