A quantidade de automóveis parados nos pátios das montadoras do ABC, número estimado em 120 mil unidades, já preocupa o Sindicato dos Metalúrgicos. Segundo Sérgio Nobre, presidente da entidade, se não forem tomadas providências frente ao crescimento das importações e se as montadoras não revirem seu mix de produção, em médio prazo, serão observadas demissões no setor.
Levantamento da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) aponta que os estoques de veículos nos pátios das montadoras e nas concessionárias do País atingiram a marca de 398,7 mil veículos, o que corresponde a 37 dias para a venda em agosto. A marca é a maior desde novembro de 2008, quando os números atingiram 56 dias. Na indústria, os estoques somam 155,1 mil veículos, o correspondente a 14 dias.
“As consequências vão aparecer a médio prazo, porque sabemos que os empregos no ABC serão prejudicados”, observa Nobre. Para o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, duas são as causas para esta má fase da indústria automobilística: o aumento das importações (vendas de veículos importados cresceram 34,7% de janeiro a agosto deste ano em comparação a 2010) e a insistência das montadoras em veículos populares, quando o novo perfil consumidor deseja automóveis mais potentes (emplacamento de veículos 1 mil cilindradas caiu 13,8%, em agosto deste ano em relação a 2010 enquanto a venda de carros acima de 1.000cc cresceu 17%).
Como alternativa para a lotação nos pátios, as montadoras utilizam a estratégia de colocar trabalhadores em férias ou banco de horas. “Temos como exemplo os Estados Unidos, onde a indústria automobilística chegava a produzir 19 milhões de veículos anualmente e neste ano não conseguirão produzir nem 7 milhões de unidades por conta da competitividade com os importados. A duas maiores montadoras do País, GM e a Ford, quase faliram. Se aconteceu lá, por que não aconteceria no Brasil?”, comenta Nobre.
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