Fed está monitorando efeitos de cortes recentes para avaliar trajetória do juro

O presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos), Jerome Powell, afirmou no pronunciamento inicial preparado para o seu depoimento ao Congresso americano, previsto para as 13h (de Brasília), que ele e seus colegas vão “monitorar” os efeitos das suas decisões de política monetária à medida que avaliam a trajetória apropriada da faixa da meta para a taxa básica de juros, a dos fed funds.

“É claro, se emergirem desdobramentos que causem uma reavaliação material da nossa perspectiva, responderíamos de acordo. A política monetária não está em um curso preestabelecido”, completou.

A perspectiva a que se refere, como o próprio Powell explica no texto preparado, é de “crescimento econômico moderado, um mercado de trabalho forte e inflação perto do objetivo simétrico de 2%”. “Vemos como provável que a atual postura da política monetária permaneça apropriada contanto que informações vindouras sobre a economia permaneçam amplamente consistentes com a nossa perspectiva.”

Referindo-se aos três cortes seguidos de 25 pontos-base da taxa básica de juros, que a levaram à faixa de 1,50% a 1,75%, o presidente do Fed aponta que, “como a política monetária opera com um atraso, os efeitos completos desses ajustes sobre o crescimento econômico, o mercado de trabalho e a inflação serão realizados ao longo do tempo”.

O crescimento classificado como “moderado” do Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA no terceiro trimestre, à taxa anualizada de 1,9%, se deve parcialmente ao efeito transitório da greve na General Motors, apontou Powell, “mas também reflete a fraqueza no investimento das empresas, que está sendo restringido por um crescimento vacilante no exterior e por desdobramentos no comércio”.

“Esses fatores também pesaram sobre exportações e a indústria este ano. Em contraste, o consumo das famílias continuou a aumentar solidamente”, descreve.

Em outro trecho do pronunciamento, Powell afirma que “riscos dignos de nota persistem”, indicando, além da desaceleração econômica global e das tensões comerciais, o risco das pressões inflacionárias “mudas”.

Na conclusão do texto, o presidente do Fed ressalta que, num cenário de uma virada econômica negativa nos EUA, seria também “importante” que a política fiscal desse suporte à economia. A isso, ele contrapõe duas preocupações, dizendo que “o orçamento federal está em uma trajetória insustentável, com dívida alta e crescente”, e que “o atual ambiente de baixas taxas de juros pode limitar a capacidade da política monetária de apoiar a economia”.

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