
No Dia Mundial do Câncer, celebrado em 4 de fevereiro, um dado chama a atenção para além das campanhas de conscientização. Segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), os casos de câncer de pele no Brasil cresceram mais de 1.600% entre 2014 e 2024.
Dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA) indicam que, enquanto a estimativa geral de novos casos de câncer deve crescer 11% entre os triênios de 2023–2025 e 2026–2028, a projeção para o câncer de pele não melanoma aponta aumento de 19,5% no mesmo período.
Para a dermatologista Giuliana Miranda, do Hospital São Luiz, em São Caetano, os números refletem não apenas o aumento da incidência, mas também uma maior capacidade de diagnóstico. “Os casos sempre existiram, mas não eram identificados. Hoje, há maior acesso aos serviços de saúde e mais informação sobre sinais que antes eram ignorados, como manchas e lesões na pele”, explica.
A docente da Faculdade de Medicina do ABC (FMABC), Cristina Laczynski, chama atenção para um fator ambiental que contribui para o crescimento dos casos: a redução da camada de ozônio. Segundo ela, a diminuição da proteção natural contra a radiação ultravioleta aumenta o risco de desenvolvimento do câncer de pele. Dados do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) indicam que, a cada 1% de redução da camada de ozônio, cerca de 50 mil novos casos da doença são registrados no mundo. O impacto também se estende a doenças oculares e à imunossupressão.
Giuliana Miranda destaca a importância da atenção às mudanças na pele, como o surgimento de novas pintas ou manchas, lesões que coçam ou alteram de aspecto. “O autoexame é fundamental e deve fazer parte da rotina das pessoas”, orienta. Entre os especialistas, há consenso de que a chamada regra do ABCDE é uma das principais ferramentas para identificar sinais suspeitos de melanoma, o tipo mais agressivo de câncer de pele.
Regra do ABCDE
A regra do ABCDE é um método utilizado para avaliar pintas e manchas na pele e identificar possíveis sinais de melanoma. A letra A se refere à assimetria, quando uma metade da lesão é diferente da outra. B diz respeito às bordas irregulares, recortadas ou mal definidas. C está relacionada à cor, especialmente quando há variação de tonalidades na mesma mancha, como marrom, preto, vermelho, branco ou azulado. D corresponde ao diâmetro, indicando que lesões com mais de 6 milímetros merecem atenção, embora melanomas também possam ser menores. Já a letra E representa evolução, ou seja, qualquer mudança no tamanho, forma, cor ou sintomas como coceira, dor ou sangramento.
A regra, no entanto, não se aplica ao câncer de pele não melanoma, o tipo mais comum da doença. Segundo a Dra. Cristina Laczynski, esse tipo de câncer costuma se manifestar por meio de lesões que sangram com facilidade, crescem progressivamente, demoram a cicatrizar e aparecem, em geral, em áreas mais expostas ao sol, como rosto, pescoço, orelhas e braços.
Prevenção contra o câncer de pele
Entre os fatores que ajudam a explicar o aumento dos diagnósticos está o envelhecimento da população, já que o câncer de pele está associado à exposição solar cumulativa ao longo da vida e a hábitos inadequados de proteção. Para reduzir os riscos, especialistas recomendam evitar a exposição ao sol entre 10h e 16h, usar roupas com proteção ultravioleta e aplicar protetor solar diariamente.
O filtro solar deve ter, no mínimo, FPS 30, com proteção contra raios UVA e UVB, e ser reaplicado a cada duas horas, mesmo em dias nublados ou frios e até dentro de casa. “E não usem câmaras de bronzeamento”, reforça Giuliana Miranda.
Outro ponto de atenção é o tom de pele. Embora as regiões Norte e Nordeste apresentem maior incidência de radiação solar, o estado com maior número de casos de câncer de pele não melanoma por habitante é o Rio Grande do Sul. A explicação está na maior concentração de pessoas de pele clara, que são mais vulneráveis à ação dos raios ultravioleta e necessitam de cuidados redobrados.
Sobre a importância do acompanhamento médico, Giuliana destaca que consultas regulares ao dermatologista são fundamentais. “Pacientes com histórico familiar de câncer de pele ou que já tiveram a doença precisam de acompanhamento mais frequente. Para a população em geral, uma avaliação anual já é recomendada”, afirma.
Apesar de a incidência ser maior entre pessoas mais velhas, os cuidados devem começar cedo. Segundo a Dra. Cristina Laczynski, o uso de protetor solar é indicado para todas as cores de pele, estilos de vida e regiões, a partir dos seis meses de idade. Giuliana Miranda reforça que a prevenção é especialmente importante no caso do melanoma. “O melanoma não escolhe faixa etária”, alerta.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
