ABC - domingo , 19 de maio de 2024

ABC investe na vacinação contra vírus do HPV para jovens de 9 aos 14 anos

Foco da vacinação é atingir jovens entre 9 a 14 anos (Foto: Divulgação/Karol Vieira)

No dia 8 de abril, a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo adotou o esquema do Ministério da Saúde, para adotar a dose única na vacinação contra o HPV (papilomavírus humano), com foco no público-alvo de jovens de 9 a 14 anos. A ação é aplicada em todas as cidades do ABC.

Ribeirão Pires iniciou no dia 10 de abril a vacinação de dose única contra o HPV. A vacina é oferecida em 10 unidades da Atenção Primária da cidade, que envolve UBSs (Unidades Básicas de Saúde) e USFs (Unidades de Saúde da Família), de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h. A ação visa atingir cerca de 14 mil pessoas do público-alvo de 9 a 14 anos, sendo que 88% já foi vacinada (12.320 vacinado).

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Em Rio Grande da Serra, as Unidades de Saúde e escolas esperam atingir meta de 1,1 mil vacinados. A Prefeitura já contabiliza 37,3% do total. As Unidades de Saúde funcionam de segunda a sexta-feira, das 9h às 16h.

Já em São Bernardo, a vacina contra o HPV está disponível nas 34 UBSs para jovens dos 9 a 15 anos. A cobertura vacinal, que visa atingir 50 mil pessoas desta faixa etária, está em 45% (22.500). A meta é alcançar 80% de cobertura da vacina. Como forma de incentivo, além da divulgação nos meios de comunicação oficiais, as equipes de saúde realizam a verificação das cadernetas de vacinação dos estudantes na rede municipal e estadual de ensino.

Diadema segue com o incentivo à vacinação contra o HPV, ao realizar ações nas UBSs, visitas domiciliares das equipes de Saúde da Família, busca ativa de faltosos na vacinação e vacinação nas escolas estaduais. Apesar de não mencionar o número de vacinados, a Prefeitura deseja vacinar aproximadamente 30.274 jovens entre 9 e 14 anos, além do resgate de adolescentes de 15 a 19 anos, não vacinados anteriormente.

Em Mauá, há intensificação da campanha em todas as escolas municipais e estaduais. A expectativa é vacinar crianças e adolescentes com idade de 9 a 19 anos, que não tenham sido já imunizados, um total de 18.415 crianças e adolescentes do município. Além destes, a vacinação quer atingir público de até 45 anos com imunodeficiência primária ou erro inato de imunidade, pessoas em uso de drogas imunossupressoras, pessoas com HIV/AIDS, transplantados de órgãos sólidos, transplantados de células-tronco hematopoiéticas, pacientes oncológicos e vítimas de abuso sexual.

Equipes das unidades de saúde de Santo André avaliam o Cartão Vacinal das Crianças em todas as escolas do município. Além disso, as unidades realizam busca ativa de usuários faltosos, com estratégias comunitárias, reconhecendo populações em vulnerabilidade. Com o público-alvo meninos e meninas de 9 a 14 anos, cerca de 20.689 pessoas estão elegíveis para vacinação de HPV, sendo que 71% de meninas e 48% de meninos representam a cobertura vacinal atual. Pessoas com imunodeficiência primária ou erro inato da imunidade, de 9 a 45 anos, não vacinadas ou que receberam esquema incompleto de vacinação e adolescentes até 19 anos não vacinados também estão inclusos.

São Caetano não respondeu até o fechamento desta reportagem.

Importância da vacinação contra o HPV

O HPV, especificamente dois tipos deles (tipo 16 e tipo 18), está envolvido em quase 90% dos casos de câncer de colo de útero, além de ocasionar outros tipos como câncer de vagina, vulva, pênis, anus, reto e orofaringe. Segundo Elizabeth Nasser, médica ginecologista e professora assistente da disciplina de Ginecologia da FMABC (Faculdade de Medicina do ABC), é importante que as gestões públicas realizem uma pesquisa ativa para vacinar efetivamente. “Para atingir essa população, deverá ser feita uma busca ativa, procurar identificar adolescentes vulneráveis que devem tomar a vacina”, diz.

Também da FMABC, a ginecologista, professora e presidente da Abptgic (Associação Brasileira de Patologia do Trato Genital Inferior e Colposcopia), Marcia Terra Cardeal, comenta que existe um tabu em relação à vacinação contra o HPV, que por vezes é relacionada ao ato sexual.

“A realidade é que esse assunto foi tratado por muito tempo como tabu, por ser ligado diretamente a relações sexuais. Por isso, é importante que as gestões públicas promovam ações de conscientização para que tanto os jovens quanto os pais entendam que essa vacina não é uma liberação para o sexo, mas uma prevenção contra o câncer”, comenta Marcia.

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