
Os números oficiais da Secretaria de Segurança Pública do Estado apontam que o ABC teve uma pequena queda dos casos de estupro somados aos de estupro de vulneráveis, a vítima é menor de 14 anos, ou ainda se tem algum tipo de deficiência o está sob efeito de alguma substância. Segundo os dados disponíveis, de janeiro a agosto, no ABC foram 393 casos registrados nas delegacias, número 5,5% menor que os 416 crimes do tipo registrados no mesmo período do ano passado. A queda, no entanto não é uniforme; em Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e São Bernardo esses crimes aumentaram.
Na somatória de estupro mais estupro de vulnerável, Diadema liderou alta com 23,5% mais casos este ano, sendo 51 de janeiro a agosto do ano passado e 63 este ano. Em Ribeirão Pires a alta foi de 8%, passando de 25 para 27 casos. Em São Bernardo a alta foi de 1,6% com dois casos a mais sobre os 123 estupros do ano passado. Mauá teve alta de 1,5%, com o registro de uma ocorrência a mais esse ano sobre os 66 do ano passado até agosto.
Analisando apenas os estupros Mauá teve a maior alta, 42,8%; em seguida vem Ribeirão Pires, com 40% e alta, e Diadema aparece com o terceiro maior percentual de alta, 36,4%. Os números apenas dos estupros de vulneráveis, tem Diadema, com 20% de aumento, com a maior variação. São Bernardo também é destaque desse tipo de estupro, com alta de 4,2%.
Não há praticamente divisão entre periferias, centros e bairros nobres onde há maior ou menor incidência de crimes, eles estão distribuídos por toda a região. Em Diadema os bairros onde aconteceram mais estupros este ano são: Vila Conceição, Centro, Vila Nogueira, Eldorado, Jardim Canhema, Serraria e Eldorado. Em Mauá essas ocorrências foram mais frequentes no Jardim Zaíra, Jardim Maringá, Itapark, Parque das Américas, Feital, Boa Vista e Parque São Vicente.
Jardim Luso, Jardim do Mirante, Pilar Velho, Jardim Araci, Centro e Santa Luzia sãos os locais que mais aparecem nas ocorrências de estupro em Ribeirão Pires. Em Rio Grande da Serra a Vila Marquesa e o Centro foram os bairros que surgiram na estatística criminal.
Em Santo André, como nas demais cidades há uma distribuição entre bairros de periferia e nobres na lista dos locais onde ocorreram estupros este ano. Bairros como o Jardim Santo André, Parque das Nações, Utinga e Jardim do Estádio aparecem com tanta frequência como bairro nobre como o bairro Jardim.
São Bernardo regiões mais movimentadas como o Centro, o bairro Ferrazópolis, Jardim do Mar, Rudge Ramos e Planalto estão na lista de locais onde ocorreram estupros, junto a outros bairros periféricos como Alvarenga, Alves Dias, Montanhão e Nova Petrópolis. Até bairros mais distantes no pós-Balsa surgem na lista.
São Caetano, a cidade que teve a maior queda de estupros, em 76,9% este ano, de 26 ocorrências até agosto de 2025 para 6 casos este ano, teve os bairros Centro, Santa Paula e Fundação como os locais das ocorrências.
Quanto ao tipo de local, os estupros acontecem mais em casas, seguido de apartamentos, o seja, os estupradores em geral são pessoas próximas da vítima, muitas vezes vivendo sob o mesmo teto. Mas também foram registrados casos de estupros em igreja, posto de saúde, bares e até no interior de shopping center neste ano.
A advogada e vice-presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) subseção de Santo André, Mirian Salete Bazoti, acredita que grupos que destacam o machismo e a submissão de mulheres, como os Red Pills, têm influenciado jovens a agredirem mulheres. Segundo ela, esse quadro tende a pressionar para cima o número de casos de violência, não apenas os estupros como tentativas de homicídio e homicídio também.
“Têm crescido esses movimentos de ódio contra mulheres e estamos vivendo um momento muito tenso na política em que esses grupos conseguiram representação. Uma mulher que diz que o homem é naturalmente violento foi eleita com dois milhões de votos em São Paulo, claro que ela visou apenas o voto dos homens que odeiam mulheres. Essa votação recorde de alguém com esse perfil os chama atenção e só da força a homens desequilibrados”, diz a advogada em referência a Eduarda Campopiano (PL), a mais votada para a Assembleia Legislativa de São Paulo, com 1.956.238 votos.
“Com o crescimento destes movimentos machistas podemos ver crescer os crimes de estupro, com a justificativa de que foi por causa da roupa que a mulher usava, ou por causa da sua atitude. Eu temo que isso – o aumento dos crimes contra a mulher – possa acontecer”, completa.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
