
Uma caixa de água de concreto, antiga e com vazamentos preocupa alunos, professores e funcionários da Escola Estadual Valentino Redivo, em Ribeirão Pires. O colégio fica sem água boa parte do dia porque a entrada é fechada diante de vazamentos e a infiltração já faz o piso afundar na área externa e interna da escola. O medo é que, da mesma forma que o piso está cedendo, a própria caixa de água possa cair, como alguns postes na parte externa da escola já estão inclinados por falta de sustentação do solo. Parte do estacionamento do colégio foi interditado.
O RD ouviu funcionários da EE Valentino Redivo, que fica no Jardim Valentina. Os servidores pediram para não serem identificados por medo de represálias. Um deles contou que é lamentável a higiene na escola, porque na maior parte do dia a entrada de água fica fechada. “Imagina uma escola com quase mil alunos sem água, como fazer a limpeza assim, pensa nos banheiros como ficam”, contou o funcionário.
O piso no pátio da escola está todo craquelado e fica molhado o tempo todo, até das paredes escorre água e isso acontece nos dois pisos do colégio. Essa é a constatação dos funcionários que contaram ainda que a direção, em alguns períodos abre um pouco a entrada da água para encher ao menos um pouco a caixa e ter água nas torneiras, mas é por pouco tempo, porque há temor sobre a estrutura da própria caixa.
“Essa situação coloca em risco as crianças e a gente também. A Defesa Civil veio aqui e interditou o estacionamento e agora a gente está com medo. O pior é que a escola foi reformada há pouco tempo e tá assim, é só ligar a água da rua e começa a minar em tudo. Na biblioteca ninguém entra por causa do cheiro de mofo, os computadores estão estragados porque fica tudo molhado”, conta.
Segundo o portal da transparência da Secretaria Estadual de Educação, a EE Valentino Redivo tem 358 estudantes entre 6 e 18 anos de idade nas turmas de Ensino Fundamental I e II de Ensino Médio.
Nota emitida pela Secretaria de Educação diz que teve início este mês a obra para resolver problemas na parte hidráulica da escola e que apenas o estacionamento foi interditado porque os efeitos das infiltrações estariam apenas ali, contrariando os relatos recebidos pelo RD. A nota diz ainda que não há risco para quem estuda ou trabalha no colégio.
“A Fundação para Desenvolvimento da Educação (FDE) informa que iniciou em 2 de setembro uma obra na área da caixa d’água e todo o sistema hidráulico, além dos banheiros de alunos, funcionários e cozinha com investimento de R$ 210,9 mil e prazo de 120 dias para conclusão. A Unidade Regional de Ensino (URE) Mauá acrescenta que, após avaliação técnica dos órgãos competentes, não houve necessidade de interditar a unidade, uma vez que os efeitos do vazamento se limitavam ao estacionamento. Desta forma, não existe risco à segurança dos estudantes, professores e demais servidores da escola”, diz o comunicado.
A prefeitura de Ribeirão Pires disse que a Defesa Civil esteve no local, não houve interdição formal, mas foram verificados problemas de drenagem e o rompimento da tubulação de água. “A Defesa Civil de Ribeirão Pires realizou vistoria técnica para avaliar a pequena movimentação de terra registrada na rampa de acesso à unidade escolar por conta do volume acumulado de chuva. Após a avaliação, não foi identificada, no momento da vistoria, a necessidade de interdição parcial ou total do local. A Defesa Civil elabora relatório técnico com as orientações e providências necessárias para a área. Entre as medidas apontadas estão o reparo da tubulação que se rompeu durante a movimentação de terra e que abastece a caixa d’água da unidade escolar, bem como a execução de sistema de drenagem na área da rampa, com o objetivo de contribuir para o adequado escoamento das águas no local”, informou a administração municipal.
Rotina
Não são novidades problemas de conservação em escolas do Estado no ABC e o RD tem noticiado diversos destes casos. Esta semana a pais de alunos da escola Escola Estadual Dr. Fausto Cardoso Figueira de Mello, no bairro Paulicéia, em São Bernardo, reclamaram que parte da escola ficou alagada nos últimos dias de chuva. A Secretaria de Educação disse sobre esse caso que este mês foi publicada no Diário Oficial do Estado a autorização para prosseguimento do processo licitatório da obra de reparos estruturais da unidade. O prazo para execução médio é de até seis meses após a contratação.
Também esta semana a a reportagem ouviu reclamações sobre a EE Professor Pedro Madóglio, que fica no Jardim Inamar, em Diadema. Por lá a reclamação e de aula em meio a barulho e poeira de uma obra que é realizada no colégio. A pasta da Educação do governo paulista minimizou o problema. “A escola passa por uma série de obras, no valor de R$ 983 mil, com duração de oito meses, com término previsto pra fevereiro de 2027. Devido a uma fase pontual da obra, uma sala de aula teve a sua energia desligada durante um dia e, para a segurança dos estudantes, as aulas foram ministradas em outros ambientes da unidade. Os espaços da unidade escolar são limpos diariamente, com os devidos cuidados tomados e visando manter o ambiente propício para os estudantes e docentes”.
A reportagem também tem relatado dificuldades de pais atípicos de manterem os filhos na escola, quando não há auxiliar em sala para que alunos neurodivergentes ou com deficiência sejam atendidos. O fechamento de salas do período noturno também é outro fator que tem gerado protestos de alunos e professores em toda a região. A secretaria diz que todo aluno que comprova vínculo de emprego tem direito à vaga noturna, porém, segundo a Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo), que tem organizado os atos, as matrículas são negadas porque a maioria dos estudantes que já trabalha, atua em empregos informais e não consegue a comprovação que a escola exige.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
