Mauá já recebeu 59 respostas no Censo Digital da Pessoa com Deficiência, criado pela Secretaria de Proteção e Defesa das Pessoas com Deficiência para conhecer melhor essa população e suas necessidades. O levantamento busca reunir dados sobre idade, tipos de deficiência e demandas por região, com o objetivo de auxiliar a Prefeitura na definição de políticas públicas.
O número ainda é inicial, mas já permite traçar um primeiro perfil. Entre as respostas, há pessoas de 3 a 74 anos, com maior concentração na faixa de 30 a 44 anos. O formulário não possui limite de idade e pode ser preenchido pelo próprio morador ou por um responsável, no caso de crianças. “Precisamos conhecer, porque Mauá é uma cidade relativamente grande, com muitos bairros periféricos, e precisamos saber qual é a real necessidade da pessoa com deficiência em cada território”, afirma a secretária Noeme Ferreira dos Santos, em entrevista ao RDtv.

O levantamento também será cruzado com dados do Censo 2022 do IBGE, que aponta cerca de 25 mil pessoas com deficiência em Mauá. A intenção é verificar se esse número corresponde à realidade atual e identificar demandas que ainda não aparecem nos levantamentos existentes.
As respostas chegam pelo site da Prefeitura e já passam por análise. A secretaria consegue, por exemplo, identificar a quantidade de participantes por faixa etária e os tipos de deficiência informados. A previsão é que, após o fim do censo, seja possível concluir um relatório em até 20 dias.
O formulário está disponível no site da Prefeitura, e para participar do Censo Digital da Pessoa com Deficiência, o cadastro pode ser feito por este link: https://www.maua.sp.gov.br/Destaques/Detalhes/15. A secretaria também mantém atendimento presencial para quem tem dificuldade com o preenchimento. A divulgação ocorre nas redes sociais da Prefeitura, terminais de transporte e grupos de WhatsApp.
O diagnóstico deve ajudar ainda na avaliação da estrutura de atendimento. Mauá conta com um CER 2 (Centro Integrado de Atenção a Pessoa com Deficiência) e estuda a criação de um centro especializado para pessoas com TEA (Transtorno do Espectro Autista). Para Noeme, a ampliação dos serviços precisa acompanhar o crescimento das demandas por escolas, profissionais de apoio e terapias. “Quando se fala de neurodivergências e da pessoa com deficiência, necessariamente estamos sempre pensando na ampliação, porque os números sempre aumentam. A demanda por escolas, vagas, profissionais de acompanhamento e terapias está sempre em evolução”, afirma.
Cultura e empreendedorismo entram na agenda
A busca por mais visibilidade também aparece em duas ações previstas para este fim de semana. Neste sábado (26/09), a Pinacoteca do Teatro de Mauá recebe a primeira edição da Fliped, Feira Literária para Pessoa com Deficiência. O evento terá editoras, autores, artistas, rodas de conversa, exposição, sessão de autógrafos e oficinas. Entre os participantes estão a escritora Ana Stopa, o autor mauaense Elos Guarani e o artista plástico Leandro Almeida. A programação terá ainda duas oficinas com Daniel Ferreira, jovem artista que pinta com os pés e a boca.

Já no domingo (27/09), a programação segue no Parque da Juventude com a Expo PCD, voltada ao empreendedorismo. A feira terá produtos de pessoas com deficiência e de mães atípicas que encontram nessas atividades uma forma de gerar renda. A expectativa da secretaria é reunir entre 15 e 20 expositores, e além disso, o evento também terá apresentação de basquete inclusivo da APAE e apresentação musical. “É uma grande oportunidade para a cidade conhecer a população com deficiência, o que está sendo produzido na cidade, quais são os talentos”, afirma Noeme. Sobre a Expo PCD, a secretária destaca a importância de valorizar as mães que conciliam os cuidados com os filhos com a produção de itens para venda.
Capacitação e acessibilidade
A secretaria também mantém ações de capacitação para profissionais da Guarda Municipal e das redes pública e privada de educação, além de cursos de Libras. Para Noeme, a formação tem papel central no combate ao capacitismo. “Temos avanços, mas ainda temos muito a conquistar. Precisamos fazer um investimento muito forte na educação, porque os preconceitos mudam de roupagem, mas continuam presentes”, afirma.
Na área de acessibilidade, a secretária cita reformas e novas unidades públicas com recursos específicos para pessoas com deficiência. Entre os exemplos, estão ferramentas que permitem acessar informações sobre os espaços pelo celular. “Hoje você chega nas novas unidades e encontra recursos de acessibilidade. Todos esses recursos estão sendo colocados. O grande desafio é olhar para a idade que a cidade tem, como foi construída e como precisa se transformar”, diz Noeme.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
