Nesta segunda-feira (24/7), a seleção feminina de futebol estreou com vitória na Copa do Mundo que, pela primeira vez, será transmitida na televisão aberta. O próximo jogo acontece no sábado (29/07) às 8h, no estádio Suncorp, em Brisbane, na Austrália, contra o França, em partida válida pelo Grupo F.
Apesar da expectativa de recorde de audiência e a visibilidade, o Brasil tem muito para avançar no futebol feminino na opinião de muitas atletas. No ABC, jogadoras profissionais torcem para que o mundial sirva de impulso para a modalidade em todo o País.
Karina Eduarda Barbosa representa quatro equipes do ABC nas posições de meia e volante: no Santo André, no Boa Vista de Diadema, o Aclimação de Santo André e o Barcelona de Mauá. Para a atleta, a principal mudança para alavancar o futebol feminino deve ser o apoio das grandes instituições, como a CBF (Confederação Brasileira de Futebol).
“Se a Confederação valorizar a modalidade com um marketing voltado a maior visibilidade e também investir na questão financeira, muitas outras instituições começarão a valorizar o futebol feminino”, afirma. Segundo a atleta, é importante mudar a visão de quem não valoriza o esporte feminino para que passem a enxergar como uma modalidade que tem crescido com o passar do tempo. “São poucas as pessoas que valorizam de fato o esporte feminino, mas apesar do pouco crescimento, estamos avançando. Temos potencial para mais, mas aos poucos seguimos”, afirma.
No ABC, a atleta diz que a situação não é muito diferente. São poucas as pessoas que olham para o futebol sem diferenciar entre jogadores e jogadoras. “Não nos enxergam da mesma forma”, afirma. De acordo com Karina, seria importante mais investimentos também na região. “Precisávamos de recursos voltados exclusivamente ao futebol feminino, porque a verba existe, só não é repassada. Além disso, criar um calendário com competições esportivas para incentivar o esporte nessa modalidade também é ideal”, salienta.
A volante, que começou sua carreira profissional aos 16 anos, quando passou em um teste para jogar no Japão, conta que sonhava em praticar o esporte desde os sete anos de idade. “Tudo começou quando vi meu irmão jogando as ‘peladas’ enquanto precisava tomar conta de mim. Então acabei me interessando pelo futebol, brincando, até que me encontrei, inclusive, profissionalmente”, comenta.
No começo da carreira, Karina diz ter enfrentado diversos obstáculos. “Na época, o futebol feminino mal existia, as meninas não jogavam, então eu tinha que jogar com meninos. Também não existiam campeonatos, e para ser vista era ainda mais difícil”, diz. Atualmente, além destes problemas, as jogadoras também sofrem com falta de estrutura para a execução e prática do esporte locomoção entre uma cidade e outra para disputarem os campeonatos.
Giovana Oliveira Cardoso é atacante do E.C. São Bernardo, o Cachorrão, e acredita que, após o mundial, os olhos para o futebol feminino serão mais voltados para as garotas que desejam estar aonde desejam. “Com toda a divulgação da Copa do Mundo Feminina, as meninas vão se interessar e lembrar que é possível jogar futebol. Sendo assim, a garotada irá querer iniciar aulas em uma escolinha e se tornará necessário começar a montar equipes femininas com meninas que terão potencial de voar pelo mundo em busca de um sonho de representar o Brasil”, diz.
No que se trata de ações na região, Giovana sente que os municípios poderiam se doar ainda mais na divulgação do esporte. “Os campeonatos poderiam ser transmitidos pela internet por exemplo, já que nem todo mundo consegue ir aos estádios e todos moradores do ABC, ou até mesmo de outros estados e municípios, ficariam por dentro das novidades”, sugere.
Para a zagueira do E.C. São Bernardo, Beatriz Macêdo Barbosa, a publicidade em torno dos campeonatos, tanto da Copa do Mundo quando campeonatos regionais, é o principal atributo para aumentar a visibilidade da modalidade. “Realizamos diversos torneios e não vemos a divulgação de nenhum por parte das prefeituras. Creio que ao divulgar os jogos, o número de torcedores cresce e, consequentemente, a visibilidade do time e do esporte”, defende.
A atleta conta ter se interessado pelo futebol ainda criança, quando acompanhava o pai em jogos com os colegas e amigos. “Comecei a me interessar, fui gostando de brincar com os meninos na rua e na escola, e foi aí que me apaixonei por aquilo que faço hoje: o futebol”, comenta.
Entre as principais dificuldades encontradas por Beatriz durante sua carreira, ela destaca a rejeição da família e da sociedade. “Ouvi muitos discursos de que futebol é só pra homem e que não me daria futuro. Cresci escutando negatividade, que nunca iria ter nada no futebol e que isso ‘não era vida’, mas felizmente conquistei muitas coisas boas através do futebol e minha família aceitou que essa é minha vocação”, diz.
Hoje, a zagueira diz que as dificuldades incluem a falta de estrutura, suporte relacionado à saúde e apoio financeiro. “Alguns times ainda pecam muita nessa parte de suporte com convênios de saúde, então caso alguma atleta se machuque, é difícil ter um atendimento médico de imediato e acesso a uma fisioterapia intensa e completa”, acrescenta.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
