
“Encontrei uma equipe de profissionais, todas mulheres, que me deram muito apoio, estiveram do meu lado, explicando tudo, me auxiliando. O sentimento hoje é de paz e tranquilidade.” O relato é da moradora do Jardim Portugal, em São Bernardo, Maria Julia Busato de Campos Zemetek, de 21 anos. Maria passou por gestação gemelar de risco, teve hemorragia após a cesariana e precisou ser incluída no Protocolo de Tratamento de Hemorragia Pós-Parto (HPP) do Hospital da Mulher. Após o atendimento, se recuperou sem complicações.
O caso integra um dado divulgado pela Secretaria de Saúde: em 2025, a rede pública de São Bernardo não registrou mortes maternas. De acordo com o Ministério da Saúde, considera-se morte materna o óbito ocorrido durante a gestação ou até 42 dias após o término da gravidez, por causas relacionadas ou agravadas por ela.
Dados da Seção de Informações Epidemiológicas do Departamento de Proteção à Saúde e Vigilâncias indicam que, nos últimos anos, foram registrados três óbitos maternos em 2019; quatro em 2020; cinco em 2021; três em 2022; dois em 2023; três em 2024; e nenhum em 2025.
Maria Julia optou por realizar o parto no Hospital da Mulher. Os filhos Tomé e Francesco nasceram em dezembro de 2025. Ela também é mãe de Noah, de 2 anos. Segundo a jovem, o acompanhamento durante a gestação foi fundamental, especialmente porque apresentava contrações e dilatação desde a 33ª semana e conseguiu levar a gravidez até a 36ª semana. Ela destacou o apoio recebido antes, durante e após o parto, inclusive no período de amamentação.
A direção do Hospital da Mulher informou que, ao longo de 2025, foram atualizados protocolos assistenciais para o manejo das principais causas evitáveis de mortalidade materna, como hemorragia pós-parto, síndromes hipertensivas da gestação (incluindo pré-eclâmpsia e eclâmpsia), sepse obstétrica e tromboembolismo venoso. Também foi implantado protocolo específico para emergências obstétricas e adotado sistema de identificação de pacientes em investigação de pré-eclâmpsia.
Doula voluntária
Entre as iniciativas implementadas está o programa de doula voluntária e a ampliação do Programa Bebê a Bordo, voltado à preparação de gestantes. A proposta é expandir o curso em formato on-line para as Unidades Básicas de Saúde.
Segundo a Secretaria de Saúde, o índice de mortalidade materna é um dos principais indicadores da qualidade da assistência pré-natal e obstétrica oferecida à população, refletindo o acompanhamento durante a gestação e a capacidade de resposta em casos de emergência.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
