
Uma técnica de enfermagem e um médico foram agredidos nesta quinta-feira (24/09) em Santo André. A cidade, que segundo o CorenSP (Conselho Regional de Enfermagem do Estado de São Paulo) lidera o ranking estadual das cidades onde há mais agressões à servidores da saúde, já contabiliza sete vítimas de agressão em menos de um mês e este é o segundo caso ocorrido na mesma unidade, a UPA (Unidade de Pronto Atendimento) da Vila Luzita. Agressor e vítimas foram levados para o 6° Distrito Policial da cidade pela Guarda Civil Municipal. Testemunhas, representantes da Secretaria Municipal de Saúde e do Conselho Regional também acompanharam as providências da Polícia Civil.
Segundo o conselheiro do CorenSP, Eugênio Dantas, o médico foi agredido verbalmente e a enfermeira levou cotoveladas e um soco no peito, do acompanhante de um paciente que não concordou com os procedimentos médicos adotados pela equipe. “A profissional me conta que um paciente que aguardava atendimento desmaiou e o irmão que o acompanhava começou a fazer, por conta própria, procedimentos de reanimação, como massagem cardíaca. Quando a enfermeira chegou para atender e ajudou a colocar o paciente na maca, o acompanhante exigiu que ela fizesse o procedimento de reanimação, mas ela viu que o paciente estava consciente que não era caso para massagem cardíaca, foi quando, com cotoveladas ele entrou na frente dela e ficou fazendo massagem no peito do paciente e depois ainda deu um soco no peito da enfermeira. O médico foi agredido verbalmente com xingamentos xenofóbicos sobre a nacionalidade do profissional”, reproduziu Dantas.
O conselheiro diz que o CorenSP dá o amparo legal e psicológico para a vítima, mas considera que a prefeitura deve garantir a segurança dos trabalhadores da saúde. “Amanhã a enfermeira volta ao seu plantão normal e quem garante que o agressor ou alguém próximo a ele não volte para tirar satisfações. Esse é o drama da saúde, apesar de acontecer aqui em Santo André, esse problema vemos em todo o Estado. Esta semana uma enfermeira do SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) foi levou uma enxadada durante um atendimento em Mauá. Isso foi na madrugada de terça para quarta-feira (entre os dias 22 e 23/09). A gente está lutando para que seja aprovada em Santo André uma lei que puna, com multa, além da punição do Judiciário, quem agredir servidor da saúde, mas até agora nada”, lamenta o conselheiro.
De acordo com a prefeitura a profissional de enfermagem recebeu todo o apoio da administração. “A Prefeitura de Santo André, por meio da Secretaria de Saúde, informa que uma profissional de enfermagem da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Vila Luzita foi vítima de agressão nesta quinta-feira (24). A Secretaria de Saúde manifesta solidariedade à profissional e reforça que não tolera qualquer tipo de violência contra trabalhadores da rede municipal. Tanto a secretaria como a equipe de gerência da unidade estão acompanhando o caso desde a ocorrência e oferecendo todo o suporte necessário à profissional. Neste momento, a Secretaria também acompanha os encaminhamentos relacionados ao episódio, respeitando a decisão da profissional quanto às providências que serão adotadas”, diz nota do paço andreense.
A prefeitura diz ainda que reforça rondas nas unidades e que trabalha para criar uma legislação que puna com rigor casos de violência contra profissionais de saúde. “A Prefeitura mantém ações voltadas à segurança dos trabalhadores e usuários das unidades de saúde. Entre as medidas já implementadas estão as rondas da Guarda Civil Municipal nas UPAs e demais unidades, a disponibilização do botão do pânico e a ampliação da instalação de câmeras de segurança nas áreas comuns das UPAs. O município também trabalha na elaboração de novas medidas para ampliar a responsabilização em casos de agressão contra profissionais da saúde e reforça que a proteção dos trabalhadores é uma prioridade para a gestão”, diz o município em seu comunicado.
Casos
Em menos de 30 dias já são sete pessoas que trabalham na saúde de Santo André agredidos por pacientes ou acompanhantes. No dia 31/08 o enfermeiro David Alves Neves, de 41 anos, que trabalha na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) da Vila Luzita, foi ao 6° DP e deu queixa de agressão contra um homem e uma mulher que são investigados por lesão corporal. Dois dias depois a enfermeira Juscilene Santos de Carvalho, que foi agredida por um casal no dia 02/09 no Reabilita, que fica no bairro Campestre e o caso também foi parar na sexta delegacia da cidade.
No dia 15/09 dois profissionais de enfermagem e uma médica foram atingidos por socos e chutes. Uma enfermeira de 43 anos ficou ferida na cabeça e registrou boletim de ocorrência também no 6º Distrito Policial.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
