A emergência de saúde pública da Covid-19 foi finalizada há quase três anos, porém, segue como tema de estudos sobre tudo o que foi realizado e o que pode ficar de legado. O médico sanitarista e diretor do AME (Ambulatório Médico de Especialidades) Santo André, Victor Oliveira Chiavegato, analisou todas as ações realizadas no ABC em sua tese de doutorado. Ao RDtv, relatou a importância das ações regionalizadas para o atendimento dos enfermos à época.
Chiavegato defendeu o tema “Arranjos tecnológicos de cuidado na rede de Atenção Hospitalar e de Urgência e Emergência para o enfrentamento da Covid-19 no ABC”, no programa de Pós-graduação em Saúde Pública da Faculdade de Saúde Pública da USP (Universidade de São Paulo). O especialista usou sua experiência na linha de frente em hospitais de campanha e os dados da região para formar sua tese.
“Eu fiz questão de falar sobre esse tema para registrar a importância que teve as estruturas, não só de Santo André, mas de toda a região, tudo que foi criado. Hospitais foram criados para lidar com a Covid, arranjos foram feitos e foram organizados para conseguir dar uma resposta à pandemia, porque o SUS, ele não estava preparado e não estava organizado para enfrentar tudo isso que foi feito, né, para lidar com esse vírus novo, que era um vírus desconhecido, não existia uma medicação, ninguém sabia como cuidar da COVID, como tratar, e mesmo assim, o sistema teve que ser resiliente para poder cuidar das pessoas.”, explicou.

O médico relata a importância da regionalização dos atendimentos, principalmente para ajudar cidades que não contavam com uma grande infraestrutura para atender os infectados com casos mais graves. Fato que foi visto nos hospitais de campanha de Santo André. Além disso, a busca pelas compras de equipamento e a busca de profissionais foi outros pontos desafiadores durante o período da pandemia.
Outro destaque está com o SUS. Para Chiavegato, houve uma “resiliência” no Sistema Único de Saúde para lidar com as disputas com os hospitais particulares por médicos e enfermeiros, principalmente levando em conta a necessidade de revezamento devido aos profissionais que eram afastados por ter contraído a doença ou mesmo por traumas vivenciados no dia a dia, principalmente em relação aos óbitos.
Aliás, o processo de humanização e tecnologia dentro daquele período também ganhou um destaque na tese. O uso de tablets para criar um contato entre os pacientes e seus familiares acabou demonstrando que é possível fazer uma aproximação, mesmo em um momento em que ficar próximo não era possível.
“Acho que a gente teve dois grandes arranjos tecnológicos da região para conseguir fazer o enfrentamento da pandemia. Um foi a regulação, que foi nessa lógica que eu já disse, conseguir garantir o leito em tempo oportuno para os pacientes que precisavam, garantir o acesso, porque às vezes o paciente nem precisava de leito, mas ele precisava fazer o teste, precisava fazer o exame, enfim, precisava de cuidados. E o outro arranjo que foi fundamental foi o arranjo da humanização.”, disse.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
