O ABC registra 520 casos de dengue em 2026. Diadema concentra 186 registros, seguida por Santo André, com 152, São Bernardo, com 61, Mauá, com 85, São Caetano, com 26, Ribeirão Pires, com oito, e Rio Grande da Serra, com dois. A região também tem casos de chikungunya, com maior número de confirmações em Santo André. Além de eliminar criadouros do mosquito Aedes aegypti, é importante reconhecer os sinais de agravamento da dengue, que pode evoluir para quadros graves mesmo após a febre diminuir.
A biomédica Renata Ruggier de Mattos, professora do Centro Universitário Fundação Santo André, explica que a fase crítica da dengue costuma ocorrer entre o terceiro e o sétimo dia da doença, justamente quando a temperatura começa a voltar ao normal. “A diminuição da febre nem sempre significa que o paciente está melhorando”, alerta. Nesse período, o aumento da permeabilidade dos vasos sanguíneos pode causar perda de plasma da circulação, queda da pressão arterial e, nos casos mais graves, choque.

Dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, tontura, sensação de desmaio, sangramentos, sonolência excessiva, irritabilidade e dificuldade para respirar exigem atenção imediata. “Diante de qualquer sinal de alarme, o paciente deve procurar imediatamente um serviço de urgência, mesmo que a febre tenha desaparecido”, orienta Renata.
Dos 186 casos de dengue registrados em Diadema neste ano, 94 foram classificados como autóctones, contraídos no próprio município, 24 como importados e 68 como ignorados ou indeterminados. Não houve mortes.
Santo André teve 152 confirmações, das quais 126 autóctones e 26 importadas, além de uma morte informada pela Prefeitura, enquanto em São Bernardo contabilizou 61 casos, sendo 53 autóctones e oito importados. Em Ribeirão Pires, foram oito casos, com dois autóctones e seis importados, Rio Grande da Serra registrou dois entre janeiro e setembro, sem detalhamento sobre a origem.
Mauá teve 85 casos prováveis de dengue e São Caetano, 26, segundo o painel estadual consultado. Os dados referentes as duas cidades foram obtidos através do Painel de Monitoramentos, disponibilizado pelo Ministério da Saúde, que também aponta zero óbitos por dengue e zero óbitos em investigação.
A chikungunya também teve confirmações. Santo André registrou quatro casos em 2026, três autóctones e um importado. São Bernardo, Diadema e Mauá tiveram um caso autóctone cada. Ribeirão Pires recebeu três notificações, todas descartadas, enquanto as demais cidades não registraram confirmações.
Visitas e inspeções buscam eliminar criadouros
As ações de combate incluem visitas domiciliares, eliminação de recipientes com água parada e inspeções em locais com maior potencial para a reprodução do mosquito, como borracharias, ferros-velhos, cemitérios, depósitos de reciclagem e pátios de veículos. Santo André monitora 95 pontos estratégicos e São Bernardo, 62, ambos com inspeções quinzenais. Diadema tem 34 pontos estratégicos, além de 36 imóveis especiais, como escolas, hospitais e fábricas. Rio Grande da Serra acompanha 16 locais, também com vistorias a cada duas semanas. Ribeirão Pires realiza ações desse tipo, mas não informou o total de pontos.
O volume de visitas varia conforme os critérios de cada prefeitura. Santo André contabilizou 17,5 mil visitas em 2026. São Bernardo informou 517.177 visitas e 373.036 imóveis trabalhados. Diadema registrou 50.129 visitas domiciliares, com atividades de agentes comunitários de saúde e de combate às endemias. Ribeirão Pires informou 191 visitas domiciliares e 2.512 imóveis inspecionados. Rio Grande da Serra realizou 10.912 visitas e inspeções entre janeiro e setembro. Como os métodos de registro diferem, os números não representam uma medida uniforme de produtividade.
Em Diadema, Centro teve 26 casos de dengue neste ano, Serraria, 23, e Paineiras, 14. Santo André apontou Parque Oratório, Campestre e Las Vegas entre as áreas com mais focos larvários em 2026. As equipes relatam dificuldades para acessar imóveis fechados, além da recusa de moradores e do descarte irregular de resíduos. Em Ribeirão Pires, proprietários que descumprem as regras de prevenção podem receber notificações para corrigir as irregularidades.
As prefeituras de São Caetano e Mauá não responderam ao RD até o fechamento da reportagem.
Automedicação pode agravar o quadro
Além de reconhecer os sinais de alerta, pessoas com suspeita de dengue precisam ter cuidado com os medicamentos. Renata explica que remédios com ácido acetilsalicílico, como AAS e Aspirina, e anti-inflamatórios como ibuprofeno, diclofenaco, naproxeno e nimesulida podem elevar o risco de sangramentos e provocar outros efeitos adversos.
Para aliviar a dor e a febre, paracetamol ou dipirona podem ser usados conforme as contraindicações e as orientações de profissionais de saúde. A biomédica também faz um alerta para quem toma anticoagulantes ou antiagregantes de forma contínua. “Esses tratamentos não devem ser suspensos por conta própria”, destaca, ao recomendar avaliação médica nesses casos.
A chikungunya também pode deixar consequências prolongadas. Segundo Renata, a resposta inflamatória provocada pelo vírus pode persistir após a fase aguda e causar dores, rigidez e limitação dos movimentos por meses ou anos. A idade mais avançada, a intensidade da dor no início da doença, problemas articulares anteriores e condições crônicas, como diabetes, estão entre os fatores associados ao risco de sintomas persistentes. O tratamento pode incluir medicamentos para dor, fisioterapia, exercícios orientados e acompanhamento com reumatologista.
A biomédica lembra ainda que uma pessoa pode contrair dengue mais de uma vez, pois existem quatro sorotipos do vírus e a imunidade adquirida após uma infecção não garante proteção contra os demais. “Uma segunda infecção por um sorotipo diferente pode apresentar maior risco de evolução para formas graves”, explica. Isso não significa, porém, que toda reinfecção provoque complicações.
Prevenção deve ocorrer o ano inteiro
Pratos de vasos de plantas, calhas, ralos pouco utilizados, lonas, tampinhas, bandejas de geladeiras e reservatórios de aparelhos de ar-condicionado estão entre os locais que podem acumular água e passar despercebidos. Renata ressalta que apenas retirar a água nem sempre basta, pois os ovos do mosquito podem permanecer aderidos às superfícies e resistir por longos períodos em condições secas. “É fundamental eliminar o acúmulo de água e, sempre que possível, escovar as superfícies dos recipientes”, orienta.
A biomédica também destaca que a prevenção não deve ocorrer apenas nos períodos com mais casos. “O controle do Aedes aegypti precisa ser contínuo e coletivo”, afirma. A eliminação de criadouros nas residências, a vigilância ambiental e a participação dos moradores são medidas complementares.
Com a aproximação do período de chuvas, Rio Grande da Serra informou que pretende intensificar inspeções, ações de limpeza e campanhas de conscientização. São Bernardo também anunciou avaliação da densidade larvária e reforço das ações nos bairros com mais casos e focos identificados no primeiro semestre. A eliminação de criadouros e a atenção aos sinais de agravamento continuam fundamentais para prevenir novas infecções e reduzir o risco de complicações.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
