
Os irmãos Gallagher levaram a energia de astros do rock para o pacato e abafado Festival de Cinema de Veneza no último sábado, (05), onde o documentário sobre a turnê de reunião da banda fez sua estreia mundial. Agora, o filme chega aos cinemas, com sessões a partir desta quinta-feira, 10/09.
Oasis: Don’t Look Back in Anger é parte filme de show e parte exploração do relacionamento conturbado entre Noel e Liam Gallagher, cuja briga de longa data levou ao fim do Oasis em 2009 de maneira espetacularmente dramática, após uma discussão nos bastidores momentos antes de subirem ao palco em Paris.
Noel disse a famosa frase de que seu irmão é “o homem mais irritado que você já conheceu. Ele é como um homem com um garfo em um mundo de sopa”, acrescentou. Liam disse ao Guardian em 2018: “Noel me prejudicou, cara, ele me jogou debaixo do ônibus, e eu não vou esquecer isso. Ele acabou com a banda, e isso significava tudo para mim. Apenas para alavancar a carreira dele”.
Oasis foi fundado na classe trabalhadora de Manchester, Inglaterra, em 1991, e se tornou um dos grupos britânicos mais populares dos anos 1990, atingindo o topo das paradas com seu álbum de estreia, Definitely Maybe, em 1994. Seu trabalho seguinte, de 1995, (What’s the Story) Morning Glory?, tornou-se um dos álbuns mais vendidos de todos os tempos no Reino Unido.
O filme examina o fenômeno do Oasis e as personalidades difíceis por trás dos sucessos, a maioria dos quais foi escrita pelo irmão mais velho dos Gallagher, Noel, de “Wonderwall” a “Live Forever”. A obra inclui ensaios inéditos (em que há tensão generalizada quando Liam entra) e o que foi, pelo menos até aquele momento, a primeira entrevista conjunta da dupla em 25 anos.
Em 2025, os irmãos encerraram um hiato de 16 anos com uma turnê de reunião que começou em Cardiff, no País de Gales, para um público extasiado e de todas as idades, com mais de 60 mil pessoas. Muitos temiam que, assim como em Paris em 2009, o show pudesse nem chegar a acontecer. Mas a apresentação ocorreu, e ainda com os ex-membros oficiais: Paul “Bonehead” Arthurs e Gem Archer na guitarra; o baixista Andy Bell; e o baterista Joey Waronker.
A Associated Press escreveu que canções como “Supersonic” e “Roll With It” “soavam tão estrondosas como sempre e provocaram cantorias em massa”.
Steven Knight, creditado como roteirista do documentário, disse que ele e Noel queriam explorar a questão de por que a música resistiu ao tempo, não apenas para os fãs que a vivenciaram nos anos 1990, mas também para a geração seguinte, o que culminou na demanda intensa por ingressos para a turnê de reencontro.
Os cineastas Dylan Southern e Will Lovelace conversaram com os irmãos separadamente antes do início dos ensaios e, depois, juntos, enquanto a turnê estava a todo vapor, para refletir a verdadeira progressão do relacionamento. “Nos propusemos a fazer um filme sobre a reconciliação de dois irmãos, infames por seu relacionamento volátil, mas também queríamos fazer um filme sobre a força da música e a maneira como as canções do Oasis continuaram a ter vida própria, enquanto a banda permaneceu inativa por 15 anos”, disseram os diretores. “O documentário, assim como a reunião e a turnê, ganhou vida própria.”
Os cineastas disseram que o objetivo era tornar as câmeras e sua presença invisíveis para a banda durante os ensaios. Nos shows, queriam que o público se sentisse presente. O filme também se concentra em vários fãs ao redor do mundo. “Às vezes, você pode simplesmente cruzar com alguém com um cachorro chamado Bonehead e isso se torna parte da história”, disse Southern.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
