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O Ministério da Saúde atualizou as diretrizes de rastreamento do câncer de mama no Brasil e ampliou a faixa etária para a realização da mamografia, que agora ocorre dos 40 aos 74 anos. A mudança reflete uma preocupação crescente com o número de diagnósticos em mulheres mais jovens. O câncer de mama continua sendo o tipo que mais mata mulheres no país, com cerca de 73 mil novos casos registrados em 2024, segundo dados do Ministério.
O ginecologista e obstetra Sérgio Makabe, diretor-geral do curso de Medicina da USCS (Universidade Municipal de São Caetano), diz em entrevista ao RDtv que o Outubro Rosa segue sendo uma das campanhas mais importantes para a saúde feminina, pois reforça a necessidade de exames regulares e atenção ao próprio corpo.

Makabe explica que o principal objetivo do rastreamento é identificar o câncer de mama antes que surjam sintomas. A mamografia é o exame mais eficaz para detectar alterações precoces, muitas vezes invisíveis ao toque.
“O diagnóstico precoce salva vidas, porque quando o câncer é identificado em fase inicial, a sobrevida em 10 anos ultrapassa 90%, enquanto nos casos mais avançados esse índice cai para menos de 30%”, destaca. Além disso, ressalta que campanhas como o Outubro Rosa e ações de mutirões de mamografia desempenham papel fundamental ao ampliar o acesso aos exames, principalmente na rede pública, e que quanto mais cedo o diagnóstico ocorre, mais simples e eficaz se torna o tratamento.
Mudança nas diretrizes
Com as novas recomendações do Ministério da Saúde, mulheres entre 40 e 49 anos passam a ter acesso garantido à mamografia, mesmo sem rastreamento obrigatório a cada dois anos. Para aquelas entre 50 e 74 anos, o exame deve ocorrer a cada dois anos. Acima dessa faixa, a decisão depende da condição clínica e da expectativa de vida de cada paciente.
Makabe considera a medida um avanço importante, alinhado a protocolos internacionais. “Entre 40 e 49 anos, cerca de 23% dos casos de câncer de mama acontecem, e antes dessa decisão a mulher só podia realizar o exame pelo SUS a partir dos 50. Agora, se ela quiser fazer, pode conversar com o médico e decidir em conjunto”, explicou. Lembra que pacientes com histórico familiar de câncer de mama ou de ovário devem iniciar o rastreamento mais cedo. “Quando há um parente de primeiro grau diagnosticado ou histórico de mutações como o BRCA, se recomenda começar os exames dez anos antes da idade em que o familiar recebeu o diagnóstico, então se a mãe teve câncer aos 45, a filha deve iniciar aos 35”, diz.
Estilo de vida
Além da predisposição genética, fatores ligados ao estilo de vida contribuem para o aumento dos casos. O médico explica que a obesidade, o sedentarismo, o tabagismo e o estresse crônico representam fatores de risco importantes. “A mulher com sobrepeso produz mais estrogênio, que estimula a mama e aumenta as chances de câncer. Por isso, manter alimentação equilibrada, praticar atividade física e evitar o tabagismo são medidas essenciais de prevenção”, comenta.
O especialista destaca também que o uso de hormônios requer atenção. “A terapia de reposição hormonal é segura e traz benefícios quando bem indicada e acompanhada, mas é importante realizar o controle da mama, porque o uso sem orientação pode causar estímulos desnecessários”, comenta.
Avanços na medicina
O ginecologista afirma que o avanço da tecnologia médica melhorou o diagnóstico e o cuidado com a saúde feminina. “Hoje, o SUS conta com mais mamógrafos e exames de alta precisão, como a tomossíntese, que é a mamografia 3D, além da ressonância magnética de mamas, que permite identificar lesões em estágios iniciais”, comenta. Ressalta que o rastreamento do câncer de colo do útero também passa por mudanças, como a do Ministério da Saúde que vai substituir o Papanicolau pelo teste de HPV, que é mais eficaz na detecção precoce e já é utilizado em outros países.
No sentido da precaução, Makabe comenta que a conscientização das mulheres sobre o autocuidado aumentou, especialmente após a pandemia. “As pacientes passaram a valorizar mais a prevenção e procurar o ginecologista com regularidade, o que é muito positivo. A ginecologia existe para prevenir, não para esperar sintomas aparecerem”, completa o médico.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
