
(Foto: divulgação)
O esporte tem conquistado espaço cada vez mais relevante no cuidado de pessoas com transtorno do espectro autista (TEA). Revisão publicada em 2023 na revista científica internacional Current Developmental Disorders Reports mostra que, quando integrada a uma abordagem terapêutica estruturada, a prática esportiva pode favorecer o desenvolvimento de habilidades motoras, fortalecer aspectos da interação social e da comunicação e contribuir para a redução de comportamentos repetitivos neste público.
Essa mesma revisão, que analisou diferentes modalidades esportivas, identificou melhora da coordenação, do equilíbrio, da força muscular e das habilidades locomotoras quando as atividades são desenvolvidas de forma estruturada e adaptada às necessidades do participante.
Os ganhos favorecem a independência funcional e ampliam a participação em diferentes contextos, como a escola, a família e a comunidade. “Isso é especialmente importante porque muitas pessoas com TEA apresentam dificuldades relacionadas ao equilíbrio, à coordenação motora, ao planejamento dos movimentos e à consciência corporal, fatores que podem interferir na realização de tarefas do cotidiano e limitar a participação em atividades recreativas e esportivas”, explica Tarcizio Britto, neuropediatra e coordenador das Clínicas TEA da Dasa e do Espaço TEA do Alta Diagnósticos.
Os impactos positivos não se restringem ao desenvolvimento motor. Atividades individuais e coletivas oferecem oportunidades para exercitar competências como cooperação, comunicação, respeito às regras e convivência em grupo. Uma metanálise publicada em 2023 na revista Autism Research demonstrou que programas de atividade física podem contribuir para melhorias relacionadas à comunicação social e aos sintomas centrais do TEA, resultado reforçado por uma revisão publicada no mesmo ano na Frontiers in Pediatrics, que observou que intervenções baseadas em exercícios físicos favoreceram o desenvolvimento da interação social e da comunicação em crianças e adolescentes com autismo.
“Os benefícios são diversos e podem ser observados no fortalecimento da autoestima, da autoconfiança e do sentimento de pertencimento. Esses fatores contribuem para a qualidade de vida e para uma participação mais ativa na sociedade”, completa o especialista.
A literatura científica também aponta efeitos positivos da atividade física sobre aspectos comportamentais. Revisões disponíveis na biblioteca SciELO mostram que programas estruturados de atividade física podem contribuir para a redução de comportamentos repetitivos, melhora da atenção e da autorregulação emocional. Os pesquisadores ressaltam, no entanto, que esses resultados dependem da frequência da prática e da integração do esporte com outras estratégias terapêuticas.
À medida que essas evidências científicas se consolidam, a integração entre atividade física e outras abordagens terapêuticas tem sido cada vez mais incorporada aos serviços especializados no atendimento a pessoas com TEA.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
