
O coletivo TEAção, de Mauá, anunciou o lançamento, no próximo dia 21 de setembro, Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, do primeiro censo do ABC que objetiva identificar onde estão as pessoas com TEA (Transtorno do Espectro Autista), TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade) e outras deficiências físicas e intelectuais. A pesquisa Vozes que Transformam foi criada a partir das demandas e necessidades apontadas por pessoas que vivenciam diariamente os desafios relacionados à deficiência, ao autismo e à neurodiversidade de uma forma geral. Na data será lançado um vídeo explicativo sobre a proposta da pesquisa e começam a ser distribuídos os questionários.
Segundo o coordenador do coletivo TEAção, Thiago Almeida, integrantes do grupo que atuam como educadores, psicólogos e assistentes sociais, vão colher as informações através dos formulários. Também está prevista a consulta às sete prefeituras da região para identificar as barreiras físicas, tecnológicas e sociais para os deficientes, pessoas atípicas e suas famílias. “A ideia é dividir a pesquisa em grupos focais, como, por exemplo, as mães atípicas solo; os adolescentes e adultos autistas; os autistas 50+ e também o recorte para a situação socioeconômica das famílias. Com esses grupos focais teremos uma pesquisa quantitativa e qualitativa também. A proposta é deixar esse estudo para consulta por estudantes, por organizações e que ela estimule a produção de políticas públicas; um direcionamento do que fazer para auxiliar esse público”, explica.
Almeida diz que o Censo feito a cada 10 anos, tem sua importância, mas não faz o diagnóstico detalhado como se pretende com a pesquisa Vozes que Transformam. “O Censo tem sua qualidade, mas não vê com tanta especificidade. Nós vamos tratar só das deficiências em todo ABC, porém com um recorte especial para a neurodiversidade. Queremos saber como vivem as pessoas com deficiência nas suas comunidades, pois não são todas as pessoas neurodivergentes que têm as mesmas necessidades, tem quem tem acesso a convênio e tem quem depende do serviço público”.
O coordenador do TEAção, milita nesta área há seis anos, desde que descobriu que o filho de oito, tem autismo de nível 2 de suporte. Já na vida adulta ele mesmo descobriu ser neurodivergente o que explicou as dificuldades na adolescência, passando de escola em escola até se adaptar e chegar à universidade. Ele iniciou sua batalha pelos direitos do filho, sendo que o menino teve a primeira Ciptea (Carteira de Identificação da Pessoa Com Transtorno do Espectro Autista). Nessa jornada ele vê avanços na política, nem todos perenes.
“Eu vejo que o atendimento pouco evoluiu nesse período. Apesar de ver com bons olhos o assunto ser amplamente debatido nas campanhas políticas, vi também gente que defendeu essa causa na eleição passada e depois esqueceu, apenas pegaram carona. Também vejo pessoas com deficiência buscando entrar na política para representar então quem é da causa vai passar dessa ´modinha’ e vai continuar lutando. Tem muita gente defendendo Centros TEA, mas tem cidades que já têm o CER (Centro Especializado de Reabilitação), como em Mauá e já atende então é preciso esforços para focar o uso do recurso público”, analisa.
No momento o TEAção está estruturando a equipe multidisciplinar que vai preparar o estudo para o lançamento em 21 de setembro. “Apesar de estarmos sediados em Mauá, queremos ter amostras das periferias das sete cidades, com pesquisas que faremos nos grupos, nas ruas e na internet. Também queremos levar as entrevistas para as escolas, buscar as informações dos atendimentos médicos nas prefeituras. Depois vamos disponibilizar para as cidades e para o Consórcio Intermunicipal”, completa Thiago Almeida.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
