A pesquisadora e infectologista de Santo André, Elaine Matsuda, escreveu duas publicações voltadas para suas experiências com pessoas que contraíram o vírus da Aids. O livro Aids: Vidas Reescritas pela Ciência (Editora Eureka) mostra estudos sobre a doença e relatos de pacientes. Outra publicação é Preto no Branco (Haikai Editora), que é uma autobiografia sobre resiliência e todo o processo que a especialista passou no atendimento destas pessoas. Ambas serão lançadas no dia 1º de dezembro, Dia Mundial de Luta contra Aids.
O primeiro livro citado tem origem em diversas pesquisas realizadas nos últimos 10 anos em um ambulatório do SUS (Sistema Único de Saúde), apontando o que poderia ser feito para melhorar o atendimento das pessoas que foram diagnosticadas, entregando não apenas o tratamento, mas também o respeito necessário.
Bom, aí eu pensei, para que eu possa colocar a pesquisa, eu preciso dar uma contextualizada no que está acontecendo. Mas aí eu falei assim, poxa, por que a gente aproveita e não conta a evolução de tudo? Numa época que a ciência é tão negada, vamos aí colocar, olha, o que a ciência fez na vida das pessoas vivendo com HIV? Como foram os primeiros casos? Como é que foi o isolamento, descobrir o vírus, a partir daí eu poder fazer o diagnóstico, a partir daí desenvolver os tratamentos, a partir daí ter a prevenção, mas de uma maneira humanizada, não esquecendo que o foco da ciência é a vida das pessoas.”, disse em entrevista ao RDtv desta segunda-feira (17/11).
Cada capítulo inicia com um depoimento de um paciente. A ideia era humanizar aquela pesquisa, seguindo um caminho que fosse além dos dados científicos, mas que identifique as reações a cada evolução dos tratamentos, desde aqueles que descobriram a mais de 30 anos ou mesmo recentemente.

Elaine não esconde a preocupação com os dados sobre a Aids no Brasil. De 1980 até o primeiro semestre de 2024 foram identificados 1.165.595 casos. Nos últimos cinco anos a média é de 36 mil casos por ano. No ABC, foram 134 casos novos nos primeiros seis meses do ano passado. Em 2023, foram 334 casos e 90 mortes, segundo o Sistema de Informações de Agravos de Notificações, do Ministério da Saúde.
Depois da ciência veio o relato pessoal. Preto no Branco é uma autobiografia que faz uma interação com a primeira publicação. “Eu venho fechando um ciclo aí em que a doutora Elaine, cientista, se dedicou mais ao AIDS, vidas reescritas pela ciência, mas também a pessoa Elaine tem muita coisa para contar.”.
As duas publicações serão lançadas em evento na Padaria Portugal (av. Portugal, 894, Jardim Bela Vista, Santo André). Aids: Vidas Reescritas pela Ciência será gratuito, com prioridade para a divulgação digital. Preto no Branco terá venda presencial no local do lançamento e pelo site da Haikai Editora.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
