O mau cheiro causado pelo esgoto que cai sobre as escadas de acesso aos prédios do condomínio nem incomoda mais os moradores dos blocos 85, 86, 87 e 88 da CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano), na rua Seis, do Jardim Santo André, em Santo André. A preocupação das 56 famílias instaladas no local é em relação à falta de GNP (Gás Liquefeito de Petróleo) encanado, que tem obrigado os moradores utilizarem botijões dentro dos apartamentos.
De acordo com a síndica do bloco 86, Cacilda Maia da Silva, vistoria realizada pelo Corpo de Bombeiros condenou a construção do abrigo para os botijões de gás, localizado no estacionamento do condomínio, assim como o local por onde passa o encanamento. “Essa casinha está muito perto dos carros e não foi deixado espaço suficiente para que sejam abastecidos os botijões. Além disso, o muro por onde passa o cano está comprometido”, comenta Cacilda.
Um dos moradores mais antigos do conjunto habitacional, o técnico em elétrica e hidráulica, Maciel Mamede, conta que a instalação do gás de cozinha por tubulação foi promessa da CDHU na entrega dos apartamentos, há seis anos. “Já aconteceu de pegar fogo na panela de um vizinho. Por pouco não tivemos um acidente ainda pior”, destaca Mamede.
Lei municipal
De acordo com a lei municipal 8.760, de 2005, em todos os prédios com mais de quatro unidades habitacionais, o suprimento de gás liquefeito de petróleo só poderá ser feito através da colocação do botijão ou cilindro no pavimento térreo e do lado de fora da edificação.
“Todo o botijão de gás deve estar localizado do lado externo, principalmente em apartamentos”, destaca o cabo Márcio de Souza, do 8° Grupamento de Bombeiros da Polícia Militar de Santo André. Segundo o profissional, o GNP é mais pesado que o ar e de difícil dispersão, por isso, a necessidade de abrir janelas e portas nos casos de vazamento e não pagar nem acender as luzes. Outra recomendação do cabo de Souza é trocar a mangueira e registro do botijão a cada cinco anos – tempo máximo do prazo de validade.
Companhia atribui manutenção ao condomínio
A Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano informou que, recentemente, após execução de obras de melhorias, os empreendimentos do Jardim Santo André receberam AVCB (Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros), que atesta que os prédios estão dotados de equipamentos de combate a incêndio e que atendem às normas de segurança.
De acordo com o documento, não restaram pendências, já que, após a emissão, a manutenção do sistema de abastecimento de gás é de responsabilidade do condomínio. Ainda de acordo com a CDHU, entre os itens de segurança analisados está o perfeito funcionamento do sistema de abastecimento de gás predial, incluindo a realização de testes de estanqueidade para verificação de vazamentos.
Infiltrações e rachaduras tiram sono das famílias
Rachaduras e infiltrações observadas por todo o condomínio, especialmente nas colunas de sustentação dos prédios, também tiram o sono dos moradores. Numa rápida volta pelo local também é possível observar caixas de esgoto estouradas, janelas e proteção das escadas enferrujadas, além de esgoto escorrendo pelas escadas do condomínio.
Apesar dos reparos realizados pela CDHU, como reconstrução de pátio que afundou recentemente e manutenções nas rachaduras e infiltrações, é impossível ficar tranquilo, revela o síndico do bloco 87, Sebastião de Jesus. “Se aqui é um local tido como área de risco, por que foi construído um condomínio?”, questiona. “É visível que a terra embaixo do condomínio está cedendo e, mais cedo ou mais tarde, vai acontecer uma tragédia”, diz Jesus. (NF)
Regras de segurança
• Não use isqueiro para acender o fogão;
• Na ausência por longo período, feche o registro de gás;
• Não utilize fogareiro ou lampião em botijão de cozinha;
• Consertos nas instalações do gás devem ser executados por profissionais habilitados;
• Compre botijões de gás somente de empresas credenciadas;
• O botijão não pode estar amassado, enferrujado ou apresentar qualquer dano.Verifique se o lacre de proteção está íntegro.
• Instale o botijão de gás mais afastado possível do fogão. O ideal é fora da cozinha, em local coberto e arejado;
• Instale o botijão longe de tomadas, interruptores e instalações elétricas. A margem de segurança é de 1,5 metro;
• Instale o botijão longe de ralos, grelhas ou canaletas de escoamento de água;
• Não coloque materiais que possam pegar fogo próximo ao fogão ou sobre o botijão;
• Nunca use fósforos ou qualquer tipo de chama para verificar se há vazamento.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
