
O assalto sofrido pelo vereador de Santo André e candidato a deputado estadual, Rodolfo Donetti (Cidadania) na noite de terça-feira (23/09) e que terminou na morte de um homem que teria tentado assaltá-lo, chamou a atenção dos demais vereadores quando à segurança. No caso de Donetti, que é policial militar, a vítima saiu ilesa, mas os demais que não contam com esse preparo estão assustados. O próprio candidato diz que mudou sua rotina e desde esta quinta-feira (23/09) está andando com carro blindado e que andará com apoio de seguranças até o fim do período eleitoral.
Para o presidente da Câmara, vereador Carlos Ferreira (PMDB) o Legislativo tem que adotar alguma medida diante do agravamento das condições de segurança. “Para nós parece claro que foi um assalto comum, não um crime político, mas também não se pode descartar nada. A polícia certamente investigará todas as possibilidades, mas, por conta da visibilidade do vereador, todos na Câmara estão se sentindo vulneráveis”, revela.
Ferreira chamou a atenção de que este não foi o único episódio de violência a atingir diretamente o Legislativo andreense. Ele lembrou do assassinato do vereador Cosmo Rodrigues Cardoso, o Cosmo do Gás (PDT) que foi morto em março de 2015 durante um assalto à sua casa. Ele tinha 46 anos de idade. O crime foi registrado como latrocínio. “Teve esse caso do Cosmo do Gás, também o vereador Denis Gambá que foi assaltado e agora foi o caso do Donetti, a Câmara está apavorada. Não temos verba para dar segurança aos vereadores, mas é possível trazer alguém para orientar. O delegada do 6° DP, antes mesmo dessa situação, já tinha falado que poderia falar sobre dicas de segurança, ele tem experiência e pode falar com os vereadores”, diz o presidente do Legislativo.
Ferreira disse ainda que vai cobrar informações sobre a investigação do caso de Donetti, para descartar totalmente a possibilidade de um crime político.
Donetti
Para o vereador Rodolfo Donetti não há dúvidas de que foi um assalto, que poderia ter como vítima qualquer pessoa que passasse pelo local. “Se tivessem vindo para me matar, eles teriam chegado atirando, não ia esperar eu parar o carro. Eles tiveram a chance. Para mim não há nenhuma dúvida de que foi um assalto”, disse o parlamentar ao RD.
Candidato a deputado estadual, Donetti saiu de compromissos e passou pela casa da sua mãe, na noite desta terça-feira. Segundo ele a rua Alba Frota, na Vila Pires, onde o entrevero aconteceu, é um caminho de rotina, que ele passa todos os dias. Por conhecer bem o local não se preocupou muito, mas era seguido por uma motocicleta com dois homens.
“Eu não vi, só percebi a moto quando eles estavam do lado do meu carro, entendi que eu ia ser assaltado, parei o carro e a moto também, foi quando o garupa já desceu gritando ‘perdeu, perdeu’ apontando uma arma para mim. Tive que reagir e atirei na direção dele que também atirou na minha, dois tiros pegaram o meu carro, um na lataria e outro atravessou os vidros lateral e traseiro. Eu disparei três vezes na direção dele e acertei os três disparos, chamei a PM, que veio rápido, mas ele morreu no local. O outro fugiu na moto”, narrou.
Donetti diz que, por ser policial militar, está sempre com a sua arma e a carteira funcional da PM. “Se eu não reagisse estaria morto agora. Se me revistassem, achassem a arma ou a minha carteira eles me matariam ali mesmo”, sustenta. A postura e o modo de agir dos criminosos deixaram claro para o vereador de que não foi um crime político. “Qualquer um que entrasse naquela rua, naquela hora, teria sido assaltado. Não foi para me pegar, se fosse já chegariam atirando, porque eles tiveram essa chance, eles queriam roubar”.
O candidato a deputado estadual defende que todo o cidadão que comprovar estar preparado para portar uma arma, que tenha esse direito garantido. Apesar de não acreditar em crime que mirasse a sua figura pública de vereador e candidato, Donetti considera acertada a ideia do presidente da Casa, de trazer especialista em segurança para palestrar aos vereadores. “Faz todo sentido isso, porque o vereador fica muito exposto, anda pela cidade toda. Eu apoio a ideia”.
Em nota, a Secretaria de Segurança Pública confirmou tudo que Donetti conta sobre o caso, que foi registrado como homicídio decorrente de oposição à intervenção policial e tentativa de roubo. “Um homem morreu durante tentativa de roubo na madrugada desta quarta-feira (23), na Rua Alba Frota, em Santo André. Segundo o boletim de ocorrência, dois homens em uma motocicleta tentaram assaltar um PM aposentado, atualmente vereador na cidade. Ele reagiu e houve troca de tiros. O suspeito atingido não resistiu, e o outro fugiu. O veículo do vereador e as armas dos disparos foram apreendidos para perícia. O caso foi registrado no 6º DP de Santo André como homicídio decorrente de oposição à intervenção policial e tentativa de roubo”, diz o comunicado.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
