
Enfrentar longas filas, uma espera de horas para ser atendido já é rotina para quem retira medicamentos de alto custo no Hospital Estadual Mário Covas, em Santo André, mas nesta segunda-feira (09/03) a situação se agravou com espera de mais de quatro horas e em alguns casos até mais. Usuários reclamaram da superlotação e da demora para o atendimento que é agendado e com hora marcada previamente. A Secretaria Estadual de Saúde diz que houve demanda maior e problemas no sistema que culminaram com a demora, mas os pacientes ouvidos pelo RD dizem que nos últimos meses essa situação tem sido rotineira.
A cantora Nadine Gomes, de 68 anos, que retira medicações para lúpus e fibromialgia, passou a tarde com muitas dores na fila para retirar dois remédios. Ela só foi atendida porque começou a passar mal e pediu interferência de funcionários para que pudesse ser atendida com prioridade, mesmo assim ela só conseguiu sair da Farmácia do hospital perto das 16 horas após pelo menos duas horas de espera. No saguão onde os pacientes que aguardam pela senha e os que já tem senha aguardam medicamentos, em certos períodos da tarde não havia onde sentar.
“Hoje até que fui atendida logo porque estava com muitas dores e não aguentava mais esperar, conversei e consegui que me atendessem. Eu não aguento ficar muito tempo sentada, nem em pé; não tenho posição para ficar sinto dores 24 horas por dia”, explica Nadine. Ela diz que, mesmo com três horas de espera, ainda saiu do Mário Covas com apenas um dos medicamentos, o Gabapentina de 400 mg. que ela toma para as dores no corpo, não tinha. “Eu ainda tenho uns cinco comprimidos, ou ver como fazer, se continuar em falta vou ter comprar, a caixa deste remédio custa R$ 98”, conta.
Nadine sai da Vila Lucinda, até o Mário Covas de ônibus todos os meses para buscar os medicamentos e conta que, nos últimos três meses a situação piorou muito. “Tem muito mais gente, o atendimento ficou mais demorado e é triste ver tantas pessoas incapacitadas, outras muito idosas e cadeirantes esperando várias horas pelo atendimento. Geralmente eu chego ao meio dia e vou embora depois das 18h, só hoje (09/03) que eu tive que conversar com eles porque não aguentava mais esperar, se não me atendessem eu teria ido embora sem o meu remédio. E ainda só recebi um, de dois que tenho receita, agora vou ter que ficar ligando para ver se chega e voltar aqui de novo e ficar mais horas esperando”, diz a cantora que trabalhava com eventos, mas não consegue mais dar conta dos compromissos pelas dores incessantes.
Outro que não teve tanta sorte para abreviar o atendimento foi Eduardo Furtado, que mora em Mauá. Ele conta que retira no Hospital Mário Covas um hormônio para o filho de 14 anos, que é um medicamento para o crescimento. Há dois anos ele faz esse trajeto para pegar o remédio para o filho e também tem notado uma piora no atendimento. Nesta terça-feira (09/03) ele tinha agendamento para as 14h, chegou um pouco mais cedo contando com a demanda grande, mesmo assim só conseguiu sair de lá as 19h45, ou seja, ele ficou mais de seis horas aguardando para ser atendido, mas conseguiu o medicamento. “Eu já pego esse medicamento aqui há dois anos, mas de uns três meses para cá se tornou esse caos. Antes eu era atendido em uma hora e meia”, contou o morador de Mauá.

José Mauro, outro morador de Mauá, disse que antes pegava medicamentos no Mário Covas e ficou sem utilizar o serviço por cerca de um ano, mas agora retornou com o tratamento e ficou surpreso com o volume de pessoas à espera. “Tem que chegar na hora certa, ou um pouco antes, mas tem gente que até dorme na fila porque é realmente muito cheio. Eu pego sempre os primeiros horários mesmo assim já tem muita gente esperando”, diz o mauaense, que retira quatro colírios de uso específico. Ele destaca ainda o trânsito para ir e vir.
O que diz a Secretaria Estadual de Saúde:
A superlotação e demora no atendimento na farmácia do Hospital Mário Covas não são novidade, mas há períodos em que a situação se agrava. Apesar dos usuários relatarem que as dificuldades se tornaram rotina nos últimos meses, a Secretaria Estadual de Saúde sustenta que o problema foi pontual e envolveu maior demanda para o dia e instabilidade no sistema. Veja a seguir a íntegra da nota:
“O Hospital Estadual Mário Covas informa que o atendimento na Farmácia de Medicamentos Especializados (FME) da unidade registrou, nesta segunda-feira (09/03), tempo de espera acima do habitual em alguns períodos do dia. Pela manhã, houve instabilidade momentânea no sistema de emissão de senhas, decorrente de atualização recente de equipamentos, o que impactou o fluxo inicial de atendimento. A situação foi normalizada ao longo do dia. A unidade também registrou procura acima do previsto. Estavam agendados cerca de 770 pacientes, com mais de 1.000 senhas emitidas até as 17h30, inclusive para os pacientes sem agendamento prévio. O hospital esclarece que a situação foi pontual e que as equipes seguem trabalhando para manter a regularidade do atendimento”, sustenta a pasta.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
