A Rede Mauá Digital, marketplace criado para fortalecer os negócios locais e aproximar empreendedores e consumidores em um único ambiente virtual, foi lançado há um mês e neste período a página já teve mais de 40 mil visitas com vendas com tíquete médio de R$ 140. Em entrevista ao RD Momento Econômico, Paulo Lage, secretário-adjunto de Trabalho, Renda e Empreendedorismo de Mauá, explica como foi desenvolvida a ferramenta, a quem ela atende e também falou de outras ações da Prefeitura de Mauá no estímulo ao empreendedorismo, à geração de emprego e renda.
“Na Prefeitura procuramos a qualificação do empreendedorismo do começo ao fim. Temos o Sebrae e o Banco do Povo onde fazemos o atendimento aos MEIs (Microempreendedores Individuais) para que possam empreender. Depois criamos a feira do empreendedorismo e na proposta de criação de um mecanismo para vender, apareceu a ideia do marketplace. No País foram escolhidas 15 cidades pelo governo federal e no Estado de São Paulo, Mauá é a única, e já estamos em funcionamento há um mês”, relata Paulo Lage.
A proposta de divulgar as empresas para os consumidores um único ambiente digital, sem cobrança de taxas como fazem as grandes plataformas atraiu os pequenos empreendedores. “Temos 200 empresas cadastradas, foi um desafio muito grande, porque o sistema foi desenvolvido para cidades pequenas e como pegar uma ferramenta dessa para uma cidade com quase 500 mil habitantes e cerca de 40 mil MEIs cadastrados, requereu enfrentamento de uma série de situações difíceis, mas hoje temos mais de 40 mil visitas e tíquete médio de R$ 140, alguns com vendas de até R$ 1 mil”, afirma.
A plataforma é 100% gratuita. Lage diz que a ideia não é disputar com os grandes players de mercado, mas que a população e os MEIs possam ter uma ferramenta gratuita e, mais que isso, poder girar a economia dentro da cidade. “Os empreendedores conseguem buscar, entre eles mesmo algum insumo e fazer a economia girar internamente numa grande velocidade. Trata-se de uma ferramenta leve, acessível, fácil e interativa. E que ainda nem lançamos de forma oficial. Depois do processo eleitoral vamos acelerar essa divulgação”, diz o secretário adjunto que ainda apontou que em breve, além do portal haverá ainda um aplicativo do Mauá Digital.
Com o portal, a Prefeitura oferece também ferramentas de qualificação, de precificação e até a oportunidade de contratar influencers para a divulgação dos produtos. “Um dos setores que mais tem crescido é o de influencers. Dentro da própria ferramenta Mauá Digital o empreendedor pode encontrar e contratar influencers para divulgar o seu produto. Para promover a loja ou produto. Também é possível encontrar um grupo de motoboys para entregas em vez de usar o aplicativo tradicional, assim o empreendedor pode fazer essa interação, negociar e fazer as suas contratações”, detalha Lage.
Segurança
A compra com segurança, seja dos dados do empreendedor ou do comprador, seja da garantia de entrega do produto, foram preocupações na elaboração do portal de vendas. “Tudo isso foi analisado do ponto de vista da segurança. É uma ferramenta nova e pode ocorrer alguma falha? Torcemos que não, mas no aspecto de segurança tudo foi feito de maneira para evitar ao máximo esse tipo de situação. Durante o cadastramento do empreendedor uma ferramenta de inteligência artificial vai auxiliando nesse processo até ingressar na plataforma. Tivemos todo o cuidado para afastar as fraudes das redes digitais. Demorou um pouco por causa destes detalhes, para ter coisa séria, sem fraude e que possa ser entregue com qualidade”, destacou o secretário adjunto.
A Rede Mauá Digital também aproxima empreendedores, evitando problemas com compras de produtos que vem de longe geram custos de logística e demora. “A ideia do marketplace para o MEI é acabar com essa barreira, se quer comprar insumo ele pode estar aqui do lado. Se alguém precisa de uma manicure, um mapa vai mostrar todos os salões de manicure da cidade. Esse sistema dá esse leque de possibilidades.
Emprego
Para Paulo Lage, o setor público é o grande impulsionador de atividade que gera empregos na construção civil. “Quem gera emprego na cadeia é o setor público. Se o poder público investe em obras isso gera empregos de pedreiro, eletricista e um monte de outros profissionais, a cadeia começa a girar e pessoas passam a comprar e o comércio pede mais produtos, que vão gerar emprego nas industrias. Com o número de obras que tem para entregar, acho que Mauá está no nível de desemprego mais baixo ainda, mas deixa o desafio da qualificação profissional e estamos trabalhando isso por segmento”, explica.
“Vamos nos reunir com o setor da construção civil, com o Sinduscon, na semana que vem. Conversamos com o Sipan (Sindicado da Indústria de Panificação) também, veja a padaria não precisa só de padeiros hoje em dia, precisa de sushiman e de baristas. No setor de tintas e vernizes, faltam pintores e coloristas. Fechamos parceria com a associação brasileira da indústria têxtil, juntamos com o sindicato dos trabalhadores das confecções do ABC, prefeitura e Senai para qualificar novas costureiras, porque o setor está com dificuldade de contratar. Então precisamos entender cada setor. Na Casa de Cursos vamos trazer as pessoas vulneráveis para qualificar, empresas parcerias para contratar pessoas que estejam fazendo o EJA (Educação de Jovens e Adultos). Esse arcabouço todo é para garantir que tenhamos mão de obra para todos os setores”, sustenta.
Para Paulo Lage, que tem grande vivência no movimento sindical, já que veio do Sindicato dos Químicos, mesmo com o investimento na área de empreendedorismo, a prefeitura prefere o fomento ao emprego na indústria que paga os melhores salários e traz oportunidades de crescimento profissional. Segundo ele é possível que as pessoas que optaram por trabalhar por conta, em aplicativos, possam, em pouco tempo chegar à conclusão que não vale tanto a pena assim ser autônomo.
“Se trabalha na indústria você tem o salário, convênio médico e previdência enfim, todos os benefícios, trabalhar como Uber, por conta do grande número de pessoas que fizeram essa opção, pode não ser tão vantajoso assim, pois se quebra a moto tem que arrumar, como o carro também. Pode ocorrer o movimento inverso agora, de volta para o emprego CLT. Temos que estar atentos a essas mudanças de mercado”, completa Lage.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
