
O Governo do Estado de São Paulo prevê mais de 150 cirurgias ortopédicas adicionais no Hospital Estadual de Diadema até dezembro. A unidade integra um mutirão da Secretaria de Estado da Saúde (SES-SP) que pretende realizar cerca de mil procedimentos extras até o fim do ano em hospitais da Grande São Paulo e das regiões de Campinas e Sorocaba.
A iniciativa busca acelerar o atendimento de pacientes que aguardam procedimentos pelo sistema estadual de regulação, principalmente cirurgias de joelho, quadril e coluna. Segundo o Estado, a distribuição dos procedimentos considera a demanda de cada região e a capacidade das unidades.
O anúncio ocorre em um cenário de espera prolongada por atendimento ortopédico em Diadema. Segundo dados fornecidos pela Prefeitura, 2.384 pacientes aguardam avaliação para cirurgia ortopédica no município. A maior demanda é por procedimentos de coluna, com 760 pacientes e espera média de 55 meses. Na sequência aparecem joelho, com 721 pacientes e espera média de 48 meses, e ombro, com 560 pacientes e espera média de 49 meses.
Ainda não foi informado quantos pacientes da fila municipal serão contemplados diretamente pelo mutirão estadual. Também não há detalhamento sobre como os mais de 150 procedimentos previstos para o Hospital Estadual de Diadema serão distribuídos entre as diferentes especialidades.
Além de Diadema, participam da ação na Grande São Paulo unidades estaduais localizadas em Franco da Rocha, Itaim Paulista, Itaquaquecetuba, Pirajussara, Vila Alpina, Carapicuíba, Cotia, Guarulhos, Santo André, Sapopemba, Taipas e Vila Penteado. Entre os hospitais com maior volume programado estão Sapopemba, com até 240 procedimentos adicionais; Diadema, com mais de 150; Guarulhos, com mais de 100; e Itaim Paulista, com 100 cirurgias extras até dezembro.
Moradora espera há nove meses por consulta
A demora em Diadema é relatada por moradores que ainda aguardam uma consulta com especialista. É o caso de Isabel Moraes Lopes, 64 anos, moradora do bairro Taboão. Com fortes dores nas costas, ela recebeu encaminhamento para um ortopedista, mas afirma estar há cerca de nove meses esperando ser chamada. Nesse período, precisou recorrer a pronto-socorros e receber medicação para aliviar as dores.
“Eu estou sofrendo com dores muito fortes”, relata Isabel, que afirma não ter condições de arcar com novos exames particulares caso sejam solicitados. “Se me pedirem outros exames eu já não tenho como fazer. Precisei tirar dinheiro do meu Bolsa Família para conseguir fazer esses primeiros, mas agora não sei como manter o tratamento”, conta.
A moradora afirma que continua aguardando o chamado da rede pública para passar pelo ortopedista.
Espera também atinge outras cidades
Em Rio Grande da Serra, 335 pacientes aguardam consulta em ortopedia geral e outros 200 esperam avaliação para cirurgia ortopédica. Em Ribeirão Pires, a Prefeitura informou 4.635 solicitações relacionadas a consultas ortopédicas na rede municipal. Entre as principais demandas estão casos de dor nas costas, dor lombar, artrose de joelho, dor articular, dor nos membros, lesões no ombro, dor lombar com ciática e alterações nos discos intervertebrais.
Para cirurgias ortopédicas, há 1.010 solicitações registradas na CROSS (Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde), sistema de regulação gerido pelo Estado. Em Santo André, a Prefeitura não informou o tamanho da fila de ortopedia, mas segundo a administração municipal, o tempo de espera para consultas ambulatoriais e procedimentos ortopédicos de menor gravidade é de até 45 dias.
As prefeituras demais prefeituras da região não informaram.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
