ABC - sábado , 20 de junho de 2026

Jovem perde metade da orelha após fazer procedimento estético

Karine Sthefanie foi operada e teve parte da orelha retirada. (Foto: Reprodução)

Karine Sthefanie, de 36 anos, perdeu metade da orelha direita após a realização de um procedimento para correção de orelhas proeminentes, também chamado de orelha de abano. Esse procedimento não foi feito em hospital, nem em clínica; segundo a mãe da paciente tudo foi feito em um escritório na avenida Paulista, na Capital, e realizado por uma enfermeira. Complicações após o procedimento levaram à jovem ao atendimento médico de urgência em hospital particular de Santo André onde os médicos identificaram uma necrose em grande parte do órgão e essa região teve que ser amputada em uma cirurgia de emergência realizada no sábado (02/08). A paciente se recupera bem da cirurgia e a mãe dela, Iara Regina Ribeiro, veio a público nesta quarta-feira (06/08) para denunciar a suspeita de irregularidade no procedimento. O Coren-SP (Conselho Regional de Enfermagem do Estado de São Paulo) diz que analisa o caso.

Karine teria pago pelo procedimento R$ 1,4 mil no cartão de crédito. Em seguida a profissional, que se apresenta como enfermeira em seu site e nas redes sociais, com especialização em lobuloplastia, um tipo de cirurgia, e em otomodelacão, que é um procedimento estético, iniciou o procedimento no escritório mesmo. “Eu já achei estranho, nem máscara ela usou, tirou uma maletinha de primeiros socorros, pegou umas agulhas e fios e começou a dar pontos na orelha da minha filha. Para mim, como ela se identifica como doutora, ela era uma médica, mas quando voltamos lá pela quarta vez, e minha filha com muita dor, eu desconfiei, porque ela perguntou para mim se eu não conhecia um médico que pudesse dar uma receita de Cefalexina. Aí eu vi que ela não era médica, mas tem uma lábia muito boa”, descreve a mãe.

Iara contou que levou a filha no consultório da enfermeira na última vez no dia 22/07, porque ela não aguentava mais de dor. “Naquele dia ela deu mais pontos na orelha da Karine, foram mais de 100 pontos e ela ainda saiu de lá com dor. Isso foi no dia 22, no dia 25  já estávamos aqui no Hospital Brasil onde passamos na emergência. Logo em seguida os médicos resolveram internar a minha filha. Como a medicação não controlou a infecção no sábado operaram a minha filha. Ela perdeu mais da metade da orelha que estava necrosada”.

Nesta quarta-feira (06/08) Karine ainda estava internada, se recuperando da cirurgia. “Ela está deprimida, debilitada, isso afetou muito a parte emocional dela. Agora sabemos que caímos em um cilada e por isso minha filha passou por uma cirurgia e corria risco de vida, tudo por uma profissional que prometia um procedimento simples e rápido”, completa a mãe.

Resolução do Cofen (Conselho Federal de Enfermagem) proíbe desde o ano 2000 a realização de cirurgias por enfermeiros, exceto em casos excepcionais em que o paciente corre risco de vida. Em 2017 o Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem, também consolidou essa proibição. O RD procurou o Coren-SP (Conselho Regional de Enfermagem do Estado de São Paulo) que informou que o procedimento de otomodelação não é cirúrgico e pode ser feito por enfermeiros, mas respeitadas algumas condições. “O Coren-SP esclarece que a otomodelação consiste em procedimento não cirúrgico, cuja realização é permitida a enfermeiros, desde que atendam às qualificações técnicas exigidas em normas regulamentares do Conselho Federal de Enfermagem (COFEN). Elas incluem, dentre outras, a obrigatoriedade de conclusão de curso de pós-graduação em estética e de realização de aulas práticas supervisionadas. O Coren-SP destaca ainda que para exercer funções específicas de especialistas é necessário registrar o título da referida especialidade no Conselho, conforme determina a resolução Cofen 581/2018”, diz o órgão de classe, em nota.

Sobre o caso de Karine, o Coren-SP, diz que apura o que ocorreu. “O caso está sendo averiguado com seriedade e, havendo elementos suficientes, poderá resultar em processo disciplinar, onde será garantido o direito à ampla defesa e ao contraditório”, sustenta o conselho em comunicado.

O RD também procurou a enfermeira que realizou o procedimento, mas até o fechamento desta matéria não houve resposta.

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