Alaíde Damo exonera esposa e mais aliados de Atila Jacomussi

Andreia era a última pessoa ligada a Atila entre os secretários. (Foto: Divulgação/Roberto Mourão-PMA)

Esposa do prefeito afastado de Mauá, Atila Jacomussi (PSB), Andreia Rolim Rios foi exonerada do comando da Secretaria de Políticas Públicas para Mulheres, nesta quarta-feira (11), pela prefeita em exercício Alaíde Damo (MDB). A primeira dama era a última remanescente ligada ao socialista no secretariado. A definição da cúpula do governo ocorreu no mesmo dia que o PSB deve oficializar a oposição à emedebista.

A saída de Andreia já era esperada desde a semana passada, apenas restava como dúvida se a iniciativa seria dela, por meio de Atila e da cúpula do PSB, ou do núcleo duro da gestão Alaíde. Na mesma leva de exonerações onde se encontra a primeira dama, a emedebista desligou o secretário adjunto da Pasta de Políticas Públicas para Mulheres, Márcio da Silva Araújo, e outras três pessoas ligadas ao socialista.

Também constam nas exonerações Laurindo Cid na função de diretor do Museu Barão de Mauá, o assessor de gabinete na Secretaria de Trabalho e Renda Denis Martins Caporal, e a assistente de políticas públicas na Pasta de Cultura Daniele de França Godoy, que realizava projetos na Casa do Hip Hop. Todos os ex-funcionários eram de indicações diretas de Atila ou de seus aliados.

Antes de Andreia, Alaíde exonerou Márcio de Souza (PSB) da chefia de Gabinete e da Pasta de Comunicação, e o presidente municipal do PSB, Israel Aleixo, da superintendência da Sama (Saneamento Básico do Município de Mauá), ambos de confiança irrestrita de Atila. Também deixou o governo José Viana Leite na Secretaria de Planejamento Urbano, mas por iniciativa própria ao saber que seria afastado.

Com as exonerações, o PSB se declarou oposição ao governo Alaíde e deve definir estratégias em reunião agendada nesta quarta-feira. Na Câmara de Mauá, o partido é representado pelo vereador Samuel Enfermeiro. Presidente do Legislativo e pai de Atila, Admir Jacomussi (PRP) deve puxar correligionários Bodinho e Tchacabum no bloco contrário à gestão emedebista.

A limpa promovida pelo núcleo duro de Alaíde demonstra a certeza de que a emedebista, originalmente vice-prefeita, seguirá no comando do governo até 31 de dezembro de 2020, quando se encerra o atual mandato. Tal situação ocorre visto que Atila está impedido de retornar ao cargo de prefeito, por meio de liminar imposta pelo TRF-3 (Tribunal Regional Federal da 3ª Região).

O advogado do prefeito afastado, Daniel Bialski, já impetrou o recurso para derrubar a liminar e Atila reassumir a chefia do Executivo. No entanto, o relator da ação é o desembargador federal Maurício Kato, que decretou a prisão preventiva do socialista em 11 de maio, dois dias depois de ser detido por agentes da PF (Polícia Federal), pelos desdobramentos da Operação Prato Feito.

Atila passou 37 dias preso – entre 9 de maio e 15 de junho – por suspeita de lavagem de dinheiro, devido à apreensão de R$ 87 mil em notas vivas na cozinha de seu apartamento, sem origem comprovada naquele momento – a defesa garante a legalidade do montante. O socialista reconquistou a liberdade por meio de habeas corpus concedido pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes.

Em posse como prefeita em exercício desde 15 de maio, Alaíde promoveu uma série de mudanças no governo. As primeiras exonerações foram direcionadas às indicações do ex-genro José Carlos Orosco Júnior (PDT), como Fernando Coppola, o Xuxa (no comando da Secretaria de Educação), Gilberto João de Oliveira (Obras) e Sargento Simões, da superintendência da Hurbam (Habitação Popular e Urbanização de Mauá).

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