Ribeirão Pires recebe, no dia 29 de novembro (domingo), a 8ª edição da Corrida e Caminhada Asas para Isabela, com largada às 7h30, no Paço Municipal. O evento terá provas de 5 km e 10 km e caminhada de 2,5 km e, além do caráter esportivo, mantém proposta de inclusão e solidariedade. Criada para ajudar no tratamento de Isabela Scomparim Sueiro, que tem paralisia cerebral, a iniciativa surgiu a partir da mobilização de familiares e amigos e hoje reúne milhares de pessoas a cada edição.
Pai de Isabela, Alexandre Sueiro conta, em entrevista ao RDtv, a trajetória da filha e a história da corrida, que nasceu após a família enfrentar dificuldades financeiras para manter o tratamento no Chile. Aos 16 anos, Isabela tem autonomia para andar, frequenta a escola e está no ensino médio, resultado que a família atribui à persistência no tratamento e ao apoio recebido ao longo dos anos.

Diagnóstico e tratamento no Chile
Isabela nasceu em 2009 e, aos 10 dias de vida, passou por uma cirurgia para correção de uma coartação da aorta. O procedimento durou mais de 14 horas e, no pós-operatório, teve paradas respiratórias e falta de oxigenação, além de permanecer por mais de 30 dias na UTI. Aos três meses, passou por uma nova correção cardíaca e, por volta dos sete meses, recebeu o diagnóstico de paralisia cerebral após uma avaliação neurológica.
A família percebeu diferenças no desenvolvimento de Isabela em relação à irmã mais velha, Larissa, quatro anos mais velha. Com o diagnóstico, os pais buscaram recursos para oferecer à filha as melhores condições possíveis de desenvolvimento e iniciaram uma rotina de terapias. Aos nove meses, Isabela teve contato com o CME (Cuevas Medek Exercises), método criado pelo chileno Ramon Cuevas para estimular respostas motoras em pessoas com lesões cerebrais, sobretudo crianças. Na época, segundo Alexandre, havia apenas duas terapeutas capacitadas para o método no Brasil.
A terapeuta que acompanhava Isabela recomendou que a família levasse a menina ao Chile para um período intensivo com Ramon Cuevas. A viagem ocorreu quando Isabela tinha três anos e exigiu recursos acumulados pelos pais ao longo de anos de trabalho, além da ajuda de familiares.
A permanência prevista de duas semanas chegou a três, e para o pai, a experiência marcou uma mudança importante no desenvolvimento da filha. “Foi o antes e depois do Chile. A gente viu a Isabela fazer coisas ali que não é porque a terapia é milagrosa. A Isabela vinha com um estímulo desde os nove meses. Quando se juntou com o Ramon, esse casamento deu muito certo”, afirma. A família mantém as viagens ao Chile desde então. Ramon Cuevas, hoje com 82 anos, ainda atende alguns pacientes e continua ligado ao trabalho com o método. Com o crescimento de Isabela, a terapia também precisou de adaptações e novos exercícios.
Evolução também ajudou a ampliar o método no Brasil

A experiência da família acompanhou a expansão do CME no país. Segundo Sueiro, o Brasil foi do cenário com apenas duas terapeutas capacitadas para a técnica para uma realidade com profissionais formados em diferentes estados. Durante os treinamentos no Chile, alguns desses profissionais tiveram contato com Isabela e conheceram de perto parte de sua evolução. “O caso dela não representa uma garantia de resultado para todas as pessoas com paralisia cerebral, mas ao mesmo tempo, surge como esperança de casos antes encarados como impossíveis”, diz.
Reforça ainda que cada paciente possui características, limitações e níveis de comprometimento diferentes, e por isso os resultados variam de acordo com cada situação. Ao mesmo tempo, o pai relata que já presenciou avanços expressivos em outras crianças, como pacientes que passaram da alimentação por gastrostomia para via oral.
Para a família, a história de Isabela também ganha um significado maior ao servir como referência para outros pais que recebem um diagnóstico semelhante. O contato com profissionais e famílias ao longo dos anos criou uma rede de troca de experiências e informações sobre tratamentos e possibilidades de desenvolvimento.
Corrida surgiu de uma corrente do bem
Antes da criação da corrida, a família utilizava recursos próprios para custear as viagens e o tratamento. Com o tempo, porém, os recursos acabaram e surgiram dívidas. Amigos e colegas passaram a organizar bingos, rifas e outras ações para ajudar na continuidade das terapias. Em 2015, um grupo de amigos ligado ao esporte apresentou a ideia de criar uma corrida para Isabela. Alexandre e a esposa, Vanessa, não tinham experiência com organização de eventos esportivos, mas aceitaram o desafio. A primeira edição ocorreu em 18 de outubro de 2015, data do aniversário de seis anos de Isabela, e reuniu cerca de 1,8 mil pessoas, embora a expectativa inicial fosse de 500 participantes.
Desde a primeira edição, a corrida ajudou a garantir a continuidade do tratamento de Isabela no Chile e ampliou o propósito da iniciativa. A última edição reuniu cerca de 2,6 mil pessoas, enquanto o evento passou a receber também doações para famílias e instituições que precisam de auxílio.

Caminhada aposta em inclusão e solidariedade
A edição de 2026 terá três opções de participação. As corridas de 5 km e 10 km atendem quem busca desafio esportivo e superação pessoal, enquanto a caminhada de 2,5 km possui uma proposta mais ampla de inclusão. A organização recebe famílias com crianças, pessoas com deficiência e participantes que não podem ou não desejam correr. “A corrida de caminhada é mais do que isso. É um momento de inclusão. Trabalhamos muito com inclusão e fazemos questão que a nossa caminhada, principalmente, seja 100% inclusiva, para que todos possam participar”, afirma Sueiro.
A proposta também contempla pessoas em recuperação de cirurgias ou que buscam apenas um momento de convivência e contato com outras pessoas. Para o pai de Isabela, a ideia de superação não se limita ao resultado esportivo, mas também envolve a decisão de sair de casa, participar do evento, torcer por outros atletas ou contribuir com uma doação.
Além das atividades esportivas, a organização fará a arrecadação de 1 kg de alimento por participante. A doação ocorre na retirada do kit, que inclui camiseta, medalha, sacolinha e produtos adicionais. O evento também terá água, hidratação, banana e maçã para os participantes. Neste ano, a campanha terá ainda arrecadação de roupas para bebês e alimentos para animais. Parte dos alimentos será destinada ao Caminho da Luz, de Ribeirão Pires, instituição que presta auxílio a cerca de 60 famílias. Outras instituições também recebem os itens arrecadados.
Serviço
8ª Corrida e Caminhada Asas para Isabela
Data: 29 de novembro de 2026
Largada: 7h30
Local: Paço Municipal de Ribeirão Pires
Corridas: 5 km e 10 km
Caminhada: 2,5 km
Site: Asas para Isabela
Informações: (11) 99807-7772
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
