A proximidade de eventos internacionais no Brasil, somada à dificuldade de encontrar vagas em hotéis em São Paulo, serve de alerta ao setor hoteleiro da região, quinta colocada no ranking de polos consumidores no País. Com pouco mais de mil leitos – apenas 700 considerados de boa qualidade –, os hotéis do ABC têm ocupação média entre 80% e 90% durante a semana. Para atender à crescente demanda daqui pra frente, o sindicato que representa o setor defende a ampliação do número de quartos disponíveis.
Segundo Wilson Bianchi, presidente do Sehal (Sindicato das Empresas de Hospedagem e Alimentação do ABC), a região possui aproximadamente 100 hotéis. Porém, apenas cinco ou seis são de ‘nível intermediário’. “Contando somente com estes empreendimentos, temos cerca de 700 quartos. Somando aqueles hotéis menores, mas que ainda podemos considerar como bons, temos mais uns 300 quartos. Este número é suficiente para atender a atual demanda, mas com perspectivas de Copa do Mundo e Olimpíadas no Brasil, precisaremos dobrar o número”, pondera o sindicalista.
Para Bianchi, como o turismo da região é predominantemente de negócios, os quartos são ocupados principalmente de segunda a quinta-feira. “Final de semana é mais tranquilo. O que precisaríamos seria estimular estes empresários que passam a semana no ABC a aproveitar o final de semana por aqui também”, acredita.
Bianchi alerta para a necessidade de novos leitos em São Bernardo. “O município até tem um número considerável de quartos, mas o problema é que muitos hotéis de lá são antigos”, lamenta.
Migração
A proximidade com o Aeroporto de Congonhas e de vias importantes que ligam a região à Capital, como a Anchieta e a Imigrantes, contribuem para que empresários que antes se instalavam em São Paulo busquem hotéis do ABC, principalmente Santo André, São Bernardo e São Caetano. “Antigamente quem trabalhava aqui preferia se hospedar em São Paulo, mas o trânsito tem feito este conceito mudar, juntamente com boas opções na região, tanto de hospedagem quanto de gastronomia e shoppings”, conta Bianchi.
Por outro lado, Bianchi afirma que quem busca hotéis nas regiões do Ipiranga e da vila Mariana, também em São Paulo, muitas vezes são obrigados a procurar vagas no ABC por falta de leitos disponíveis.
Região poderá ganhar 800 novas acomodações
O aumento da demanda tem feito o setor privado buscar novos investimentos na região. Há pelo menos cinco projetos em estudo para instalar novos hotéis em São Bernardo, São Caetano e Diadema. Se concretizados, poderão representar cerca de 800 novos quartos de hotéis.
“Com a demanda em crescimento, ou empresas que administram hotéis nos procuram como parceiros na comercialização de hotéis, ou somos forçados a buscar os responsáveis por estes empreendimentos por uma necessidade do município”, comenta Aparecido Viana, presidente da Viana Negócios Imobiliários. Para ele, mesmo com todas estas possíveis novas unidades, o ABC ainda não será capaz de abrigar todos os turistas que recebe ou tem potencial de receber. “Mesmo se aumentarmos o número para 1,5 mil novos quartos, não será suficiente. Além dos eventos internacionais, a chegada do Rodoanel e do pré-sal vão demandar muito mais leitos”, defende.
Segundo Viana, somente em São Bernardo há três projetos em diferentes áreas para a instalação de complexos mistos, que unem escritórios, hotéis e residências. “Estamos buscando meios de viabilizar empreendimentos hoteleiros em São Bernardo. Em breve deveremos anunciar um grande investimento do setor aqui em São Bernardo”, confirma o secretário de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Turismo do município, Jefferson José da Conceição. O local e o investimento, porém, não foram revelados.
Viana afirma ainda que há projeto avançado para a construção de hotéis em Diadema. O Espaço Cerâmica, em São Caetano, também poderá ser contemplado por empreendimentos do gênero. “Em São Caetano só estamos verificando se é possível instalar hotéis”, completa o empresário.
Empresários devem focar na qualidade, recomenda Sebrae
O Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) tem trabalhado no fortalecimento e na capacitação de quem atua diretamente no atendimento ao turista. Exemplo é o projeto Taxista Nota 10, ação de abrangência nacional que visa qualificar a categoria com cursos gratuitos de inglês, espanhol e gestão de negócios.
Para o consultor Marcelo Alciati, empresários devem se preocupar com a qualidade do serviço prestado. “O ABC está se preparando para receber os impactos de eventos grandes como Copa do Mundo e Olimpíadas, mas ainda há muito o que fazer”, comenta.
Alciati defende que empresários precisam ter em mente que há concorrência e, a partir daí, buscar melhor a prestação de serviço. “Para os empreendimentos de menor porte a dica é que o dono deixe um pouco de trabalhar na empresa, com serviços operacionais, e passe a criar estratégias de gestão”, defende.
Legado
O consultor do Sebrae acredita ainda que áreas, como comércio, construção civil, têxtil, serviços e turismo serão impactadas diretamente com a Copa do Mundo. “Além de verificar o que é necessário fazer até o evento, precisamos verificar qual o legado que tudo isso deixará para a região depois que a Copa acabar. Temos empresas que já enxergaram estas oportunidades e já começaram a se adequar a esta nova realidade”, completa.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
