
A Câmara de São Bernardo rejeitou por unanimidade o pedido de impeachment contra o prefeito afastado Marcelo Lima (Podemos). O pedido feito por representantes do PSOL foi lido durante a sessão desta quarta-feira (10/09). O diretório municipal da legenda segue em busca da cassação da chapa eleita em 2024 dentro da Justiça Eleitoral.
Entre os 26 vereadores presentes, 25 votantes foram contra o pedido. A presidente em exercício, Ana Nice (PT), não votou por impedimento do regimento interno. Logo após o final da votação, manifestantes reclamaram da falta de apoio contra a medida.
O presidente do diretório municipal do PSOL, Anderson Dalecio, não escondeu o descontentamento com a votação, principalmente levando em conta a unanimidade. Mas reafirmou que a legenda segue na frente da Justiça Eleitoral, com o pedido de cassação da chapa formada por Marcelo Lima e Jéssica Cormick (Avante).
“Se o TRE-SP (Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo) não aprovar (a cassação da chapa) nós vamos para o TSE (Tribunal Superior Eleitoral), nós vamos até as últimas instâncias. O PSOL, cada dia mais mostrando que é um partido que se preocupa com a cidade, não com acordos políticos.”, aponta.
Outra surpresa para o grupo denunciante foram os votos dos vereadores da bancada do PT: Ana do Carmo, Ananias Andrade e Getúlio do Amarelinho. “O PT é o partido supostamente de esquerda, progressista. Nós do PSOL, desde 2022, na eleição do presidente Lula, nos colocamos à disposição, desde o primeiro turno, estar com o presidente Lula. E o ano que vem não será diferente. Nós vamos apoiar o presidente Lula porque a gente entende que ele é o único que derrota o bolsonarismo.”, inicia.
“Agora, a gente esperava o mínimo. São três vereadores, porque a presidenta é impedida de votar. São três vereadores. Podia, pelo menos, se colocarem, se posicionarem a favor. Porque eles falam que são partidos trabalhadores, que são a favor do povo. E aqui se posicionam desse jeito. Então, eu estou entendendo que quem está aqui dentro não representa o trabalhador, o trabalhador que está aqui fora, em São Bernardo, sendo prejudicado por essa esquerda.”, seguiu Dalecio.
Após a votação a sessão foi suspensa e retornou com a leitura de votos de pesar e aprovação de projetos sobre homenagens. O assunto em si não foi abordado pelos parlamentares. Lembrando que em votações sobre pedido de impeachment não há debate antes dos votos.
PT se posiciona sobre a votação
Por volta das 23h, o diretório do PT em São Bernardo divulgou uma nota sobre os votos contra o pedido de impeachment. A legenda inicia o texto afirmando que “não se opõe ao pedido” e que reconhece que a medida “tem relevância em seu caráter e posicionamento político”.
Após citar trechos da Constituição Federal e da Lei Orgânica de São Bernardo, os petistas destacam que o caso de Marcelo Lima “não pode ser reduzido a uma disputa meramente política e muito menos servir como palco para oportunismos partidários. Desde o início, temos afirmado que não se trata de uma questão política, mas sim de um caso de polícia, que exige investigação séria, rigorosa e transparente.”.
Também aponta que o PT defende a apuração feita pela Polícia Federal, “com total transparência junto à população.”. E que o partido exige esclarecimento sobre todos o caso.
“Cao haja comprovação das denúncias, o PT será protagonista em apresentar as medidas cabíveis – sempre com base em fatos concretos, sem oportunismo ou disputas secundárias, mas com prioridade absoluta na busca por justiça e respostas à população.”, diz outro trecho.
“Reiteramos, ainda, que nenhuma outra sigla partidária, instituição, cargo, mandato ou CPF tem legitimidade para se pronunciar em nome do PT. Somente a direção do Partido das Trabalhadoras e dos Trabalhadores pode expressar oficialmente a posição da legenda.”, segue.
Confira a integra da nota divulgada pelo PT São Bernardo:
O Partido das Trabalhadoras e dos Trabalhadores de São Bernardo do Campo não se opõe ao pedido de impeachment do prefeito Marcelo Lima. Reconhecemos que a medida apresentada por algumas pessoas ligadas ao PSOL tem relevância em seu caráter e posicionamento político.
A Constituição Federal (art. 5º, XXXIV, alínea “a”) e a Lei Orgânica Municipal asseguram a qualquer cidadã ou cidadão o direito de protocolar denúncias e pedidos de impeachment sempre que houver indícios de irregularidades. Do mesmo modo, a própria Constituição garante o direito pleno de defesa e o princípio da isonomia (art. 5º, caput), assegurando tratamento igualitário a qualquer gestor público, independentemente de partido ou posição política, o que sempre defendemos.
No entanto, destacamos que este caso não pode ser reduzido a uma disputa meramente política e muito menos servir como palco para oportunismos partidários. Desde o início, temos afirmado que não se trata apenas de uma questão política, mas sim de um caso de polícia, que exige investigação séria, rigorosa e transparente.
Por isso, o PT tem defendido, desde o primeiro momento, a apuração pela Polícia Federal, com total transparência junto à população da cidade, que é a maior prejudicada por essa crise.
Nossa posição é firme: exigimos que todos os fatos sejam esclarecidos e que a transparência seja garantida. Caso haja comprovação das denúncias, o PT será protagonista em apresentar as medidas cabíveis — sempre com base em fatos concretos, sem oportunismo ou disputas secundárias, mas com prioridade absoluta na busca por justiça e respostas à população.
Reiteramos, ainda, que nenhuma outra sigla partidária, instituição, cargo, mandato ou CPF tem legitimidade para se pronunciar em nome do PT. Somente a direção do Partido das Trabalhadoras e dos Trabalhadores pode expressar oficialmente a posição da legenda.
Seguiremos firmes na defesa da democracia, da justiça e do direito do povo de São Bernardo do Campo a viver em uma cidade governada com ética, responsabilidade e respeito ao interesse público.
Partido das Trabalhadoras e dos Trabalhadores – SBC
“E com certeza a estrela continuará brilhando para todas e todos.”
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
