Filippi disse que falta a Lauro “apetite” de governar Diadema

O ex-prefeito de Diadema, José de Filippi Júnior (PT), que é pré-candidato ao paço novamente, disse que, se eleito, vai passar os primeiros dois anos do seu mandado priorizado a reabertura de espaços de atendimento a população que foram fechados pelo atual prefeito Lauro Michels (PV). Em entrevista ao RDtv, nesta segunda-feira (09/09) o petista disse que em seus governos conseguia fazer mais com um orçamento menor. Ele também falou como o partido está se organizando para o pleito de 2020 e diz que o petista mais próximo de compor chapa é o vereador que está em seu segundo mandato, Ronaldo Lacerda. O parlamentar abriu mão de ser candidato para apoiar o ex-prefeito.

O ex-prefeito começou a entrevista reconhecendo erros que seu partido possa ter cometido, mas destacou também os feitos positivos. “Eu fico feliz pela confiança. Temos várias lideranças neste partido que me enche de orgulho. Em 2016 tivemos candidato num momento muito difícil do PT, temos nossa maior liderança, o ex-presidente Lula, presa. PT cometeu erros, poderia ter feito muito mais, mas os acertos foram muito maiores. A história vai absolver o Lula”.

Com nome relembrado pela cidade por conta de suas gestões (1993/1996, 2001/2004 e 2005/2008), Filippi reconheceu também outros nomes que passaram pelo PT e pelo comando da cidade. “O Gilson (Menezes) fez um bom governo, o Zé Augusto (da Silva Ramos – PSDB, mas que foi prefeito pelo PT) fez um governo realizador. A cidade reconhece que o partido desenvolveu políticas públicas transformadoras. Política é para isso e não o que estamos vivendo agora, o ódio. A cidade mudou, a conjuntura mudou, para mim vai ser um grande desafio, sair candidato num ambiente hostil. A coisa mais fácil é dizer que não tem dinheiro, isso pode garantir um seis meses de carência, nós vamos trabalhar. É com essa disposição que eu quero chegar”.

Filippi vai tentar o quarto mandato como prefeito de Diadema. (Foto: Amanda Lemos)

Filippi teve seu nome investigado no âmbito da operação Lava Jato, em delações de empreiteiros, mas não se abate. “Eu quero fazer esse debate da ética na política, eu sofri muito, isso é muito doloroso, porque afeta a gente. A Lava Jato vai me dar um atestado de idoneidade, reviraram minha vida em 10 anos e não ofereceram denúncia. Eles não tem o que me acusar”, destacou o ex-prefeito, que foi deputado federal, foi também tesoureiro da campanha de Lula e foi secretário do ex-prefeito da Capital, Fernando Haddad. “Quando fui prefeito todas as minhas contas foram aprovadas, essa é uma condição muito necessária, a ética pessoal, mas não é suficiente, precisa ter uma ética do ato político, tem que ter políticas públicas como saneamento, saúde, habitação, isso é uma ética do coletivo”.

Filippi questionou a gestão Lauro Michels,  na área da saúde. “Se gasta mais de 35% com a Saúde e não tem como aumentar o investimento sem prejudicar a cidade, a cultura, a iluminação, tudo isso faz parte de uma cidade saudável. A saúde vai ser o nosso principal foco, refazendo aquilo que foi construído no passado. O Quarteirão da Saúde tem de 60% a 70% de ociosidade. No meu tempo conseguia custear. O prefeito foi buscar ajuda do Governo do Estado para implantar a Lucy Montoro (de reabilitação), que não funciona. O Hospital municipal tem sua validade vencida; no sétimo andar fechou a UTI infantil, fechou dois PS, o  Paineiras e o Eldorado. A questão não é recurso é gestão, vamos ter que fazer isso com muita firmeza e participação. Certamente a prefeitura está com um nível de receita incompatível. Falta apetite ao prefeito Lauro de governar, mesmo num momento difícil da economia”, critica. O petista diz que vai buscar recursos para garantir o funcionamento pleno do Quarteirão da Saúde. “Faz não sei quanto tempo que não tem Raio X e Mamografia lá, mas antes já funcionava. Nosso lema vai ser: Diadema tinha e não tem mais e vai voltar a ter. Nossa primeira atitude em dois anos é reconstruir o que foi fechado”.

Durante a entrevista, ao ser indagado por internautas, Filippi falou sobre a dívida da extinta, Saned (Companhia de Saneamento de Diadema) vendida no governo Lauro para a Sabesp, sob alegação de uma dívida impagável de mais de R$ 1,3 bilhão. “Essa dívida da Saned é uma enganação do prefeito Lauro e sua equipe. Hoje as pessoas estão percebendo o mau que ele fez; em maio deste ano a conta aumentou 13% e em SP foi apenas 4%. Cidadão você está pagando o asfalto que ele fez em ano eleitoral. Tinha uma dívida do governo Gilson que ele não pagou nada, aí reconhecemos. Na nossa conta era R$ 50 milhões (a dívida). Quem compraria uma empresa endividada? O município perdeu a soberania, a autonomia por um serviço da cidade e os vereadores foram coniventes”, aponta.

Reconhecimento

O petista disse prevê que a eleição vai ser muito difícil e vai ser muito mais difícil governar. O primeiro passo será a composição da chapa, que deve ser pura. O vereador Ronaldo Lacerda pela segunda vez abriu mão de ser candidato em nome do projeto do partido é cotado para ser o vice. Ele tem larga militância em movimentos de habitação.  “O Ronaldo Lacerda, acho que é um vice que compõe conosco. Ele vai ser reconhecido, mas também queremos conversar com outras forças para ter apoio de vereadores, para ouvir deles como a cidade pode melhorar. Na composição queremos ter crescimento, espero que meu nome cresça, para atrair cada vez mais pessoas.”, disse o pré-candidato que  informou que a sigla quer fazer pesquisas de avaliação da conjuntura a cada 60 dias.

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