
A polícia de Diadema investiga a morte do pequeno B.R.M.S. de apenas dois meses de idade. A criança morreu no sábado (25/10) depois de sete dias internado no Hospital Estadual Serraria, com lesões compatíveis com maus tratos. O menino tinha um trauma no crânio, duas fraturas no braço e perna do lado direito. O pai, C.R., de 18 anos, e a mãe, R.M., de 19, são investigados.
A investigação começou quando o menino foi internado no Hospital no dia 17 a equipe médica constatou que as lesões que ele apresentava, como queimadura na cabeça, uma lesão no crânio e lesões no braço e na perna não eram compatíveis com o que o pai alegava. Segundo a versão dele, a criança sofreu queimadura no banho quando o chuveiro teve um curto, teria esquentado demais. O pai também alegou que, ao sair do banho com a criança, escorregou e caiu o que teria ocasionado as lesões. O hospital denunciou a situação à polícia e ao Conselho Tutelar. O caso, inicialmente foi registrado como lesão corporal grave, porém o estado de saúde de B. piorou e ele faleceu no sábado. Os pais, que já tinham sido ouvidos no inquérito de lesão corporal, foram novamente chamados já o crime tipificado como homicídio e tortura. A polícia analisa a possibilidade de representação pela prisão temporária do casal que, caso seja feita, ainda precisa de apreciação do Judiciário.
O delegado titular do 4° Distrito Policial de Diadema, Gentil de Oliveira Júnior, disse ao RD, que não havia mais possibilidade de prisão em flagrante e também que as oitivas e os laudos estão sendo juntados à investigação, que já ouviu diversas pessoas, inclusive familiares do casal. C.e R. tiveram gêmeos que nasceram prematuros, o outro bebê, uma menina, foi acolhida em um abrigo por decisão do Conselho Tutelar.

Após exame médico, foi constatado que ela também tem lesão craniana e em um dos braços, porém menos graves que as sofridas pelo irmão.
“Assim que tomamos conhecimento do caso, instauramos inquérito para investigar maus tratos e lesões corporais graves. Fomos procurados pela médica que cuidava da criança na UTI do Hospital Estadual, que nos disse que os ferimentos eram sugestivos de maus tratos, os pais foram trazidos para a delegacia, ouvidos e negaram. Ele reproduziu a versão do problema no chuveiro. O que nos causou estranheza é que eles só procuraram o socorro médico seis horas depois do ocorrido. Outra coisa que nos chamou a atenção é que eles foram muito frios, relataram essa versão com muita naturalidade, não pareciam estar preocupados com o filho que até aquele momento estava internado”, disse o delegado. Ainda segundo os depoimentos colhidos pela polícia, enquanto B. estava com vida no hospital, os pais não o visitaram.
Nesta terça-feira (28/10) a polícia deu segmento às investigações já com a informação da morte do bebê. “O casal foi chamado e compareceu voluntariamente à delegacia e manteve a mesma história. Pressionamos, mostramos o laudo que mostra que a causa da morte foi trauma encefálico produzido por objeto contundente, colocamos eles diante do depoimento da médica que disse que aqueles ferimentos não eram compatíveis com uma queda, mas mesmo assim eles negaram. Em certo momento o pai chegou a dizer que poderia ter tido um surto, mas que não se lembrava”, explicou Oliveira Júnior.
A polícia ouviu também familiares e amigos do casal que relataram que C. e R. não estavam preparados para serem pais. “O rapaz foi descrito como agressivo e que não parava em nenhum emprego e ambos faziam uso de maconha. Na casa foram encontrados vários frascos de extrato de camomila, provavelmente usado para acalmar as crianças e fazê-las dormir. Os familiares disseram ainda que o casal não permitia que as crianças recebessem visitas”, explicou o titular da delegacia que investiga o caso.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
