A vice-prefeita de Mauá, Alaíde Damo (MDB), chegou ao Paço na manhã desta quinta-feira (27/12) para assumir interinamente a prefeitura, por conta do afastamento do prefeito Atila Jacomussi (PSB) preso desde o último dia 13 na Operação Trato Feito, da Polícia Federal. A emedebista disse que vai cortar comissionados do primeiro escalão do governo e que quer revisar tarifa da água, reajustada pelo socialista. Ela não chegou a assumir como prefeita interina pela manhã, fato que se concretizou somente no final da tarde.
Havia dois entendimentos sobre a data em que Alaíde deveria assumir o posto; se assumiria nesta quinta-feira ou na sexta-feira (28). Na quarta-feira (26/12), quando a Câmara quebrou o recesso para votar o afastamento do prefeito, o Legislativo recebeu ofício encaminhado por Jacomussi informando seu impedimento de comparecer à prefeitura a partir do dia 27. A sessão foi então cancelada. “Os quinze dias vencem hoje. O documento do Atila disse que a partir do dia 27, ou seja, a partir de hoje, estaria impossibilitado. É meu direito tomar posse, a cidade está sem governante”, disse Alaíde ao chegar ao Paço.
Instantes depois da prefeitura emitiu nota oficial dizendo que o “prazo de ausência comunicado pelo prefeito Atila Jacomussi se encerra nesta quinta-feira, sendo que a vice-prefeita Alaíde Damo, assumirá o cargo de prefeita interina a partir do dia 28/12, até que seja autorizado o retorno do titular a sua função”. O comunicado diz ainda que a transmissão do cargo será feita nesta quinta-feira, às 17hs.
Alaíde ficou pouco mais de uma hora no Paço. Ao sair disse que eles (equipe de governo de Atila Jacomussi) estavam resistindo em entregar o comando da cidade. “Está muito difícil, eles estão relutando para sair do poder. A relação não foi muito amigável. Eles relutam pois esperam sair o Habeas Corpus”, disse a vice-prefeita que anunciou retornar ao Paço às 16hs para assinar a documentação para assumir como prefeita interina. Eu tenho que assumir hoje, de acordo com o documento que o senhor Atila assinou de próprio punho, ele está impedido a partir de hoje e eu estou aqui para assumir. Eu estou seguindo a lei”, reclama.
Sobre planos para a cidade Alaíde disse que primeiro tem que ver o que vai encontrar. “Sei o que deixei, mas não sei o que vou encontrar. A partir disso é que vou ver o que o município precisa, ver o que dá para fazer e fazer isso com bastante honestidade, bastante trabalho”.
Alaíde disse que no início da gestão tinha uma sala na prefeitura, mas que não pode mais ocupá-la. “Quando sai arrombaram a porta e tiraram todos os materiais, os móveis, e insistiam em falar que eu não estava vindo trabalhar. Mas se eu não vim é porque eu não tinha um lugar para ficar, vou ficar no saguão?”, indaga. Agora a vice-prefeita diz que vai ocupar o gabinete do prefeito.
Sobre os funcionários de confiança do prefeito, Alaíde disse que haverá demissões, afetando todo o primeiro escalão. “Eu tenho que trocar porque são funcionários do ex-prefeito e é lógico que não vão estar comigo”. Perguntado sobre o custo disso na folha de pagamento ela admite, mas diz que não há outra forma de administrar a cidade. “Custa, mas como é que eu vou administrar com um pessoal que até agora só me criticou, que na sala do lado ficava fazendo com que eu saísse da prefeitura? As demissões vão começar no primeiro escalão, os demais depois a gente vai vendo aos poucos”.
A vice-prefeita disse que a Câmara demorou em tomar uma decisão sobre o impeachment de Atila Jacomussi. “Eles já deveriam ter feito isso há muito tempo né? Se não fizeram a Justiça está aí analisando o porquê de não terem feito. Seria obrigação deles (vereadores) fazerem já que o prefeito estava preso. Espero que a Justiça seja feita, tudo que eu fiz aqui levei ao conhecimento do MP. Eu espero acertar, mas se eu errar, volto atrás”, diz a emedebista.
Sobre as finanças da prefeitura, Alaíde avalia que a situação não é boa, mas também avaliou que o aumento da água não foi justo. “A prefeitura está numa situação terrível, mas preciso verificar muito bem. O aumento da água por exemplo, foi por decreto. Se eu puder voltar atrás, vou verificar se posso”, finalizou. Jacomussi assinou decreto para aumento da tarifa de água em 11% no dia 14 de novembro. O reajuste passaria a valer a partir de 1° de janeiro.
As 16h30 conforme combinado na prefeitura, Alaíde Damo, retornou, acompanhada do marido e ex-prefeito Leonel Damo. Assinou a ata de transmissão de cargo, onde foi assinalada uma ressalva, quanto à data. Estava grafado dia 28, e foi feito um complemento para garantir que a vice estava assumindo nesta quinta-feira (27). Em breve coletiva de imprensa no gabinete antes ocupado por Atila Jacomussi, Alaíde reafirmou o corte de secretários e outros cargos comissionados. “Se tivesse alguém no RH (Recursos Humanos) eu começava agora mesmo”, disse a prefeita interina, que no entanto ponderou que alguns nomes que ela considera competentes poderão ficar. Um deles ela já anunciou, que é o secretário jurídico Rogério Babichak. “Um prefeito tem que ter pessoas experientes perto dele. Tenho que me cercar de pessoas ótimas e técnicas”, justificou.
PRISÃO
Atila Jacomussi está preso desde o último dia 13. Trata-se de prisão preventiva no âmbito da operação Trato Feito, por suspeita de corrupção em contratos de compra de uniformes e materiais escolares.
Está será a segunda vez que Alaíde Damo assumirá o cargo de maneira interina. A primeira foi entre 15 de maio e 11 de setembro, quando Atila Jacomussi ficou afastado pela prisão por suspeita de irregularidades em contratos de alimentos para merenda escolar, na operação Prato Feito.
A Câmara estuda chamar uma nova sessão levante para o próximo domingo (30), para votar os sete pedidos de impeachment contra Atila Jacomussi. A oficialização deste ato ocorrerá nesta quinta. Existe uma dúvida se realmente haverá este encontro, pois o atual presidente da Casa, Admir Jacomussi (PRP), é o pai do prefeito. Caso não haja os trabalhos, a sessão levante ficará para janeiro, já com Neycar (PRP) no comando do Legislativo.
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