Faltam menos de 20 dias para o primeiro turno das eleições gerais. A busca de votos segue, porém, com um nível de estresse cada vez maior do eleitorado. No entendimento do cientista político Nilton Tristão, em entrevista ao RD Cast desta quinta-feira (17/09), a série escândalos e uma campanha voltada para os wind banners vão causar uma queda de votos válidos, o que pode favorecer candidatos com histórico maior com o eleitorado.
Tristão aponta que 80% do eleitorado segue em dúvida sobre o voto para deputado federal. Tal cenário colabora para aqueles que tem um eleitorado mais fiel, como ex-prefeitos, possam levar vantagem sobre nomes novos que ainda buscam se consolidar na política.
“Candidatos como Orlando Morando e Paulo Serra, eu acho que eles têm uma certa vantagem, se a gente quiser colocar até o Thiago Auricchio, que não é federal, mas são candidatos de base, ou seja, eles têm um universo para debater ou para pedir voto que ele já tem uma história. Então, quer dizer, o Paulinho tem uma história com o eleitor de Santo André, o Orlando Morando tem uma história com o eleitor de São Bernardo, o Thiago Auricchio tem uma história com o eleitor de São Caetano. Eu acho que esse tipo de candidatura, nessa eleição, vai ter uma certa vantagem, até porque é possível que cresça a quantidade de votos perdidos, nulos, brancos, abstenções, mas isso é para todo mundo.”, inicia.

“O aumento de votos perdidos vai ser para todos os candidatos. Então, candidatos que estão melhor estruturados dentro de uma base, seja temática, seja geográfica, eu acho que eles vão acabar tendo vantagens. Eu não vejo o problema, por exemplo, de sair eleitos aqui Paulinho Serra, Orlando Morando e Alex Manente.”, segue o especialista.
A preocupação está com a falta de debates e o crescimento dos wind banners como principais materiais de campanha. Tristão aponta que houve uma distribuição menor de santinhos e outros tipos de material gráfico, além de pouco uso dos caminhões de som com os jingles de campanha. Esse cenário faz com que o eleitor veja diversos candidatos pelas ruas, mas sem prestar a atenção devida ou mesmo sem questionar de fato o que pensa cada um que disputa essa eleição.
“O eleitor não fixa nada. Ele não fixa. Então, a tendência natural, entre aqueles que vão votar em alguém, é procurar algum candidato que ele tenha uma identidade já construída no passado. Eu acho que criar identidades novas a partir de agora não vai acontecer.”, disse Tristão que também destaca uma campanha cada vez maior nas redes sociais.
Outro ponto lembrado é o número de candidatos com discursos cada vez mais populistas e menos ideológicos de fato. A consequência de uma polarização ferrenha nos últimos anos, na visão do especialista, tirou qualquer debate sobre temas importantes para a população.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
