O deputado estadual reeleito, Luiz Fernando Teixeira (PT), teve quase 95 mil votos no dia 4 de outubro, participou do RDCast e destacou o aumento da oposição na Assembleia Legislativa, mas também falou do crescimento da extrema direita representada principalmente pelo PL. Segundo o petista o avanço da direita se deve ao uso das redes sociais, área onde o PT precisa investir mais.
“Sobrevivi ao tsunami, estou machucado mais estou vivo”, iniciou Teixeira na entrevista ao jornalista Carlos Carvalho. “Foi uma eleição atípica, que nós não tínhamos vivido ainda nesta intensidade. Já vivi um tsunami em 2018, uma candidatura maluca, com 2 milhões da Janaína Paschoal que passou varrendo e várias cidades não conseguiram eleger seus deputados porque ela foi e tomou todos os votos. A mesma coisa se deu agora, nomes que não eram pensados elegeram e nomes que eram pensados não se elegeram. O lado bom da política foi engolido. A esquerda, o centro-esquerda e o centro foram engolidos, engoliram até a direita”, diz.
O deputado reeleito aproveitou, na sua crítica, para comemorar a rejeição de políticos tradicionais do ABC. “Tem algo de bom para nós; foi uma limpeza; o Alex Manente (Cidadania) não ter ido para Brasília para tirar direitos da classe trabalhadora. Orlando Morando não ter ido para Brasília, foi uma vitória da classe trabalhadora também porque eles mesmos foram engolidos pela extrema direita. Ao mesmo tempo a extrema esquerda cresceu, com o PSol elegendo um número importante de deputados estaduais e federais, a bancada estadual saltou de 4 para 9 deputados talvez, depois do PL, foi o partido que mais cresceu. O PT perdeu uma cadeira das 17 que tinha e elegeu 16”, analisa Luiz Fernando Teixeira.
“Foi um tsunami digital, a coisa se deu sem muito alarde, silencioso e quando abriram-se as urnas, foi uma surpresa para todo mundo, o ABC se enfraqueceu e ainda temos uma luta, pois, para nós, a eleição ainda não terminou. Cremos que vamos virar nesse segundo turno”, diz o petista que agradeceu os votos. “Só tenho a agradecer, foram 94.901 votos, isso é uma aprovação do nosso mandato, porque se reeleger é mais difícil do que eleger, pois ou é aprovado ou rejeitado. Sobreviver foi uma grande vitória, uma responsabilidade e eu quero aproveitar e agradecer os nossos eleitores e reiterar o compromisso de ser sério com São Paulo”, promete.
Voto regional
Teixeira falou das suas críticas sobre a falta de articulação das bancadas eleitas pelo ABC. “O ABC não tem Metrô graças a alguns deputados do ABC e vou dar nome aos bois, graças à Carla Morando (PSDB), ao Thiago Auricchio (PL), ao ex-prefeito Paulo Serra (PSDB), ao ex-prefeito Orlando Morando (MDB), ao (José) Auricchio Júnior (PSD), graças ao ex-prefeito Lauro Michels (PSD) porque eles aceitaram o governador desistir do Metrô que já tinha sido contratado e era para estar funcionando. Em 2018 o ex-governador João Doria veio aqui e falou que ia tirar o metrô do papel, que o Alckmin deixou licitado e contratado, ele precisava pagar a desapropriação e não fez. Os prefeitos e deputados concordaram e eu fiz uma luta contrária, junto com o deputado Teonílio Barba (PT) e eu lembro até do deputado coronel Nishikawa, que era bolsonarista, e também foi contra, mas é fato que alguns deputados e prefeitos toparam a ideia do governador”.
O Metrô é um dos exemplos citados por Teixeira sobre a falta de investimento estadual no ABC. “O ABC tem um déficit de investimento muito grande, olha como está a segurança, o nosso efetivo no ABC é insuficiente para fazer um policiamento razoável, precisamos de efetivo, de inteligência, porque temos câmeras em alguns lugares e não temos em outros? Não temos aqui uma faculdade pública estadual não temos um campus da USP, da Unesp ou Unicamp numa das regiões mais improtantes do país. Os hospitais estaduais do ABC – Serraria e Mário Covas – estão à mingua, não conseguimos estadualizar o Nardini, não temos hospital estadual em São Bernardo, então uma bancada de deputados poderia lutar mais pelo ABC. Vamos negociar do governador, nós tínhamos nove, elegemos oito. Fomos eleitos pelo ABC e tínhamos que estar um pouco mais de mãos dadas”, critica.

Metrô
Além de criticar a perda da linha 18-Bronze do Metrô, na época do governador Doria, o deputado petista diz que o governo estadual não vai cumprir a promessa de que a linha 20-Rosa começará a ser construída pelo ABC na direção da Capital. Criticou até o próprio traçado da linha. “Essa linha 20 não passa em lugar nenhum, ela não liga o ABC a Capital, ela liga a Santo André, mal passa em São Caetano, não passa em São Bernardo, passa na divisa. Tínhamos a linha 18 que passava por dentro das cidades e estava previsto chegar a Diadema, agora fizeram essa linha 20 e pago para ver ela começar por aqui. Quem ganhar a licitação vai começar pela Capital porque visa lucro. Precisamos que o Estado devolva mais para o ABC, se tiver três deputados já faz um barulho danado, se juntar oito, um movimento suprapartidário, vamos juntar gente de todos os cantos, do PSol ao PL em prol do ABC e será melhor”.
BRT ABC
Para Luiz Fernando a recente decisão da Artesp (Agência Reguladora de Transportes Terrestres do Estado de São Paulo) de autorizar o processo de caducidade do contrato com a Next Mobilidade pelo atraso nas obras do corredor BRT ABC, pode ter fundo político. “Acho que tem interesses econômicos por trás do processo de caducidade. Esse governo não tem justificativa essa declaração de caducidade, por mais que tenha atraso, o Estado atrasou as licenças ambientais e logo depois da eleição vem essa decisão, me parece que quer entregar para alguém. Não tenho dúvida nenhuma que o governo quer atender algum interesse econômico ao declarar essa caducidade”, acusa.
” A empresa já pediu autorização para começar a trabalhar, no primeiro trecho, há 90 dias e o Estado não dá. São interesses econômicos, mas eu vou às últimas consequências. Sobre o atraso da obra eu sai convencido que tem problemas que o próprio Estado causou interferências que atrasaram. O que está em jogo é muito grande. Imagina o valor desse contrato e vai dar para quem? Quem é esse grande grupo econômico que vai ficar com esse contrato? O governo Tarcísio vai entregar até a alma dos paulistas para o amigos explorarem.
Eleições
Luiz Fernando Teixeira diz que o ABC, tirando cidades com viés mais petista como Diadema e Mauá, tem votado mais em candidatos da direita, mas não ficava sem deputados de esquerda. Ele observa que pela primeira vez o campo da esquerda não fez nenhum deputado federal, elegendo apenas Paulo Serra. “Nessa eleição, não elegemos nossa senadoras por causa do interior do Estado, mas isso vai ficar na história como o pior Senado, elegeu um bando de doido. A Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar) afastou o Guilherme Derrite, pela alta letalidade e agora deram a ele cargo de deputado mais votado; eu lamento pela sociedade e pelo Estado. O Tarcísio vem detonando a educação pública, quer tirar a estabilidade de todos os professores e nós conseguimos jogar isso para o fim do ano, mas perdemos a eleição e eles tem maioria”, anuncia.
Virada
O deputado diz que é possível virar a eleição para presidente e reeleger Lula, com trabalho das ruas e também nas redes sociais. “Estamos fazendo esse trabalho na rua, não deu tempo nem de lamber a ferida. Muita gente não votou e estamos pedindo para que o povo vá votar. Já viramos em 2014 com Dilma e Aécio; no primeiro turno ele terminou bem mais a frente da Dilma do que hoje ficou Flávio e Lula e nós viramos aquela eleição. Estamos na lógica do vira voto, vamos dialogar, vamos convencer. Vamos mostrar que o Flávio Bolsonaro (PL) quer acabar com Bolsa Família, com o Minha Casa Minha Vida, com a Farmácia Popular, com o Pé de Meia com a aposentadoria do BPC (Benefício de Prestação Continuada). Imagina pessoas que têm familiar que tem direito ao BPC eles vão cortar isso. O tesouraço dele vai ser nos programas sociais e o eleitor não está consciente disso”, discursa.
Para o petista o erro do PT foi não usar mais a rede social e ser mais crítico em relação ao adversário. “Eles estão anos luz na frente nas redes até porque quem controla as redes é a extrema direita mundial a serviço do Flávio e do (Donald) Trump. Faltou a esquerda deixar de ser analógica e passar a ser digital, mas temos problema é que quem controla as redes é a extrema direita. Fica uma lição para o PT, que precisa se reciclar, se atualizar se quisermos avançar. Erro nosso foi não botar o dedo na ferida”, completa Luiz Fernando Teixeira.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
