Presidentes do Vasco e do Fluminense se esquivam de acordo por Maracanã

Um dia depois de uma inesperada final da Taça Guanabara praticamente sem torcida, no Maracanã, os presidentes do Vasco e do Fluminense reafirmaram suas posições e se esquivaram de um acordo pela localização de suas respectivas torcidas no estádio mais tradicional do Brasil.

A causa do conflito é a disputa pelo Setor Sul do estádio em clássicos entre os dois times. Foi o que aconteceu na final do primeiro turno do Campeonato Carioca, no domingo. A disputa adentrou a Justiça comum e uma série de decisões liminares atrapalhou a logística do acesso das duas torcidas ao estádio no domingo.

Como consequência, a final começou com as arquibancadas vazias e somente uma parte entrou a partir dos 30 minutos do primeiro tempo. Do lado de fora, houve tumulto entre a polícia e torcedores. Era possível até ouvir de dentro do estádio as bombas que estouravam do lado de fora. O Vasco acabou ficando com o título ao vencer o Fluminense por 1 a 0, com gol nos minutos finais do duelo.

Pouco mais de 24 horas depois, Alexandre Campello, presidente do Vasco, e Pedro Abad, principal dirigente do Flu, participaram ao vivo do programa “Bem, Amigos!”, do SporTV, na noite desta segunda-feira e, em entradas individuais por telefone no programa, negaram qualquer acordo para clássicos futuros.

O presidente vascaíno alegou direito adquirido do clube em usar o Setor Sul pela conquista do Estadual de 1951. E disse que tentou evitar os tumultos do domingo ao cogitar mandar o jogo – o clube cruzmaltino era o mandante – no Engenhão.

“Eu tinha a opção de mandar o jogo no Engenhão e disse tanto para o presidente do Complexo Maracanã quanto para o presidente da federação que só jogaria no Maracanã se houvesse essa possibilidade. Isso depois de o presidente do Complexo Maracanã, Mauro Darzé, dizer que o Fluminense tinha o direito de colocar sua torcida no Sul quando fosse mandante, e não visitante”, declarou Campello, durante o programa.

Pedro Abad, por sua vez, disse que o contrato com o consórcio que administra o Maracanã dá o direito ao Flu de posicionar sua torcida no mesmo setor. E acabou criticando a postura do consórcio que teria, na sua avaliação, tentando “quebrar o direito do Fluminense”.

“Foi uma decisão comercial. O consórcio está querendo ‘seduzir’ o Vasco, se aproximar deles comercialmente, e está acenando com a quebra do direito do Fluminense. É exatamente isso. Só que contrato é contrato, tem que respeitar”, declarou Abad, que também criticou a postura do Vasco.

“Se as decisões judiciais fossem cumpridas, essa polêmica não existiria. Nós ficamos descontentes, porque não tivemos torcida no estádio, mas temos que procurar quem deu causa a isso. Quem fugiu ao direito? Quem descumpriu ordem judicial? Se formos por esse caminho, a gente vê com muita facilidade que o Fluminense não é responsável por isso.”

No meio desta disputa, o presidente do Consórcio Maracanã, Mauro Darzé, também entrou na conversa. Ele reiterou o direito do Fluminense, por força de contrato, mas tentou contemporizar a situação.

“É muito difícil acordar numa segunda-feira, ler o jornal e ver aquela foto, para mim emblemática, de uma senhora segurando um bebê tentando fugir de alguma confusão em vez de entrar no estádio. O Maracanã em nenhum momento descumpriu a decisão da Justiça ou o contrato com o Fluminense… O Maracanã respeita todos os clubes, não podemos colocar nenhum obstáculo para que o Vasco volte a mandar seus jogos no Maracanã”, declarou Darzé.

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