
Da primeira chance sob o comando de Luiz Felipe Scolari à aposentadoria após o atrito com Jorge Jesus, Cristiano Ronaldo construiu uma trajetória marcada por gols e títulos relevantes por Portugal. O craque anunciou nesta quinta-feira (05/11) o fim de sua passagem pela seleção portuguesa, em comunicado divulgado nas redes sociais.
Foram 234 partidas e 146 gols com a camisa vermelha de Portugal. Nenhum atleta na história do futebol marcou tantos gols por uma seleção quanto Cristiano Ronaldo.
A primeira comemoração veio em 2004, enquanto a última ocorreu neste ano, na vitória por 2 a 1 sobre a Croácia, na segunda fase da Copa do Mundo.
São 20 gols de vantagem sobre Lionel Messi, segundo colocado no ranking dos maiores goleadores de seleções nacionais e aposentado da seleção argentina há um mês.
Nas duas décadas a serviço da seleção, Cristiano Ronaldo conquistou a maior honraria da história do futebol do país: a Eurocopa de 2016.
O camisa 7 somou mais dois títulos antes de se aposentar, com participações de destaque nas campanhas vitoriosas da Liga das Nações da Uefa de 2019 e 2025.
A trajetória marcante, encerrada nesta quinta-feira (5), começou graças a um brasileiro. Foi Luiz Felipe Scolari quem, em 2003, apostou na promoção de um jovem Cristiano Ronaldo para a seleção principal.
Tratado na época como uma revelação do Sporting, o atacante substituiu o ídolo português Luís Figo e iniciou uma transição de geração sob o comando de Felipão.
O primeiro gol saiu logo na primeira grande competição: a derrota na estreia da Eurocopa de 2004 para a Grécia.
O craque voltou a marcar na semifinal do torneio contra a Holanda. Portugal ficou com o vice-campeonato após perder para os gregos na decisão, disputada em Lisboa.
A partir da oportunidade dada por Scolari, Cristiano Ronaldo se consolidou como referência da equipe portuguesa. Com Felipão, participou da marcante campanha da seleção na Copa do Mundo de 2006. Os lusos terminaram em quarto lugar, a melhor colocação desde 1966.
O auge da carreira com a seleção veio dez anos depois. Consolidado como estrela mundial, Cristiano Ronaldo foi o grande líder de Portugal na conquista da Eurocopa, dentro e fora de campo.
Além de terminar como vice-artilheiro e receber a Bola de Prata, como segundo melhor jogador do torneio, o camisa 7 protagonizou uma situação dramática na decisão contra a França, que se tornou um símbolo de resiliência em sua carreira.
Ronaldo sofreu uma lesão e precisou deixar o gramado ainda no primeiro tempo da decisão. Fora de campo, assumiu o papel de auxiliar-técnico participativo do treinador Fernando Santos.
Seus gestos, instruções e discursos motivacionais marcaram a equipe e ajudaram o time antes de Éder fazer 1 a 0 na prorrogação e decidir a final.
O astro português repetiu o protagonismo, desta vez em campo, nas outras duas conquistas. Na primeira edição da Liga das Nações, em 2019, Cristiano Ronaldo terminou como artilheiro da fase final. Os três gols na semifinal contra a Suíça e o título diante da Holanda ampliaram seu legado.
Em 2025, já na reta final de sua trajetória pela seleção, o camisa 7 marcou na semifinal contra a Alemanha e na decisão contra a Espanha, vencida nos pênaltis.
Toda essa trajetória de gols, títulos e legado, porém, terminou de maneira frustrante. Não houve alinhamento com o técnico Jorge Jesus, e a relação se transformou em um atrito público até o anúncio desta quinta-feira (5).
As diferenças começaram na primeira Data Fifa sob o comando do novo treinador. Em setembro, Cristiano Ronaldo foi substituído no meio do segundo tempo na vitória contra o País de Gales. Na ocasião, ouviu o técnico afirmar que precisava de um jogador com “mais velocidade” e capacidade de pressionar a defesa rival.
A declaração antecipou a perda da condição de titular. Cristiano Ronaldo acabou preterido por Gonçalo Ramos, e a relação com Jorge Jesus se tornou insustentável. O craque aqueceu por cerca de 30 minutos, mas não foi utilizado pelo treinador, contrariando um acordo prévio sobre a gestão física, segundo o veterano.
No dia 30 de setembro, diante da situação, Cristiano Ronaldo deixou a concentração da seleção portuguesa após uma entrevista coletiva de Jorge Jesus. Foi o último ato do craque, suspenso por 30 dias e multado pela Federação que o reverencia nesta quinta-feira (5).
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
