A publicitária e professora universitária Thainá Rocha da Silva partiu de uma vivência pessoal para construir sua pesquisa no Mestrado Profissional em Inovação na Comunicação de Interesse Público da USCS (Universidade Municipal de São Caetano).
Thainá buscou informações sobre o processo de empoderamento pelo qual jovens negros brasileiros passam até se aceitarem e se reconhecerem como negros, bem como a construção de uma identidade negra para o exercício da cidadania, enquanto nativos digitais com perfis ativos em redes sociais digitais e consumidores de conteúdo online.
Fruto dessa inquietação surgiu a dissertação “Negritude Mediada: a comunicação de interesse público na construção do Guia Digital do Empoderamento Negro para jovens universitários”.
De acordo com a pesquisadora, o processo de empoderamento de grupos discriminados gera transformações sociais e individuais que, por sua vez, age em ressonância em diversas camadas da sociedade. “Compreender as mediações dessa comunicação entre grupos negros da sociedade midiática digital contribui para o desenvolvimento da comunicação de interesse público e para a orientação das ações comunicacionais que permitam a gestão dessa comunicação”, explica.
O lócus da pesquisa foi a Baixada Santista e os sujeitos foram jovens universitários, selecionados entre os estudantes do Centro Universitário São Judas Tadeu, campus Unimonte, que estavam cumprindo sua jornada acadêmica até a data prevista de encerramento da pesquisa. Participaram da pesquisa oito jovens negros de 18 a 24 anos, de diferentes cursos/semestres, moradores de uma das nove cidades que compõem a região.
Thainá conta que foram realizadas quatro oficinas, entre julho e novembro de 2020, para coleta de dados e estruturação do produto. Devido à pandemia de COVID-19, seguindo as normas adotadas no estado e na região, as oficinas foram realizadas no ambiente online, pela plataforma Google Meet, e gravadas em vídeo, com duração média de 90 minutos, obedecendo ao roteiro proposto. “O objetivo das oficinas foi reunir os jovens e, por meio das ações desenvolvidas, possibilitar que expressassem, em relatos orais, como se identificaram como negros, quais experiências sobre negritude e cidadania já viveram dentro e fora das redes sociais, quais conteúdos consomem online, como escolhem estes conteúdos, o que chama atenção na hora de escolher, consumir e replicar (retuítar, compartilhar, postar ou repostar) este material para os amigos”, explica a pesquisadora.
Como resultado dessas oficinas produziu-se um e-book interativo, intitulado Guia Digital do Empoderamento Negro, como material digital construído em parceria com os estudantes para contar histórias e indicar conteúdos para jovens que estão em processo de empoderamento ou passaram por isto. “Apresentamos os conteúdos digitais que consomem, onde podem encontrar dicas de transição capilar, os canais de cultura negra, livros, séries, filmes e tudo o mais voltado para a negritude e juventude”, conta Thainá. A pesquisadora, dentre os vários dados obtidos na pesquisa, destaca o papel da universidade e da família para os jovens que participaram das oficinas: “Eles veem na universidade e na vida universitária uma ponte para empoderar-se e construir conhecimento. A universidade deixa de ser objeto de desejo e se transforma em uma via para a vida que desejam viver, além de trazer orgulho e motivação para os demais. O convívio familiar é de extrema importância para a autodescoberta deles como cidadãos negros. É na família que eles buscam forças para se afirmarem, ou buscam consolo quando sofrem casos de racismo. Muitos desejam que mais familiares também se vejam como negros e passem pelo processo de autoafirmação e empoderamento”, avalia.
A pesquisa de Thainá teve como orientadora a Profa. Dra. Priscila F. Perazzo e coorientador o Prof. Dr. Liráucio Girardi Júnior. Priscila destaca a importância da pesquisa: “Tanto o tema quantos os resultados obtidos nesta pesquisa de Thainá nos alertam para a importância constante de lidarmos sempre com as questões do racismo na nossa sociedade. Esperamos que este Guia contribua efetivamente para que jovens negros vivam num mundo muito melhor”, afirma. Já Liráucio pondera: “O desafio de criar um Guia capaz de integrar os processos de empoderamento de jovens negros e negras às práticas em ambientes digitais foi enfrentado com determinação pela professora e pesquisadora Thainá Rocha. Trazer a comunicação de interesse público para esse propósito foi fundamental!”.
A íntegra da dissertação de Thainá Rocha da Silva está disponível no link: Google Drive. Já o Guia Digital do Empoderamento Negro para jovens universitários pode ser conferido no link Pesquisa Thainá Rocha.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
