Em depoimento, Yellen diz que sua intenção é continuar seu mandato no Fed

Em depoimento no Comitê Econômico do Congresso americano, a presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), Janet Yellen, disse que sua intenção é continuar no Fed, na esteira da vitória de Donald Trump nas eleições dos EUA, e que não pode prever se vai deixar o cargo de presidente da instituição, que vai até fevereiro de 2018, mais cedo. Seu mandato como membro do Fed, no entanto, vai até 2024.

Em relação à Lei Dodd-Frank, estabelecida pelo Escritório de Proteção Financeira ao Consumidor em 2010 – que visa proteger os consumidores de bancos grandes e não-regulados e que a equipe de transição de Trump prometeu “desmantelar” – Yellen afirmou que não gostaria de ver retrocessos nas regulações financeiras. Ela ainda disse que a Lei Dodd-Frank tornou o sistema financeiro dos EUA mais resistente a crise.

A Dodd-Frank implementa algumas reformas e regulações à indústria financeira, principalmente no que tange à transparência e proteção ao consumidor. A lei foi instaurada após a crise de 2008, que teve origem no desregulado mercado financeiro dos EUA.

A equipe de transição de Trump culpou a lei de 2010 por gerar uma recuperação morna da economia desde a crise financeira e disse que o governo Trump irá “substituí-la com novas políticas para incentivar o crescimento econômico e a criação de emprego”.

Yellen também declarou que um futuro pacote de estímulo fiscal, se introduzido por Trump, pode ter consequências inflacionárias e um impacto na trajetória futura da política monetária do Fed.

A presidente do banco central disse que viu alguns movimentos significativos do mercado desde a eleição de Trump e que há grandes incertezas, mas o Fed estará observando as decisões do Congresso norte-americano. Yellen afirmou que as incertezas sobre políticas do novo governo ainda durarão por mais tempo e que o Fede ajustará suas perspectivas quando as políticas da próxima administração ficarem mais claras.

Yellen ainda reiterou que a independência do banco central é “extremamente importante” e que há “evidência clara de melhores resultados” de bancos centrais independentes.

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